Se não bastasse carregarmos em nossos corpos as marcas coloniais dentro e fora da cena, na vida e na arte... Ainda tivemos uma profunda repressão do nosso olhar sobre a vida nos tempos de chumbo. As nossas vivências latinas são encharcadas de donos e sangue. Mas ainda estamos aqui. Sentimos raiva por que a raiva é a energia para a ação daquilo que não pode ficar para amanhã. Foi também a raiva que nos manteve em pé, em luta e em cena. De um lado vivenciamos as comemorações ao golpe de 64, do outro temos medo de estarmos vivenciando períodos tão doloridos como aqueles, temos o exílio e o silêncio. O sufocamento da cultura, a extinção do MINC, Zé Celso, AI-5, espião no elenco, jeitinhos de burlar a censura... Em algum momento já não sabemos se falamos de 1964 ou 2021.