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Paulo Gama Mota é biólogo, doutorado e professor na Universidade de Coimbra. Os seus interesses científicos têm sido o estudo do comportamento animal e a compreensão das suas causas evolutivas. O convidado foi também Director do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra até 2015, e é actualmente presidente da Sociedade Portuguesa de Etologia.
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Nesta conversa, fizemos uma viagem pela Biologia Evolutiva, percorrendo vários aspectos da teoria da evolução.
A evolução é um bom candidato à área mais fascinante da ciência. Como dizia o filósofo Daniel Dennett -- de quem falámos no episódio passado -- a descoberta de Darwin de evolução por selecção natural é, provavelmente, “a melhor ideia que alguém alguma vez teve”. Uma ideia muito simples de explicar, mas, na prática, com a imensa variedade da árvore da vida, incrivelmente complexa.
Compreender a lógica da evolução é fascinante por si só, mas também nos ajuda a compreender melhor uma série de outros aspectos, seja de outras áreas da ciência seja do nosso comportamento humano. Por isso, é um tema que já veio a propósito de vários temas que abordei no podcast; temas tão diferentes como genética, inteligência artificial, antropologia, psicologia evolutiva, doenças psiquiátricas, nutrição...e podia continuar.
É, por isso, uma grande lacuna não ter ainda convidado um biólogo evolutivo para fazer uma viagem completa pelas teorias da evolução. Este episódio preenche essa lacuna. E, para compensar, não fica por aqui: no próximo episódio, o Paulo regressa para uma 2ª parte em que, depois desta panorâmica, falamos de vários outros aspectos que tornam a evolução um fenómeno tão complexo e, ao mesmo tempo, claro, fascinante.
Nesta primeira parte da conversa com o Paulo Gama Mota, fizemos, então, uma viagem pela biologia evolutiva. Falámos da teoria original de Darwin e do modo como foi complementada, já no século XX, pela visão da selecção como ocorrendo primariamente ao nível dos genes (e não apenas no indivíduo). E falámos também da chamada “selecção de grupo”, uma área controversa da Biologia, que propõe que a evolução pode também ocorrer um nível acima: ao nível dos grupos. Mas para haver selecção, não basta a um indivíduo ter maiores probabilidades de sobreviver mais tempo, tem que conseguir passar os seus genes para a geração seguinte. É aqui que entra a selecção sexual, de que falámos na última parte da conversa e que é uma das áreas de investigação do convidado.
Nota: quando, a certo ponto, falamos de Egas Moniz, queremos obviamente dizer Martim Moniz.
Índice da conversa:
Obrigado aos mecenas do podcast:
Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego
Bio: Doutorado pela Universidade de Coimbra e Professor Associado, com agregação, do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC. Os seus interesses científicos têm sido o estudo do comportamento animal e a compreensão das suas causas evolutivas, incluindo a nossa espécie. Em especial, interessa-se pela evolução de sinais sexuais, como a coloração nas aves, e a comunicação animal. Publica regularmente nas revistas mais importantes de comportamento animal e evolução. É investigador do CIBIO, onde coordena o grupo de investigação em Ecologia Comportamental e é Presidente da Sociedade Portuguesa de Etologia. A par da sua actividade científica e de ensino, interessou-se pela comunicação de ciência, aspecto que considera essencial na actividade de um cientista. Foi director do Museu Antropológico da FCTUC, do Museu Nacional da Ciência e da Técnica, e responsável pelo projecto e Director do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (2006-2015), que recolheu inúmeros prémios nacionais e internacionais, pela excelência do projecto e da sua actividade. Comissariou várias exposições de ciência e coordenou vários projectos de ciência cidadã, sempre com a preocupação de aproximar os cidadãos da ciência.
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Sofia Miguens é professora catedrática no Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e fundadora do MLAG, dedicado à Filosofia da Mente, Linguagem e Acção.
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Decidi convidar a Sofia para o 45 Graus porque há muito que queria abordar algumas das questões da área da Filosofia da Mente, em que ela se começou por especializar. Como vão perceber, depois, como o leque de interesses da convidada dentro da Filosofia contemporânea é particularmente alargado, a nossa conversa acabou por se estender por outros terrenos igualmente interessantes.
Abrimos as hostilidades a discutir uma peculiaridade da Filosofia Contemporânea que me vem intrigando já há algum tempo: o facto de coexistirem abordagens e estilos distintos na Filosofia actual -- por vezes tão distintos que nem parecem vir da mesma área do conhecimento. Há várias maneiras de organizar estas diferenças de estilo, mas a distinção mais comum é entre Filosofia Analítica e a Filosofia Continental, que correspondem também (e não por acaso) a tradições linguísticas específicas. Esta discussão levou-nos a discutir também um tema eterno: a relação da Filosofia com a Ciência: será que são, no fundo, a mesma coisa ou, pelo contrário, são irremediavelmetne incompatíveis?
Na segunda parte da conversa, a partir sensivelmente dos 35 minutos, saltámos para problemas mais concretos da principal área de investigação da convidada: a Filosofia da Mente, da Linguagem e da Acção, como por exemplo o chamado “problema mente-corpo”.
No último trecho da conversa, tivemos ainda tempo para discutir outro tema quente destas áreas: o campo crescente, composto por filósofos e cientistas, que declara que, por muito que nos custe, tudo indica que não temos livre arbítrio.
Índice da conversa:
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Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego
Bio: Áreas de ensino e investigação: epistemologia, filosofia da mente, da linguagem e da acção, filosofia moral, história da filosofia contemporânea. Professora Catedrática no Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O seu orientador de doutoramento foi o filósofo português Fernando Gil (FCSH-UNL - Lisboa, EHESS – Paris) No Instituto de Filosofia da Universidade do Porto criou em 2005 o MLAG (Mind, Language and Action Group,) que dirige até hoje e que tem levado a cabo sucessivos projectos de investigação externamente financiados (FCT, BIAL, DAAD, CNRS) e albergado o trabalho de mestrandos, doutorandos e investigadores de pós-doutoramento. No Instituto de Filosofia é ainda a responsável pela coordenação dos grupos de investigação da área de Filosofia Moderna e Contemporânea. Foi visiting scholar na NYU – Nova Iorque (2000), no Instituto Jean Nicod, Paris (2007-2008). Foi Visiting Researcher na Universidade de Sydney – Australia (2013). Em 2017 foi Visiting Professor em Amiens. Tem lecionado cursos e feito conferências em vários países (Espanha, França, Alemanha, Áustria, Turquia, Suíça, Finlândia, Austrália, Polónia, Rússia, China entre outros). Foi Presidente da Sociedade Portuguesa de Filosofia. Foi Diretora do Departamento de Filosofia da FLUP e Diretora da licenciatura em Filosofia. É atualmente Diretora do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto, uma Unidade de Investigação da FCT. É autora de sete livros, Uma Teoria Fisicalista do Conteúdo e da Consciência – Daniel Dennett e os debates da filosofia da mente (2002), Racionalidade (2004), Filosofia da linguagem (2007), Será que a minha mente está dentro da minha cabeça? Da ciência cognitiva à filosofia (2008), Compreender a mente e o conhecimento (2009), Uma leitura da filosofia contemporânea – figuras e movimentos (2019). Coordenou mais de duas dezenas de volumes colectivos em português e inglês, o último dos quais The Logical Alien (Harvard University Press, 2020). É autora de mais de 100 artigos em inglês, francês e português, alguns dos mais recentes: “Temptation and Therapy – Wittgensteinian responses to other minds scepticism” (Wittgenstein Studien, 2019) e “The Human Face of Naturalism – Putnam and Diamond on religious belief and the ethical ‘gulfs between us’” (The Monist, 2020).
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Muitos de vós têm pedido uma versão-podcast do "Remotamente Interessante" (programa da Fundação Francisco Manuel dos Santos que estou por estes dias a moderar). Enquanto o podcast do programa não é lançado autonomamente, deixo-vos aqui o episódio de ontem, em jeito de 'teaser' (até porque trata de um tema que ainda não abordei directamente no 45 Graus: música):
Sinopse: A discussão sobre se há boa e má música é um debate eterno e provavelmente impossível de resolver. Há, certamente, pessoas a quem reconhecemos conhecimento e gosto para desvendar a boa música, mas esse gosto é um fenómeno misterioso e imprevisível. Neste episódio, a Fundação desafia o maestro Martim Sousa Tavares a partilhar cinco desses gostos improváveis.
Veja o programa aqui: https://www.ffms.pt/conferencias/ciclo/4586/remotamente-interessante
Ou aqui: https://www.youtube.com/user/ffmspt/videos
Bio do convidado: Formado em Ciências Musicais e Direcção de Orquestra em Lisboa, Milão e Chicago. Trabalhou com orquestras de sete países, promovendo um repertório plural, da estreia mundial de obras contemporâneas ao resgate moderno de música antiga. Aos 28 anos, é uma voz activa na divulgação da música clássica, regenerando e multiplicando abordagens e formas de contacto com esta forma de arte. Coordenador de projectos educativos do Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa, é autor do programa semanal A Lira de Orfeu (Antena2) e tem sido ouvido enquanto comunicador em diversos contextos. No âmbito da criação e pensamento contemporâneos, foi curador do ciclo A Boca do Lobo, com uma série de concertos mensais de música clássica no Lux-Frágil em Lisboa.
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Alexandre Relvas é um empresário com participação activa na política e na sociedade civil. Enquanto gestor, nos últimos anos tem estado dividido entre a Logoplaste, de que é accionista e foi CEO até 2017, e um projecto família ligado à produção de vinhos, a Casa Relvas. Para além disso, é presidente desde 2013 do Conselho Fiscal da Comunidade Vida e Paz
Já a participação cívica tem tomado várias formas. Politicamente, está ligado ao PSD, onde foi presidente do Instituto Sá Carneiro de 2008 a 2010. Antes disso, foi um dos promotores do “Compromisso Portugal” - um movimento que reunia um conjunto de pessoas, sobretudo gestores e economistas, com o objectivo de desenvolver propostas para aumentar o desenvolvimento económico do país (muito em linha com o que discutimos na nossa conversa).
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Esta conversa foi gravada pouco antes daquela fatídica semana de março em que de repente a pandemia tomou de vez conta do nosso espaço mental, das nossas preocupações. Por isso, por estarmos todos focados em problemas mais graves e imediatos, fui decidindo adiar a publicação deste episódio. Creio que agora é a altura certa. Não só porque estamos todos um pouco mais calmos como, sobretudo, porque estamos todos (eu, pelo menos) com vontade de pensar noutras coisas e começar a planear o futuro.
Futuro esse que passa, no imediato, por minimizar a recessão e relançar da economia, mas que não pode deixar de considerar aquilo que já era importante, e talvez se tenha tornado agora ainda mais: como tornar mais desenvolvida e competitiva a economia portuguesa.
Foi precisamente esse o mote para esta conversa com Alexandre Relvas, partindo da premissa de que o crescimento económico é uma condição necessária (embora não suficiente) para uma sociedade mais próspera para todos, e que esse crescimento depende, em grande medida, da competitividade externa das nossas exportações.
Foi uma discussão extremamente interessante, em que passámos a pente-fino um leque enorme de aspectos que influenciam a nossa competitividade, positiva e negativamente, e o que fazer para corrigir estes últimos.
Conceitos referidos durante o episódio:
1. O Alexandre refere, logo no início, a importância do “stock líquido de capital” para o potencial de crescimento da economia. Este “stock líquido de capital” é um indicador que mede a disponibilidade de um factor de produção específico, o capital, ou seja, máquinas, equipamentos, instalações, etc, e é portanto um determinante da capacidade de expansão da actividade pelas empresas. Se pegarmos no exemplo de uma fábrica, este stock aumentaria num determinado período se o valor das máquinas adquiridas fosse superior ao valor do desgaste das máquinas antigas. Ao ter mais máquinas em funcionamento disponível, a fábrica terá (com tudo o resto igual) capacidade para aumentar a produção. Se acontecer o contrário, claro, tenderá a diminuí-la.
2. Outro conceito de que falamos é o chamado sector não transacionável da economia. Este consiste essencialmente nas empresas que operam em sectores que não estão expostos a concorrência do exterior (por exemplo, a energia, as comunicações, a distribuição e muitos serviços, com a notória excepção do turismo). Estes sectores tendem, por isso (embora isso não seja uma consequência inevitável) a ser menos concorrenciais e, por isso mesmo, a ter empresas com lucros indevidos, as chamadas rendas.
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Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego
Bio: Alexandre Relvas nasceu em Luanda em 1956. É casado e tem cinco filhos. Licenciou-se em Administração e Gestão de Empresas na Universidade Católica Portuguesa onde exerceu actividade docente de 1978 a 1991. De 1991 a 1995 foi Secretário de Estado do Turismo do XII Governo Constitucional. É acionista e Administrador da Logoplaste. Foi CEO de 1997 a 2017. É acionista e Presidente da Casa Relvas, acionista e Administrador da Logotéis, proprietária dos hotéis Porto Bay no Algarve e Brasil e Administrador não Executivo da Nutrinveste e da Norfin. É também acionista fundador e Presidente da Assembleia Geral do Observador. É atualmente membro do Conselho Estratégico da Business School e do Conselho Estratégico do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. Foi acionista fundador da Interfinança, adquirida pelo BCP, da Fonsecas & Burnay SGP adquirida pelo BPI, da E-Deal adquirida pela Sonae e da Norfin adquirida pela Arrow. É Presidente desde 2013 do Conselho Fiscal da Comunidade Vida e Paz. Membro desde 2013 do Conselho de Curadores do Museu Nacional de Arte Antiga. Foi Presidente da Associação dos Antigos Alunos da Universidade Católica em 1990 e 1991. Em 1998 e 1999 foi membro da Comissão Politica Nacional do PSD sendo Presidente o Professor Marcelo Rebelo de Souza. Em 2000 foi Diretor da campanha à Presidência da Republica do Professor Aníbal Cavaco Silva. Foi um dos promotores do Compromisso Portugal em 2004. Foi Presidente do Instituto Francisco Sá Carneiro de 2008 a 2010
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Gonçalo Gil Mata colabora quer com pessoas quer com organizações para aumentar o desempenho dos indivíduos e dos grupos. Isto leva-o a explorar várias frentes, desde a produtividade, à motivação, passando por liderança e a comunicação entre pessoas nas organizações. Foi convidado do episódio #75 sobre gestão de tempo produtividade.
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Vivemos actualmente um período de enorme incerteza em relação ao futuro, o que inevitavelmente nos afecta tanto na vida pessoal como no trabalho. Para além disso, muitos de nós estão há um mês em isolamento social e a trabalhar a partir de casa. Por isso, decidi abrir uma nova excepção ao lema habitual do 45 Graus, de evitar discutir assuntos da actualidade, para um episódio mais curto do que o normal sobre este tema.
Isto porque esta nova situação levanta uma série de desafios quer para a nossa produtividade (no trabalho e na vida pessoal), quer para a gestão das organizações, quer ainda (não menos importante) para o nosso bem-estar emocional, que é inevitavelmente afectado pela incerteza em relação ao futuro, pelo isolamento social e ainda, em muitos casos, pela presença de filhos durante o dia em casa.
Achei, portanto, que era uma óptima oportunidade para trazer de novo o Gonçalo ao podcast, para uma conversa focada não só em compreender estes desafios mas sobretudo em perceber que soluções práticas podem adoptar as pessoas e as organizações para gerir estes tempos.
Índice da conversa:
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Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego
Bio: Licenciado em Engenharia, com experiência em gestão de projetos a nível internacional, especializou-se em Performance Organizacional, Produtividade Pessoal e Interpessoal, Comunicação, Liderança e Psicologia Motivacional. Executive Coach certificado pela European Coaching Association, acumula certificações avançadas em Business, Life e Team Coaching, tendo treinado pessoalmente com nomes de relevo mundial como Robert Dilts, David Allen, Joseph O’Connor e Michael Neill, entre outros. Colabora com várias escolas de negócios, sendo nomeadamente responsável pelo módulo de Personal Productivity do The Lisbon MBA Executive, na Universidade Católica Portuguesa. Autor dos livros “Buena York”, 2007 e de “Ainda Não Tive Tempo”, 2015. Escreve regularmente no blog Whats The Trick e publica artigos sobre Produtividade e Performance na sua página de autor do Linkedin.
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Pedro Teixeira é professor de Nutrição, Exercício e Saúde na Faculdade de Motricidade Humana (FMH) da Universidade de Lisboa.
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De há uns anos para cá, o interesse do convidado por formas de melhorar a nossa saúde -- mental e física -- juntou-se às experiências transformadoras que ele próprio teve com substâncias psicadélicas, o que o levou a envolver-se em várias iniciativas na área, incluindo a escrita de artigos e a participação em iniciativas de divulgação científica para o público em geral do potencial destas substâncias psicadélicos; um potencial ainda pouco divulgado e, sobretudo, que ainda está em grande parte por compreender.
De facto, foi nos últimos dez, vinte anos que ressurgiu o interesse científico pelo potencial dos psicadélicos em vários campos da ciência. Mas, neste curto espaço de tempo (em termos científicos), a investigação tem vindo a revelar um enorme potencial destas substâncias não só para ajudar a compreender o funcionamento da mente humana (como o eterno mistério da consciência), mas também em aplicações com um impacto mais directo, como por exemplo no tratamento de uma série de doenças psiquiátricas, desde a adição à depressão e à ansiedade.
A par deste interesse crescente de neurocientistas e psicólogos -- que é ainda localizado mas está em franco crescimento --, vive-se hoje um entusiasmo cada vez maior também por parte de um público mais vasto, que é cativado pelo potencial de auto-descoberta destas substâncias. O ponto de viragem neste processo foi o livro “How To Change Your Mind”, que o jornalista e professor universitário Michael Pollan lançou em 2018, e que conta a História do uso e da investigação destas substâncias e da sua redescoberta pela investigação científica.
A História dos psicadélicos é, aliás, fascinante em si mesma: Como falamos no início da conversa com o Pedro, já no passado a investigação nesta área tinha revelado sinais muito promissores, ao ponto de ter chegado a haver quem afirmasse que a descoberta do potencial dos psicadélicos para compreender a mente humana era comparável à revolução que significou, para a Biologia, a invenção do microscópio ou, para a Astronomia, a invenção do telescópio.
No entanto, o uso indiscriminado dos psicadélicos durante a contracultura dos anos 1960s e, sobretudo, uma campanha deliberada movida pelo Governo americano da época, conduziram à ilegalização destas substâncias em muitos países e, por conseguinte, à interrupção da investigação científica, que só no início dos anos 2000s foi retomada.
Na verdade, hoje sabe-se que os psicadélicos são, em geral, seguros do ponto de vista farmacológico, embora existam riscos psicológicos, quando o contexto de utilização não é adequado. Por exemplo, uma ‘trip’ mal enquadrada pode prejudicar a saúde mental da pessoa e há ainda casos, embora sejam extremamente raros, de pessoas que, num ‘estado alterado de consciência’ sem ninguém por perto tiveram acidentes.
Durante a nossa conversa, falámos sobre tudo isto e muito mais: explorámos, por exemplo, em mais detalhe o modo como os psicadélicos actuam na fisiologia e funcionamento do nosso cérebro, falámos de como é a experiência pessoal de tomar psicadélicos (foi muito interessante ouvir o convidado relatar as suas próprias experiências de viva voz). Falámos, também, de um aspecto particularmente curioso, que é o facto de muitas pessoas terem experiências ‘transcendentes’ com estas substâncias (e sobre o que isso pode (ou não) significar). Finalmente, abordámos a comparação deste com outros métodos que permitem ‘formas alteradas de consciência’, tais como a meditação, e falámos ainda do potencial da chamada ‘micro-dosagem’.
Índice da conversa:
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Este é o segundo de dois episódios especiais sobre o novo Coronavirus (nome técnico SARSCov2). Nestes episódios procurei duas perspectivas complementares em relação à pandemia que vivemos, uma da virologia e outra da epidemiologia e saúde pública. A ideia foi aproveitar este período de quarentena para ajudar a divulgar mais informação sobre o vírus, usando este espaço para complementar a informação dos media generalistas uma vez que aqui podemos ter uma conversa com menos constrangimentos de tempo e com maior profundidade.
Ricardo Mexia é médico de Saúde Pública do Departamento de Epidemiologia (DEP) do Instituto Ricardo Jorge e Presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP).
E alguém que tem tido uma agenda muito intensa por estes dias. Agradeço-lhe, por isso, a gentileza de ter participado no podcast.
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A conversa foi gravada domingo 15 de março e discutimos sobretudo as características desta pandemia e as medidas possíveis de resposta ao problema. Nesta quase 1 hora, cobrimos uma série de aspectos, desde o grau de contágio e letalidade do vírus, à importância de pôr em prática uma política de testes abrangente, às estratégias de resposta à pandemia que os diferentes países estão a seguir e ao que a História nos diz sobre a eficácia relativa dessas medidas e, finalmente, olhando para o futuro, o que será preciso para gerir da melhor forma uma futura pandemia.
Infelizmente, não deu para cobrir tudo o que queria ter discutido. Teria sido interessante, por exemplo, abordar em mais detalhe a gestão operacional da resposta do sistema de saúde, desde a organização dos hospitais à gestão das linhas de atendimento. Já do ponto de vista da epidemiologia, outra questão importante sugerida por um ouvinte seria perceber se o contágio pode abrandar quando o tempo aquecer e, inversamente, se não existe o risco de um regresso em força se o inverno seguinte for particularmente frio.
Finalmente, um aspecto não menos importante da gestão desta crise é conseguir persuadir a população da dimensão real do problema, isto numa altura de descrença em instituições como a Ciência e tendo em conta que estamos a lidar com uma epidemia cujos efeitos maiores só se fariam sentir (se nada fosse feito) daqui a semanas ou meses. É preciso dizer, aliás, que o papel da comunicação social tem sido muito útil para reequilibrar este terreno de jogo inclinado, apelando habilmente (e, por uma vez, com efeitos positivos) a vários dos nossos vieses cognitivos: seja inundando-nos com uma torrente tal de informação que este passa a ser quase o único problema, seja provocando-nos medo com imagens da situação na China e na Itália seja, ainda, dando-nos acesso directo às pessoas por trás dos números, a quem dirigimos a nossa empatia.
Índice da conversa:
Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego
Obrigado aos mecenas do podcast:
Agradecimento especial: Ana Maranha, André Peralta Santos
Bio: Ricardo Mexia é médico de Saúde Pública do Departamento de Epidemiologia (DEP) do Instituto Ricardo Jorge e Presidente da ANMSP - Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública desde Janeiro 2016. Assistente Convidado de Medicina Preventiva e Saúde Pública na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, desde 2014. Assistente convidado de Epidemiologia do Departamento de Ciências Biomédicas e Medicina da Universidade do Algarve, desde 2015. Assistente de Epidemiologia na Cooperativa de Ensino Superior Egas Moniz, desde 2015. Coordenador de Saúde e Apoio Médico do Festival Rock in Rio Lisboa, desde 2008 Presidente da Mesa da Assembleia Geral da ALIMENTA - Associação Portuguesa de Alergias e Intolerâncias Alimentares.
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Maria João Amorim é doutorada em Virologia na Universidade de Cambridge e líder do grupo de investigação em Biologia Celular da Infecção Viral no Instituto Gulbenkian de Ciência
Este é o primeiro de dois episódios especiais sobre o novo Coronavirus (nome técnico SARSCov2). Nestes episódios procurei duas perspectivas complementares em relação à pandemia que vivemos, uma da virologia e outra da epidemiologia e saúde pública. A ideia foi aproveitar este período de quarentena para ajudar a divulgar mais informação sobre o vírus, usando este espaço para complementar a informação dos media generalistas uma vez que aqui podemos ter uma conversa com menos constrangimentos de tempo e com maior profundidade.
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A convidada é, por isso, a pessoa ideal para compreender melhor este vírus, e fizémos uma viagem longa pelo mundo dos vírus e deste novo Coronavirus em particular. Falámos dos vírus em geral e de vários aspectos importantes do novo Coronavirus, como o surgimento do vírus, a letalidade e o grau de contágio do vírus, comparações com outros vírus, como o SARS1 e mesmo o da Gripe Espanhola de 1918, o que explica o maior grau de incidência em idosos e pessoas prévios de saúde, as expectativas que podemos ter em relação a tratamentos e ao desenvolvimento de uma vacina, e o futuro, o vírus tornar-se-á endémico ou à população vai tornar-se toda imune.
Espero que gostem e que seja útil.
Índice da conversa:
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Agradecimento especial: Ana Maranha, André Peralta Santos
Bio: Durante e imediatamente após a licenciatura em Bioquímica pela Universidade do Porto, Maria João Amorim participou em 3 projetos em áreas diversas de Biologia e Biotecnologia: na Universidade de Wageningen na Holanda, em1998; na Escola Superior de Biotecnologia (1998-2000) e na Universidade Nova de Lisboa (2000-2001). O seu grande interesse em vírus, levou-a a desenvolver o seu doutoramento em Virologia na Universidade de Cambridge no Reino Unido entre 2002 e 2006, de onde se graduou em 2007. Seguiram-se três pós-doutoramentos em virologia e na estabilidade de RNA em levedura, todos no Reino Unido, até que em 2012 Maria João Amorim voltou para Portugal para liderar o grupo de Biologia Celular da Infeção Viral no Instituo Gulbenkian de Ciência. O seu grupo dedica-se à investigação fundamental e tenta compreender como é que o vírus da gripe interage com os vários hospedeiros que infeta, trabalho que resultou, no total, na autoria de 24 artigos científicos. Maria João Amorim, supervisiona(ou) 3 investigadores doutorados, 7 estudantes de doutoramento e vários estagiários e é frequentemente convidada para lecionar em Portugal e no Estrangeiro, bem como pra participar em conferências da especialidade e seminários. É também convidada para comissões ciêntíficas de avaliação de: projetos de financiamento ciêntífico (ERC, ANR, MRC, HFSP, Wellcome Trust) manuscritos para publicação em diversos jornais internacionais (e.g. J. Virology, PLoS Pathogens, Nature, Nature Communications, J. Cell Science, Philosophical transactions B) e avaliações de teses de mestrado e doutoramento. Finalmente, também gosta de se envolver em acções de divulgação de ciência para explicar ao público os progressos ciêntíficos que se vão fazendo em várias áreas, preferencialmente em Virologia.
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Mónica Bettencourt-Dias é uma premiada investigadora em Bioquímica e Biólogia Celular. É atualmente diretora do Instituto Gulbenkian de Ciência, onde também coordena um grupo de investigação.
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Nesta conversa tentei explorar as várias peles da convidada: a de investigadora, claro, mas também a de comunicadora de ciência (também tem um diploma em comunicação de ciência) e a mais recente, enquanto diretora do IGC, um trabalho que implica a gestão de toda a investigação num centro de investigação de relevância global.
Começámos por falar da importância da investigação de base, ou fundamental, que é aquela a que o IGC se dedica; ou seja, investigação que não tem por objectivo gerar descobertas com aplicações práticas directas mas que é movida apenas pela curiosidade do investigador em torno de questões que possam trazer à tona princípios novos da Ciência.
Para terem uma ideia do que isso significa, no IGC, a convidada coordena o grupo que se dedica a investigar a “Regulação do Ciclo Celular”, um processo aparentemente básico, mas que é fundamental que corra bem, porque não só é o que permite ao nosso corpo crescer, e formar e fazer funcionar os nossos órgãos, como é precisamente aquilo que entra em descontrolo em muitas doenças.
E o que é o Ciclo Celular? É o conjunto de fases por que uma célula passa durante o processo em que uma célula se duplica para dar origem a duas células novas. Este ciclo é regulado na célula por vários agentes -- sobretudo proteínas -- que controlam o timing das várias fases e asseguram que não há erros e perdas de informação nesse processo de copiar uma célula para formar duas novas. Esses mecanismos são muito importantes, pois a divisão descontrolada das células pode, por exemplo, gerar células cancerosas. (Aliás, se ouviram a conversa com o Miguel Coelho, no episódio #76, falámos precisamente de um conjunto de genes que codificam algumas das principais proteínas envolvidas na regulação do ciclo celular.)
Para além deste tema, da importância da investigação fundamental -- e também da investigação interdisciplinar --, falámos dos desafios para um cientista em fazer divulgação de ciência de um modo que seja simples mas não simplista. E falámos também do papel que devem ter os cientistas na sociedade.
Finalmente, como não poderia deixar de ser, tentei perceber um pouco melhor a investigação da convidada, que se debruça sobre alguns organelos de nome esquisito (organelos são estruturas da célula e que que estão para esta mais ou menos como os órgãos estão para o nosso corpo).
Uns dos que a convidada mais tem investigado são os centríolos, que, por sua vez, podem formar, dependendo da fase e do tipo de célula, outros dois organelos: os cílios, que funcionam como antenas em vários tipos de células, e os centrossomas, que têm um papel crucial no dito processo de divisão e duplicação das células.
É por isso que os centrossomas são suspeitos de estarem associados a algumas doenças complexas como o cancro. Isto porque normalmente existem dois centrossomas em cada célula, mas células cancerosas têm muitas vezes mais (por vezes, muitos mais). Uma das frentes de investigação da convidada tenta precisamente perceber porque é que isso acontece: será que foi esse aumento do número de centrossomas que causou o cancro; ou, pelo contrário, é o cancro que desregula a célula e leva à produção de centrossomas em excesso? E que novos tratamentos podem surgir destas conclusões?
Ouçam o episódio para ouvir a resposta!
Índice da conversa:
Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego
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Bio: Mónica Bettencourt-Dias é bioquímica e bióloga celular, líder do grupo de investigação de Regulação do Ciclo Celular no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC). Desde fevereiro de 2018 é também Diretora Científica do IGC. A sua investigação envolve a regulação do ciclo celular, pela qual foi reconhecida com o Prémio Pfizer, o Prémio Keith Porter da Sociedade Americana de Biologia Celular e o Prémio Eppendorf Young European Investigator. Foi também selecionada como Jovem Investigadora em 2009 pela European Molecular Biology Organization (EMBO) e eleita membro da EMBO em 2015. Tem também um diploma em comunicação de ciência do Birkbeck College de Londres.
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Joel Pinheiro da Fonseca é um economista e filósofo brasileiro, e uma presença frequente nos media do Brasil, com colunas de opinião no jornal Folha de S.Paulo e na revista Exame. Para além disso, tem um canal de Youtube onde se notabilizou pela análise regular à política brasileira.
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Depois de acompanhar as opiniões do Joel durante algum tempo, fui-me apercebendo de que pensamos de forma muito similar, e por isso decidi convidá-lo para o podcast, para tentar compreender melhor o Brasil dos últimos anos. Se bem se lembram, conversei também sobre este tema aqui há uns meses, no episódio #70, com Cláudio Couto, cientista político, mas o tema ficou, obviamente, muito longe de ser esgotado.
No actual ambiente polarizado que se vive no Brasil, o Joel distingue-se desde logo por se afirmar como liberal, o que significa que não é próximo nem dos governos do PT nem, muito menos, do actual Governo Bolsonaro. E, na minha opinião, distingue-se também por problematizar a política brasileira de uma forma que é simultaneamente rigorosa e muito original (dois atributos que, como sabe qualquer pessoa que lê colunas de opinião, parecem muitas vezes ser mutuamente exclusivos).
Durante a nossa conversa, percorremos uma série de aspectos que explicam as mudanças recentes na política brasileira.
No episódio que gravei com o Cláudio Couto, comecei por lhe perguntar como chegámos aqui, isto é, o que correu mal para que alguém como Bolsonaro tenha sido eleito? E foi essa mesma pergunta que comecei por fazer também ao Joel; o que nos levou a discutir os erros dos governos do PT em relação à economia, desde a abertura aos mercados internacionais às políticas de educação. Olhando para o futuro, falámos sobre o governo Bolsonaro e o que se pode esperar, em particular, em termos de políticas económicas (visto que as políticas sociais são já hoje muito claras) (A propósito, queria corrigir um lapso: a capa da revista The Economist de que falamos a certo ponto não é de 2013 mas sim de 2009).
De seguida, falámos de mudanças mais profundas, como a reacção conservadora que se vive no Brasil e perda de confiança dos cidadãos nas instituições e na Democracia. Estes são aspectos com um impacto bem mais profundo do que as flutuações da economia na opinião dos eleitores, até porque tocam em algo muito mais fundamental: a identidade. O impacto destes factores na mudança política que levou Bolsonaro ao poder tem aspectos que são particulares ao Brasil mas insere-se numa tendência transversal à ascensão de movimentos populistas, sobretudo de extrema-direita, nas democracias ocidentais.
Um aspecto com um impacto inegável na perda de confiança dos cidadãos nas instituições é a ‘desintermediação’ provocada pelo surgimento das redes sociais. No Brasil, destaca-se em particular o papel do Whatsapp, que passou, para muitas pessoas, a ser o único meio de obtenção de ‘informação’, transmitida por amigos e conhecidos; informação não-filtrada, claro, e que fechou as vias de informação tradicionais dos jornais e mesmo da televisão. Isto explica -- ou ajuda a explicar -- porque é que há hoje no Brasil (como nos EUA ) um movimento (com peso suficiente para dar que falar) de pessoas que afirmam acreditar que a Terra é plana...
Discutimos, em particular, da ascensão dos movimentos populistas de direita. Aliás, falámos também do caso português (onde já temos um partido do género no Parlamento, que eu, quando gravámos, hesitei em qualificar como de ‘extrema’-direita -- mas isto, note-se, foi antes daquele comentário racista de há umas semanas...).
Mesmo sobre o final do episódio, tivemos tempo ainda para falar um pouco sobre os desafios do liberalismo quer no Brasil quer em Portugal.
Ligações do convidado
Índice da conversa:
Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego
Obrigado aos mecenas do podcast:
Bio: Joel Pinheiro da Fonseca é formado em Economia (Insper) e em Filosofia (USP), e mestre em Filosofia também pela USP. Trabalha como escritor, palestrante, editor de uma publicação semestral de filosofia e arte e integrou o elenco do programa de rádio Jovem Pan 3 em 1. É colunista do jornal Folha de S.Paulo e da revista Exame.
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O 45 Graus é um podcast para saber mais e pensar criticamente. José Maria Pimentel, economista, professor universitário e curioso por natureza, conversa sobre os grandes temas (e não só) com especialistas e pessoas cujas ideias vale a pena ouvir.
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