Desde a redemocratização do Brasil, nunca foi tão grande a presença de representantes das Forças Armadas no Poder Executivo. De acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), a quantidade de membros das Forças Armadas em cargos comissionados na administração passou de 1.934, em 2018, para 2.643, em 2020. O Ministério da Defesa registra atualmente 3.314 militares despachando no Executivo.
Dos 23 ministros de Estado, nove têm formação militar e ocupam pastas estratégicas como a Casa Civil (general Braga Netto), Minas e Energia (almirante Bento Albuquerque) e Saúde (general Eduardo Pazuello).
Para falar sobre a militarização do governo Bolsonaro, o "Oito em Ponto" entrevistou o cientista político José Álvaro Moisés, escritor e professor de Ciência Política na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
"Não é comum, principalmente nas democracias consolidadas, você ter militares no comando. Isso não faz nenhum sentido do ponto de vista democrático", afirmou o cientista político.
Para Álvaro Moisés, os militares têm grande influência na política brasileira desde a Proclamação da República. "Marechal Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto eram militares. Você encontra essa imensa influência militar em todo o processo político brasileiro".
José Álvaro Moisés acredita que a qualidade do trabalho dos militares no governo pode afetar a reputação da classe. "Esse mal desempenho do general Pazuello na Saúde acaba afetando a imagem das Forças Armadas". Confira a entrevista completa.
O programa "Oito em Ponto", com apresentação de Sergei Cobra, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 FM, de segunda à sexta-feira, às 8h da manhã, na Cultura FM, Cultura Brasil e no aplicativo Cultura Digital.