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O último episódio do ano é sobre um filme de 1967, de um cineasta que soube melhor do que ninguém traduzir o que a vanguarda da arquitetura e da cidade da sua época tinha de melhor e pior. Para arquitetos e urbanistas, o filme funciona como um ensaio visual profundo sobre as promessas e as falhas do modernismo tardio, onde o aço, o vidro e o concreto moldam uma coreografia de alienação, mas também de uma comédia sutil e puramente espacial. O diretor Jacques Tati nos convida a observar como a arquitetura do Estilo Internacional dita o comportamento humano, transformando a metrópole em uma grade rígida que, ironicamente, é constantemente subvertida pelo erro e pelo acaso. “Playtime”, de Jacques Tati.
Participam:
Janaína Pereira é Jornalista e publicitária. Especializada em cultura – principalmente cinema – e gastronomia. Desde 2009, cobre os principais festivais da sétima arte, como Veneza, Cannes, San Sebastian, Berlim, Rio e a Mostra Internacional de São Paulo.
Gustavo Novaes é arquiteto, urbanista e engenheiro, com 15 anos de experiência na área de arquitetura e engenharia hospitalar, como hospitais, clínicas e centros de diagnóstico.
Este é o Arquicast 246, e o assunto é cinema. O filme conta a história de um arquiteto austro-húngaro que, fugido da guerra, vai para os EUA encontrar uma nova vida. E, por lá, depois de muitas dificuldades, encontra uma oportunidade de fazer um grande projeto, que marcaria sua carreira para sempre, em todos os sentidos. Numa das raras vezes em que um arquiteto é protagonista da trama, o filme retrata várias questões que abrangem a história da arquitetura, misturando fatos a uma obra de ficção. Com mais de 3 horas de duração, o filme foi aclamado em várias premiações, recebendo o Oscar nas categorias de melhor ator e fotografia. Hoje vamos falar de “O Brutalista”, filme do diretor Brady Corbet. Bom cast!
Dicas do episódio:
E hoje vamos de episódio de cinema! Este filme, idealizado há mais de 40 anos pelo seu diretor, mostra uma fábula, de uma cidade em declínio que tenta se reerguer. O filme apresenta várias temáticas: o conflito de poderes, a política, a mídia, utopia, distopia, urbanismo, crítica social foda e até super poderes. No meio disso tudo, um arquiteto é o personagem principal que éter o papel de conduzir o futuro da cidade de forma utópica e esperançosa. Mas até ele tem seus conflitos e o passado conturbado. Hoje, a gente vai falar sobre Megalópoles de Francis Ford Coppola!
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Imagine-se vagando pelas ruas encantadoras de Paris, imerso em uma paleta de cores vibrantes e narrativas poéticas. Este é o universo visualmente deslumbrante de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, um filme que captura não apenas os corações dos cinéfilos, mas também o olhar atento dos apreciadores de arquitetura. No episódio de Arquitetura e Cinema do Arquicast sobre esse clássico contemporâneo, tenta-se desvendar as complexidades arquitetônicas que moldam o cenário onde a história de Amélie se desenrola.
Paris é muito mais do que apenas o cenário onde a história se passa; é um personagem por si só. Das ruas sinuosas de Montmartre às paisagens urbanas de Montparnasse, a habilidade do diretor Jean-Pierre Jeunet em capturar a essência arquitetônica da cidade é notória. A estética peculiar e pitoresca das ruas, com seus cafés charmosos e fachadas coloridas, oferece um pano de fundo perfeito para as aventuras de Amélie. A arquitetura em “Amélie Poulain” é uma ferramenta narrativa, visto que os espaços arquitetônicos refletem os estados de espírito das personagens.
Das escadas estreitas do apartamento de Amélie à atmosfera nostálgica da loja de fotografia de Nino, cada espaço é meticulosamente projetado para contar uma história por si só, criando uma sensação de intimidade e familiaridade para o público. A paleta de cores vibrantes é um dos aspectos mais marcantes do filme, entre o vermelho ardente dos cabelos de Amélie e o verde suave das janelas de Montmartre, cada cor evoca uma emoção distinta e contribui para o visual cativante do filme. Mais do que simplesmente decorativo, o uso das cores desempenha um papel crucial na imersão do espectador na jornada de Amélie.
“O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” transcende o status de mero filme para se tornar uma obra de arte cinematográfica passados vinte anos, especialmente pela sua profunda ressonância emocional, motivo do seu impacto duradouro na cultura cinematográfica. Participe dessa conversa escutando o episódio, e descubra novas formas de apreciação desse clássico.
Dicas do Episódio:
No episódio de hoje, voltamos a falar sobre cinema aqui no Arquicast, e dessa vez o destaque é para um filme brasileiro: “Aquarius”. Ambientado em Recife, mais especificamente na praia de Boa Viagem, o filme retrata um conflito presente em diversas cidades ao redor do mundo. Com uma história que se desenrola em partes, “Aquarius” busca estabelecer um paralelo entre os conflitos pessoais da protagonista e sua luta contra uma construtora que deseja adquirir seu apartamento para dar lugar a um novo empreendimento.
O filme apresenta papéis claramente definidos na trama, com vilões e mocinhos, e tem como protagonista a talentosa Sônia Braga. Para discutir sobre o filme “Aquarius”, temos a participação especial de Janaína Pereira, jornalista pós-graduada em Cinema e colaboradora em diversos veículos de entretenimento. Na primeira parte do episódio, abordamos os aspectos gerais do filme, conversando sobre as principais personagens do filme, como Clara, sua família, a construtora, os funcionários do prédio e as suas amigas.
A memória como personagem central, desde a introdução do filme até o papel das fotografias, e a presença da família estão também relacionadas às temáticas da liberdade sexual e das relações interpessoais. Permanece ao longo da película o conflito entre o novo e o antigo, como a disputa entre o vinil e o streaming, o Facebook e os encontros pessoais, entre outros destacados pelo roteiro.
O contexto urbanístico de Recife, em especial os conflitos relacionados ao patrimônio e aos novos investimentos, como o caso do Ocupa Estelita, traz à tona importantes discussões sobre a relação entre arquitetura e cidade, memória e desenvolvimento econômico. Por meio de sua narrativa envolvente e dos conflitos apresentados, o filme nos convida a refletir sobre os desafios enfrentados nas cidades contemporâneas, onde interesses econômicos muitas vezes se sobrepõem à preservação histórica e ao bem-estar da comunidade.
A resistência de Clara em vender seu apartamento representa uma luta pela manutenção de sua história, suas raízes e sua conexão com o lugar onde vive. Esse conflito evidencia a importância de valorizar e proteger os espaços que possuem significado afetivo para as pessoas, em meio a um contexto de constante transformação urbana. Além disso, “Aquarius” aborda a desigualdade social e a divisão entre classes presentes na cidade de Recife. O contraste entre o luxuoso edifício Aquarius, habitado por Clara, e os apartamentos mais simples e populares do entorno é uma representação visual dessa divisão social. O filme também ressalta a importância da solidariedade e da união entre os moradores do prédio de Clara na resistência contra os interesses da construtora, evidenciando o poder das relações comunitárias na defesa de direitos e espaços de convivência.
“Aquarius” é um filme que dialoga de forma profunda com a arquitetura, explorando os significados dos espaços construídos, o embate entre preservação e desenvolvimento, a memória individual e coletiva, e as questões sociais presentes nas cidades contemporâneas. O filme convida o público a refletir sobre o papel da arquitetura na construção de identidades e na busca por uma cidade mais inclusiva e justa. Não deixe de ouvir mais esse episódio da nossa série Arquitetura e Cinema, pegue sua pipoca e nos acompanhe nesse papo. Bom divertimento!
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