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Projeto analisa dados de pesquisa no Google e de chamadas para a linha Saúde 24, com o objetivo de prever surtos de gripe. Os hábitos de pesquisa dos utilizadores do popular motor de busca podem ajudar as autoridades a identificar a iminência de um surto de gripe.
Joana Sá, investigadora no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) e professora no Instituto Superior Técnico (IST) da Universidade de Lisboa, desenvolve algoritmos capazes de analisar os dados de pesquisa em motores de busca online, e assim correlacioná-los com surtos de doenças sazonais como a gripe.
Uma maior incidência de pesquisa por termos como gripe ou constipação, e de sintomas como tosse e febre, permitem identificar o início de um surto. “As pessoas vivem uma grande parte da sua vida online e se nós conseguirmos perceber as dinâmicas online, conseguimos obter informação útil para tomar decisões. Quando tenho sintomas de gripe ainda antes de ir ao médico, ou de ir a um centro de saúde, a primeira coisa que faço é ir ao Google e fazer uma pesquisa por gripe, febre, tosse, ou alguns dos sintomas. Se conseguir ver como é que as pesquisas destes sintomas variam na internet, eu consigo ter uma estimativa de quantas pessoas é que estão a ter gripe por semana”, explica.
Partindo deste princípio Joana Sá participou num projeto que através das chamadas para a linha telefónica Saúde 24 e através de pesquisas no Google, conseguiu antecipar a identificação dos surtos de gripe em cerca de quatro semanas.
“Sabemos que todos os anos os hospitais ficam cheios de pessoas quando chega o pico da gripe, mas o que acontece muitas vezes é que o surto de gripe é anunciado quando já o pico passou. O que conseguimos fazer com este projeto, antecipando muito, é que os hospitais se preparem o melhor possível”, acrescenta.
Segundo a investigador, se for possível identificar o momento em que um surto de gripe teve início, é então possível prever que dentro de quatro a seis semanas o pico desse surto será atingido. “Se conseguirmos dizer que começou agora o surto de gripe nós sabemos que faltam quatro ou seis semanas talvez até ao pico surgir, até as pessoas começarem a aparecer nos hospitais. Com isso a Direção Geral de Saúde (DGS), e os próprios centros de saúde podem começar a preparar-se para o que aí vem, reforçando o pessoal, tendo mais camas, abrindo espaços, eventualmente até encomendando mais medicação como antivirais”, explica.
“Quanto mais cedo souberem que o pico da gripe vem aí mais tempo de preparação têm para oferecer um melhor serviço às populações”, conclui.
Saiba mais sobre a investigadora em: LinkedIn | ResearchGate | IGC
Créditos Foto Joana Sá: Billy Pitta-Groz
Sais orgânicos em tudo semelhantes ao comum sal de cozinha, os líquidos iónicos apresentam-se como uma possível solução para a captura de dióxido de carbono em centrais termoelétricas.
Isabel Marrucho, investigadora no Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier (ITQB NOVA) e professora no Instituto Superior Técnico (IST) da Universidade de Lisboa, está a estudar possíveis aplicações de líquidos iónicos, com foco no desenvolvimento de filtros capazes de prevenir a libertação de dióxido de carbono para a atmosfera.
“Nos últimos anos a minha investigação tem-se centrado na utilização daquilo que eu chamo de materiais baseados em líquidos iónicos. Temos-nos dedicado essencialmente à separação de gases mas também temos feito algum trabalho em extração de compostos de valor acrescentado de ambientes aquosos, e em descontaminação de águas residuais”, conta.
Segundo a investigadora, os líquidos iónicos são definidos como sendo sais orgânicos que têm um ponto de fusão baixo. “São sais, primos do cloreto de sódio, o nosso sal da cozinha, só que em vez de se apresentarem no estado sólido, apresentam-se no estado líquido o que nos permite utilizá-los, por exemplo, como solventes”, explica.
O grupo de investigação de Isabel Marrucho encontra-se atualmente focado no estudo da separação do dióxido de carbono. “Não capturamos o dióxido de carbono diretamente da atmosfera. O nosso estudo de dióxido de carbono é para a separação, por exemplo de gases de exaustão, e temos utilizado os líquidos iónicos sob a forma de membranas.”
“As membranas que temos vindo a desenvolver para separação do dióxido de carbono funcionam como filtros que podem ser aplicados na chaminé de uma central termoeléctrica onde pretendemos separar o dióxido de carbono do azoto”, acrescenta.
Isabel Marrucho afirma que esta é a aplicação em que os líquidos iónicos têm tido maior sucesso. “Os líquidos iónicos revelaram serem bastante superiores aos materiais que são comercializados hoje em dia”, conclui.
Saiba mais sobre a investigadora em: Researchgate | ITQB | IST
Projeto de assistência a idosos desenvolveu um robot capaz de interagir com pessoas e de as orientar durante programas de exercício desenvolvidos para promover a saúde e o envelhecimento ativo.
(30 de Março de 2017)
Alexandre Bernardino, professor do Instituto Superior Técnico (IST) e investigador no Instituto de Sistemas e Robótica (ISR), esteve envolvido no projeto AHA (Augmented Human Assistance) promovido pelo programa CMU Portugal, com o objetivo de desenvolver um robot capaz de ajudar as pessoas a fazer programas de exercício.
“Imaginemos que se está num lar de idosos. Se o robot tem na agenda a marcação do exercício da D. Maria para as 14h, ele irá ter com ela, diz-lhe ‘boa tarde D. Maria está na hora do seu exercício, vamos fazer o seu exercício se faz favor, siga-me’. Ao mesmo tempo, o robot projeta no chão algumas indicações, como por exemplo umas setas para indicar onde a D. Maria tem que se deslocar e, quando estão num sítio adequado para fazer o exercício, ele então projeta o exercício no chão ou na parede e controla os movimentos da D. Maria para se certificar que ela cumpre o exercício da melhor forma possível”, conta.
O grupo de Alexandre Bernardino está a pensar usar sistemas robóticos com mobilidade que permitam pôr as pessoas mais envolvidas no exercício, em particular grupos que têm necessidades especiais, como pessoas mais idosas, ou pessoas que tenham algumas deficiências motoras.
“O robot pode ir atrás das pessoas, reconhecê-las, entrar em contacto com elas para promover o exercício, ou propor um exercício para ser feito na altura. Outra componente é a monitorização do exercício. O robot tem sensores que permitem verificar se o exercício está a ser bem feito, e sugerir algumas correções”, afirma.
Além da possibilidade de dar feedback diretamente à pessoa, este robot com aspeto humanoide fornece às pessoas uma presença física, e uma interação emocional importante para as manter interessadas e motivadas pelo exercício.
Saiba mais sobre o investigador em: LinkedIn | Researchgate | IST | ISR
Encontrar nas estrelas pulsares a física capaz de transformar luz em matéria. Ao condensar a luz em um ponto, seria possível produzir energia suficiente para fazer ferver o vácuo e transformar partículas de luz (fotões) em matéria (eletrões ou positrões).
Luís Oliveira e Silva, investigador no Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear (IPFN) do Departamento de Física do Instituto Superior Técnico (IST), está a estudar a física por trás das estrelas de neutrões e pulsares, e o que permite que estas emitam luz.
“Utilizando alguns dos maiores supercomputadores do mundo estudo a forma como a luz interage com a matéria. Estamos interessados em particular em perceber como é que podemos ferver o vácuo. Como é que podemos focar a luz, utilizando o equivalente a uma lente, como fazemos com a luz do sol, e focando a densidades de energia tão elevadas que conseguimos transformar luz em matéria, transformar fotões em eletrões e positrões”, descreve.
Com isto, o investigador pretende não só perceber alguns dos processos da física fundamental associados a isto, mas também produzir na Terra, em laboratório, algumas das condições que encontramos em alguns dos objectos mais extremos que existem no universo, como os buracos negros, os pulsares e as estrelas de neutrões.
“Estamos essencialmente focados naquilo que acontece em pulsares, são objectos que rodam com uma frequência muito bem definida e cujas propriedades da radiação, ou seja a luz que emitem e que medimos na Terra, ainda estão por explorar”, explica.
Através de modelos computacionais, Luís Oliveira e Silva está a estudar os processos através dos quais a luz se converte em eletrões e positrões de forma a compreender como é que estas estrelas de neutrões e os pulsares emitem luz.
Saiba mais sobre o investigador em: Google Scholar | IST | Twitter
A pediatria do Instituto Português de Oncologia de Lisboa acolhe, desde 2014, um pequeno robô social desenvolvido para interagir com crianças. Criado por uma equipa do Instituto Superior Técnico, chama-se Gasparzinho e é já visto como um membro da equipa de pediatria do IPO.
João Sequeira, investigador do ISR Lisboa – Instituto de Sistemas e Robótica do Instituto Superior Técnico, é o responsável pelo projecto MOnarCH (Multi-Robot Cognitive Systems Operating in Hospitals), um projecto cujo objectivo é desenvolver novos paradigmas para a interacção entre robôs e humanos em ambiente hospitalar.
Segundo o investigador, o Gasparzinho capta de imediato a atenção das crianças. “Temos reações de crianças que param e ficam a olhar, crianças que vão atrás do robô, crianças que pedem aos pais para ir ter com o robô. Elas vão tocar, falar com ele, mexer. Vão ver como ele se movimenta.”
O Gasparzinho é um robô completamente autónomo, com sensores que lhe permitem evitar obstáculos e, se encontrar pessoas que conhece, interage com elas, através de um “bom dia” seguido pelo nome da pessoa. “O robô tem capacidade para se movimentar socialmente, semelhante a um ser humano normal, reconhece as pessoas que usam uma etiqueta que tem gravada informação, como o nome delas.”
O robô está ativo duas horas por dia, uma hora de manhã e outra à tarde, onde partilha o recreio com as crianças do IPO. “O Gasparzinho consegue jogar o jogo da apanhada no corredor do IPO, vai ter com uma criança e foge até ela o apanhar. Se não quiserem brincar com ele, o robô vai andando por ali durante uma hora e, quando finalmente vai descansar, emite uns sons, como se ressonasse, passando a ideia de que está a dormir.”
“Os benefícios mais interessantes deste robô é tornar as crianças mais activas. O simples facto de fazer as crianças sorrir e brincar é uma coisa fantástica”, refere João Sequeira.
O investigador afirma o desejo de manter o Gasparzinho no IPO de Lisboa durante mais algum tempo. “Ter um robô no IPO tem um conjunto de custos elevado, mas neste momento estamos preocupados em arranjar um suporte para o poder manter durante mais tempo, pois pouco mais de ano e meio ainda é pouco tempo para percebermos o verdadeiro impacto deste robô no bem-estar das crianças do IPO.”
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