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Machado de Assis — A Carolina | A forma aguenta, o eu não | Ep. 12
No episódio 12 de A Menor Distância: Poesia em Português, leio e comento A Carolina, de Machado de Assis — o último poema que escreveu, depois da morte de Carolina, sua mulher por quase trinta e cinco anos.
Duas leituras em voz alta e uma ideia central: Machado escreve um soneto formalmente intacto sobre uma perda que desorganiza quem fala. O metro, a rima e a forma permanecem no lugar. Mas, na última estrofe, a frase começa com eu— e o eu fica pelo caminho.
Neste episódio:
• Aqui venho e virei: presente e futuro no mesmo verso — não apenas uma visita ao túmulo, mas uma promessa de retorno
• Leito derradeiro: a morte dita na linguagem da intimidade doméstica, depois de quase trinta e cinco anos de vida compartilhada
• As flores como restos arrancados da mesma terra que viu os dois passarem juntos — e o modo como mortosaproxima as flores, Carolina e o próprio Machado
• Relíquias de Casa Velha: por que Machado colocou este soneto logo depois da advertência em que explica o que chama de relíquia
• O anacoluto dos últimos versos: Que eu abre a frase, mas a oração principal termina com outro sujeito — pensamentos. A forma aguenta, o eu não.
Depois deste episódio, A Menor Distância entra em um breve hiato antes da próxima sequência de episódios.
O poema
A Carolina
Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descanças dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.
Pulsa-lhe aquelle affecto verdadeiro
Que, a despeito de toda a humana lida,
Fez a nossa existencia appetecida
E n'um recanto poz um mundo inteiro.
Trago-te flores, — restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa e separados.
Que eu, se tenho nos olhos mal feridos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.
— Machado de Assis, Relíquias de Casa Velha (1906)
Texto conforme a primeira edição de 1906. Grafia original mantida. Obra em domínio público.
Alberto Caeiro — O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia | Estar só ao pé dele | Ep. 11
No episódio 11 de A Menor Distância: Poesia em Português, leio e comento o poema XX de O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa, conhecido pela primeira linha: “O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia”.
Duas leituras em voz alta e uma ideia central: o Tejo pode ser maior, mais belo, mais importante — mas isso não decide o valor do rio que conhecemos de perto. E, no último verso, uma única palavra abre o poema em duas direções: estar sóao pé do rio pode significar estar apenas ali. Pode significar também estar sozinho.
Neste episódio:
• A contradição das três primeiras linhas — e como belo deixa de funcionar como uma medida comparável e passa a depender da relação entre uma pessoa e um lugar
• O Tejo carregado de navios, descobertas, América e história, em contraste com um rio que não leva a lugar nenhum e “não faz pensar em nada”
• Barquinhos de papel no Rio Quitandinha, em Petrópolis, e a diferença entre ver um rio e conhecê-lo de perto
• O movimento de “toda a gente” para “poucos”, “ninguém” e finalmente quem está ao pé do rio
• A palavra só como dobradiça do último verso: apenas e sozinho — e a sombra que essa segunda leitura lança sobre a liberdade do rio
O poema
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
— Alberto Caeiro, XX de O Guardador de Rebanhos
Luís Gama — Que Mundo é este? | A frase que parece o exame | Ep. 10
No episódio 10 de A Menor Distância: Poesia em Português, leio e comento “Que Mundo é este?”, de Luís Gama.
Duas leituras em voz alta e uma ideia central: existe uma diferença entre dizer “eu vejo” e dizer “não tem um que se salve”. A primeira frase aponta para casos concretos, exige atenção e pode ser examinada. A segunda parece lucidez, mas nasce imune a qualquer prova — e pode acabar servindo de licença para participar daquilo que denuncia.
Neste episódio:
• A repetição de “vejo” como linguagem de testemunho — e a passagem do panorama geral aos retratos individuais
• As duas únicas palavras em itálico no poema, leis e Barão, lidas como aspas irônicas: nomes de legitimidades que o próprio poema desmente
• Os “fidalgos d’estopa” e o dobrão enxertado no tronco da fidalguia: como o dinheiro fabrica linhagem, saber e autoridade
• A provável continuidade entre “algum sandeu” e “o pateta”: uma carreira construída pelo brilho, pela indignação pública e pela dependência do poder
• A assimetria da última estrofe: insultos para os outros, mas “que ventura!” quando a própria voz imagina entrar no mesmo circuito
• Por que a frase “não tem um que se salve” pode parecer o exame — e substituí-lo
Que Mundo é este?
Que mundo? que mundo é este?
Do fundo seio d'est'alma
Eu vejo... que fria calma
Dos humanos na fereza!
Vejo o livre feito escravo
Pelas leis da prepotencia;
Vejo a riqueza em demencia
Postergando a natureza.
Vejo o vicio enthronisado;
Vejo a virtude cahida,
E de corôas cingida
A estatua fria do mal;
Vejo os traidores em chusma
Vendendo as almas impuras,
Remexendo as sepulturas
Por preço d'aureo metal.
Vejo fidalgos d'estopa,
Ostentando os seus brasoens,
Feio enxerto de dobroens
Nos troncos da fidalguia;
Vejo este mundo ás avessas,
Seguindo fatal derrota,
Em quanto farfante arrota
Podres grandezas de um dia!
Bronzea estatua — o rico surdo
Aos tristes ais da pobreza
Amostra com vil rudeza
Uma burra aferrolhada;
Manequim de estupidez
No orgulho vão da cubiça
Tem por divisa sediça
— Alguns vintens e mais nada.
O poder é só dos Cresos,
A sciencia é de encommenda;
Sem capital e sem renda
Com pouco peso — o que val?
Talentos — palavroens ócos! —
Que nunca deixaram saldo;
Não ha substancia no caldo
Que não tempera o metal!
Sisudez... que feia masc'ra!
Isso é peste, isso é veneno!
Si é pobre, nasceu pequeno,
Quem aspira a posição?!
Não vê que é grande toleima
Querer subir sem moeda,
Pois não escapa da queda
Quem teve um leito no chão!
Que se impertigue enfunado
Algum sandeu que traz marca...
Reparem que a bisca embarca
Que leva á véla o batel!
E o povo que o vê fulgindo
Com lantejoulas brilhantes
Não olha p'ra o que foi dantes,
E nem lhe enxerga o xarel!
E o mais é que zune e grasna
O patéta aparvalhado!
Parece que é deputado
Os Ministros fulminando;
Grita, berra, espenoteia,
Calumnia, faz intriga,
Mas logo falla a barriga,
E vai a têta chupando!
Digam lá o que quizerem,
Falle embora o maldizente;
Eu bem sei que tudo mente,
Sei que o mundo tem razão;
Si eu tivesse na algibeira
Alguns cobres, que ventura! —
Mudava o nome, a figura,
Ficava logo — Barão!
— Luís Gama, Primeiras Trovas Burlescas de Getulino (1859)
Poema em domínio público.
Gomes Leal — O Selvagem | O homem que disse ter trancado tudo | Ep. 9
No episódio 9 de A Menor Distância: Poesia em Português, leio e comento “O Selvagem”, do poeta português Gomes Leal.
Duas leituras em voz alta e uma ideia central: o falante diz ter fechado o passado, rasgado os livros e esmagado as próprias dores. Mas o corpo e o próprio poema o desmentem. O peito ainda é um covil, as dores continuam vivas como serpentes e, no fim, os cães encontram uma voz para o lamento que ele não consegue admitir.
Neste episódio:
• A solidão como escolha: “fechei”, “rasguei”, “calquei” — verbos de alguém que constrói o próprio isolamento
• Os livros rasgados e duas noites opostas: ler para deixar o mundo entrar ou rasgar as páginas para mantê-lo do lado de fora
• O peito como covil: não um túmulo, mas a toca escura de alguma coisa que ainda está viva
• As dores como serpentes: quem não sente nada não precisa continuar a esmagar nada
• O lamento dos cães e o fim em reticências: o homem que disse ter trancado tudo não consegue trancar o próprio poema
Um poema por episódio. Duas leituras. Escuta atenta.
Poema lido no episódio:
“O Selvagem”
Gomes Leal
Eu não amo ninguem. Tambem no mundo
Ninguem por mim o peito bater sente,
Ninguem entende meu sofrer profundo,
E rio quando chora a demais gente.
Vivo alheio de todos e de tudo,
Mais callado que o esquife, a Morte e as lousas,
Selvagem, solitario, inerte e mudo,
— Passividade estupida das Cousas.
Fechei, de ha muito, o livro do Passado
Sinto em mim o despreso do Futuro,
E vivo só commigo, amortalhado
N’um egoismo barbaro e escuro.
Rasguei tudo o que li. Vivo nas duras
Regiões dos crueis indifferentes,
Meu peito é um covil, onde, ás escuras,
Minhas penas calquei, como as serpentes.
E não vejo ninguem. Saio sómente
Depois de pôr-se o sol, deserta a rua,
Quando ninguem me espreita, nem me sente,
E, em lamentos, os cães ladram á lua…
No episódio 8 de A Menor Distância: Poesia em Português, leio e comento “Todas as cartas de amor são”, de Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa.
Duas leituras em voz alta e uma ideia central: talvez as cartas de amor não sejam ridículas apesar de serem verdadeiras — talvez sejam ridículas porque são verdadeiras. O amor, quando tenta escrever, perde a pose. E é exatamente aí que se revela.
Neste episódio:
• O título como frase incompleta: “Todas as cartas de amor são” — e a palavra “ridículas” chegando depois da pausa, com mais peso
• A repetição de “ridículas” como epífora: não um tropeço, mas um tambor que denuncia o que o falante tenta controlar
• O ridículo como condição da carta de amor: sem exposição, sem vergonha, talvez não haja amor real
• O parêntese final e a palavra “esdrúxulas”: entre o termo técnico, o sentido de estranheza e a autoconsciência do poema
• O heterónimo como defesa brilhante: Pessoa inventa outro para não ser apanhado a sentir — e escreve o poema mesmo assim
Um poema por episódio. Duas leituras. Escuta atenta.
Poema lido no episódio:
“Todas as cartas de amor são”
Álvaro de Campos
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
No episódio 7 de A Menor Distância: Poesia em Português, Acácio lê e comenta “Manias”, de Cesário Verde.
Um soneto cruel, satírico e desconfortável: uma mulher respeitável por fora, cruel por dentro; um homem preso à própria devoção; e um narrador que parece enxergar tudo — até percebermos que o olhar dele também tem a sua mania.
Neste episódio:
A hipocrisia da dama que vai à missa enquanto trata o outro com desprezo
A devoção do “bom rapaz” — entre amor, autoengano e sofrimento real
“Tremente” como a palavra que muda o tom do poema
O prazer cruel de reconhecer tipos humanos — e o lugar do leitor dentro desse olhar
Um poema por episódio. Duas leituras. Escuta atenta.
Manias
Cesário Verde
O mundo é velha cena ensanguentada,
Coberta de remendos, picaresca;
A vida é chula farsa assobiada,
Ou selvagem tragédia romanesca.
Eu sei um bom rapaz, — hoje uma ossada —,
Que amava certa dama pedantesca,
Perversíssima, esquálida e chagada,
Mas cheia de jactância, quixotesca.
Aos domingos a déia, já rugosa,
Concedia-lhe o braço, com preguiça,
E o dengue, em atitude receosa,
Na sujeição canina mais submissa,
Levava na tremente mão nervosa,
O livro com que a amante ia ouvir missa!
Termos do poema:
Jactância: ostentação, vaidade exibicionista
Quixotesca: grandiosidade delirante, fora de proporção com a realidade
Dengue: maneirismo afetado, postura delicada e exagerada
Déia: forma coloquial e ligeiramente depreciativa de “senhora”
Tremente: que treme; no episódio, a palavra que muda o tom do retrato
Domínio público: Cesário Verde morreu em 1886; sua obra está em domínio público.
No episódio 6 de A Menor Distância: Poesia em Português, leio e comento “Partindo”, de Eugénio Tavares.
Um navio deixa Cabo Verde. A ilha ainda está visível, mas já começa a desaparecer: primeiro a terra, depois o lar, depois a montanha onde o amor se aninha. O poema acompanha esse afastamento sem transformar a partida em aventura. Aqui, partir é perder o mundo aos poucos.
Mas o que me prende neste poema é a maneira como a amada se alarga. “Ó minha Primavera” não é só uma pessoa. É também a ilha, o clima, a luz, a estação afetiva que não viaja junto. E quando Tavares escreve “sem ti a Luz já não existe”, o verso parece exagero romântico — mas talvez seja a forma mais precisa de dizer o exílio.
Neste episódio:
– A partida como desaparecimento: a ilha, o lar e a montanha ficando para trás
– A andorinha num ar de chuva: migração, fragilidade e retorno incerto
– “Ventura ou lágrimas”: partir sem resposta para as perguntas que importam
– “Ó minha Primavera”: quando a amada, a terra e a luz passam a ocupar o mesmo lugar
Leitura integral do poema (2x) + análise em três lentes.
Poema em domínio público.
Um poema por episódio. Duas leituras. Escuta atenta.
Partindo
Triste, por te deixar, de manhãzinha
Desci ao porto. E logo, asas ao vento,
Fomos singrando, sob um céu cinzento,
Como, num ar de chuva, uma andorinha.
Olhos na Ilha eu vi, amiga minha,
A pouco e pouco, num decrescimento,
Fugir o Lar, perder-se num momento
A montanha em que o nosso amor se aninha.
Nada pergunto; nem quero saber
Aonde vou: se voltarei sequer;
Quanto, em ventura ou lágrimas, me espera
Apenas sei, ó minha Primavera,
Que tu me ficas lagrimosa e triste.
E que sem ti a Luz já não existe.
No episódio 5 de A Menor Distância: Poesia em Português, leio e comento “O Morcego”, de Augusto dos Anjos.
Um morcego entra no quarto à noite. O poeta se assusta, tenta expulsá-lo, toca-o com um pau — mas o animal não desaparece. No fim, o poema revela o que já estava rondando desde o início: a consciência humana, aquilo que entra sem pedir licença e que não conseguimos manter fora.
Mas o que me prende neste poema não é só a metáfora. É a ambiguidade. O morcego incomoda, invade, perturba. Mas isso não significa que seja monstruoso. Há coisas que queremos expulsar sem destruir — porque, no fundo, sabemos que nos pertencem.
Neste episódio:
Leitura integral do poema (2x) + análise em três lentes.
Poema em domínio público.
Um poema por episódio. Duas leituras. Escuta atenta.
O Morcego
Meia noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.
"Vou mandar levantar outra parede..."
— Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!
Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh'alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!
A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!
No episódio 4 de A Menor Distância: Poesia em Português, leio e exploro o soneto “Amar!”, de Florbela Espanca — um poema que não tenta salvar o amor com promessas de eternidade.
O soneto avança por contradições, mas não como jogo intelectual: aqui, a contradição é vivida. E, com Camões ao fundo, a pergunta muda de lugar: não “o que é o amor?”, mas como se vive quando ele arde e passa.
Há uma estrofe que desacelera tudo. A “primavera” entra não como enfeite, mas como argumento: se passa, é por isso mesmo que precisa ser cantada.
Neste episódio:
– Camões por dentro: contradição como urgência, não conceito
– A última estrofe e a “primavera” como argumento
– O último verso: perder-se para se encontrar (com menção a Vinicius, sem citação)
Leitura integral do poema (2x) + análise em três lentes.
Poema em domínio público.
No episódio 3 de A Menor Distância: Poesia em Português, leio e exploro o soneto “Autorretrato”, de Bocage — numa versão diferente da que circulou durante muito tempo.
O poema começa como um inventário: corpo, temperamento, vícios, excessos. Sem idealização. Sem pose. Um retrato quase clínico — e já por isso transgressor.
Mas há um ponto de viragem. Um verso que foi alterado na versão publicada, não para suavizar, mas para inverter o que o poema dizia. E um final que localiza a verdade não no sublime, mas num momento em que toda a performance desaparece.
Neste episódio:
– O autorretrato como inventário sem idealização
– O verso censurado que foi invertido
– O corpo como lugar onde a verdade aparece
Leitura integral do poema (2x) + análise em três lentes.
Poema em domínio público.
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