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  • Os Tesouros Perdidos – Capítulo 1 | Conto de Fantasia Medieval
    Este conto foi escrito a partir das partidas de RPG na recompensa “The Gamers” dos padrinhos do RPG Next, utilizando o sistema Dungeons and Dragons 5° edição. O cenário utilizado foi o cenário próprio, porém baseando-se em localidades oficiais do sistema, Reinos Esquecidos. Apresentando: Allen Araújo como Coles Law, João Pedro como Percival, Michel Nantes como Hvítur (Branco), Rafael Pieper como Félix, Shoiti como Astarth e Valdo como Nepher.
    Coloque seu fone de ouvido e curta!
    ▬ Autor:
    Herica Freitas.
    ▬ Narração:
    Brendo Santos.
    ▬ Masterização, sonorização e edição:
    Rafael 47.
    Contos Narrados apresenta, "BOs Tesouros Perdidos - Capítulo 1 - O Início de uma Jornada", um conto de Fantasia Medieval.
    Águas Profundas sempre recebe viajantes com suas mais calorosas tavernas. E essa aventura não poderia ter um início diferente do costume: aventureiros tomando um belo copo de cerveja em um estabelecimento do porto. O Cálice Prateado é uma taverna calorosa. Harbek Stonehand, um jovem e muito asseado anão, incomum para sua raça, recebe seus clientes com um farto sorriso no rosto, o que faz da taverna um local muito frequentado.
    E ali estava um grupo tanto quanto incomum, que por hora ou outra despertava a curiosidade de aventureiros que passavam pelo local. Um meio-elfo robusto e com uma armadura pesada se intitulava Coles Law. Um gnomo, acompanhado de um corvo, curioso e bem-humorado, Félix era sua graça. Um tiefling, calado, bebericava sua cerveja; seu nome era Astarth. E talvez, o mais diferente de todos (até mesmo do tiefling), uma besta meio homem, meio leão, com pelagem branca e presas à mostra: Hvítur, ou simplesmente Branco, como os outros o chamavam.
    A música era agradável, belas donzelas caminhavam pelo ambiente, a comida era fresca e boa e a cerveja de qualidade anã. O Cálice Prateado possuía uma cordialidade por si só, e não era apenas por Stonehand, mas pelo conjunto de fatores que faziam da taverna um ambiente aconchegante. No entanto, esse cenário se quebrou ao abrir-se uma porta, onde fez-se um silêncio. Um homem, humano, de cabelos e barba brancos, com cicatrizes de batalha e vestimentas de aventureiro, caminhava lentamente entre a porta e o balcão, regado pelo silêncio e olhar de todos que estavam ali.
    Entre o silêncio e os passos do homem que ecoavam pelo salão, os rapazes ouviram murmúrios de pessoas; elas falavam coisas do tipo: mau presságio, mau agouro, mensageiro do caos e coisa ruim. Até mesmo o taverneiro, que sempre era cordial com os seus clientes, atendeu o homem com a cara torcida, sem render conversa. Félix, que alimentava Jubileu, seu corvo, dirigiu-se até o balcão, na esperança de encontrar alguma pipoca, pois a ave reclamava dos quitutes.
    — Boa noite! — disse o jovem gnomo ao homem solitário que bebericava sua cerveja.— Noite! — respondeu.— Senhor taverneiro — dirigiu-se a Stonehand — o senhor não teria, por acaso, pipoca? Jubileu não gosta muito de biscoitos.— Mas é claro, meu jovem aventureiro, com sua licença um instante. — Saiu Stonehand.
    O homem tirou de sua mochila o que parecia ser um diário, pôs-se a escrever algumas palavras enquanto, com o dedo indicador esquerdo, acariciava a borda de seu copo. Félix, curioso com a tratativa ao homem, e também inquieto pela espera, pôs-se a espiar o que ele escrevia. Sem muita classe e sem disfarçar a curiosidade, o jovem gnomo conseguiu identificar palavras em comum relacionadas aos quatro elementos: água, fogo, terra e ar, fora alguns símbolos que ele não entendia, mas que pareciam ser importantes, pois pareciam ter sido reforçados várias vezes.
    Um a um, Astarth, Coles e Branco se aproximaram de Félix, encorajados pela curiosidade e pela afeição de surpresa que o gnomo fazia ao bisbilhotar as anotações do homem. Não tardou muito até que o viajante misterioso estivesse cercado pelos quatro companheiros.
    — Então — Astarth quebrou o silêncio — ouvi das pessoas que o senhor é um mau agouro. Você, por acaso, é meu parente distante?O homem olhou Astarth, esboçou um singelo sorriso e respondeu:— Improvável que sejamos parentes. Não que eu possua preconceitos contra sua raça, mas é bem improvável que humanos e tieflings tenham parentesco.— Eu só quis perguntar mesmo, obrigado — respondeu.— Mas por que as pessoas o chamam assim? — Coles Law insistiu.— Eles me acham culpado de aventureiros não retornarem dos meus serviços. É isso! — respondeu abertamente.— Serviços? E você paga bem? — Branco questionou.— E que raça temos aqui? Nunca encontrei tal criatura em toda minha vida — perguntou surpreso.— Eu sou um leonin, uma raça de um lugar distante. Não se preocupe, é comum que as pessoas tenham esse choque — respondeu — Mas e quanto ao trabalho?— Não eu, mas a recompensa é maior do que imaginam — observou o grupo.— Por que não começamos do começo? Eu sou Coles Law.— Eu sou Félix.— Astarth.— Hvítur, mas me chame de Branco.— Renferum Eadreginhewbeorn, um aventureiro aposentado.— E qual é o trabalho? — Félix já estava eufórico.— Podemos conversar em um local mais reservado? — Renferum sugeriu.
    Logo os cinco estavam em uma sala à parte. Chamas em tom de amarelo e laranja dançavam em uma grande lareira ao fundo. Um urso empalhado estava logo à frente da entrada e, ao centro, jazia uma mesa com cinco cadeiras vazias. Renferum se sentou em uma delas e esperou pacientemente até que todos se acomodassem.
    — Senhores — ele encarou um a um — há alguns anos, eu era um herói, aventureiro assim como vocês. Éramos um grupo de aventureiros que vagavam pelo reino à procura de trabalho, dinheiro e diversão. Em uma de nossas façanhas, encontramos um mago muito poderoso, que dizia defender o mundo de um grande mal, em conjunto com mais quatro guerreiros. Ele nos deu a missão de coletar tesouros para ele, para que pudesse munir seus heróis com a graça de vencer o mal. Porém, isso custou a vida de meus companheiros e, depois de derrotarmos o mal, o dinheiro já não era importante para mim. Eu doei minha recompensa, que seria dividida entre nós, pois não era digno de recebê-la.
    — Salvar o mundo? — Félix parecia anestesiado.
    — O Mago Elemental manteve contato comigo nos últimos anos, entretanto há pouco mais de uma semana que ele não responde meus corvos, e estou preocupado. Sabe, eu já sou velho, cansado, e como puderam ver, ninguém aqui ousa fazer um grupo comigo para que eu possa ir encontrar meu amigo. Logo, tenho mandado aventureiros a seu encontro, que não retornam.
    — E você quer que nós façamos isso? — Coles perguntou.
    — Sim, eu posso pagar.
    — Como, se você doou todo seu dinheiro? — Coles seguiu retrucando.
    Renferum abriu sua mochila, tirando outra mochila, pouco maior do que uma algibeira. De dentro dela, os quatro viram surgir um cálice, de ouro maciço e cravejado de rubis e esmeraldas. Ele colocou-o sobre a mesa, deixando que os viajantes contemplassem sua beleza, e prosseguiu:
    — Este cálice é a última peça do meu tesouro. Está avaliado em 100 moedas de ouro, e será de vocês se trouxerem notícias de meu amigo.
    — Certo. E você não cogitou ir até lá de maneira alguma? — Coles persistiu.
    — Como disse, o caminho é tempestuoso. São dois dias de caminhada até a fazenda do Mago Elemental, eu não conseguiria viajar sozinho. E também existem perigos na estrada.
    — Era disso que precisávamos saber — Astarth disse. — Que perigos?
    — Goblins! Eles atacam viajantes e aventureiros pela noite, os levam para sua caverna e sabe-se lá, Unícolas, o que eles fazem com essas pessoas.
    — É uma informação importante — Branco destacou.
    — A gente só precisa ir até lá e trazer seu amigo? — Félix perguntou.
    — Não trazer, mas me dizerem se ele está bem, ou fazer com que ele responda meus corvos.
    — Está certo. E onde fica essa fazenda? — Branco perguntou.
    — Dois dias de caminhada pela Trilha do Mar da Lua, em direção ao norte.
    — E você tem um mapa? — Astarth perguntou.
    — Talvez o taverneiro tenha. Eu vi um grupo que conseguiu algo com ele na última vez.
    Os quatro se entreolharam, assentiram com a cabeça, se levantaram, e Félix quebrou o silêncio:
    — Acho que temos nosso primeiro trabalho na região, pessoal.
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    17 min
  • Noble Knight | Medieval Fantasy Tale
    For Ruhtra, luck has always been his greatest combat trait. And there are those who say his deeds are only remembered because luck stood by his side. But what, in fact, is the true defining characteristic of this Noble Knight?
     
    🛡️✨ Luck truly walks side by side with Ruhtra! Discover the incredible (and hilarious) story of the Golden Knight, whose bravery is matched only by his... pure luck. 🍀
    🌅 From heroic acts to unbelievable twists, Ruhtra's tale proves that not everything is as it seems in a medieval world. 🤫⚔️
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    🎧 Put on your headphones and enjoy!
    ▬ Author:
    Leo Rodrigues.
    ▬ Narration:
    Wévison Guimarães.
    ▬ Mastering, sound design, and editing:
    Rafael 47.
    Narrated Tales presents: "Noble Knight", a medieval fantasy tale.
    Of all the noble knights in the kingdom of Retnec, Ruhtra was the most celebrated. He drew attention wherever he went, always mounted on his black steed, a perfect contrast to his gleaming golden armor. He was famous for always saying that his greatest skill was luck.
    Ruhtra became a knight thanks to one of his many "heroic" acts. While collecting mushrooms near the river, he heard a desperate cry for help. He ran towards the plea and found a young man drowning. The boy turned out to be none other than one of the nephews of the Golden King, who could only recall waking up on the riverbank in Ruhtra's arms.
    As a reward, the Golden King ordered that Ruhtra be trained to become a knight for his bravery and courage. As an apprentice, he was assigned to the powerful Telmah, who taught him everything about riding, martial arts, and swordsmanship.
    One night, while returning from open-sea training, Telmah's vessel was caught in a sudden storm. Giant waves and fierce winds violently shook the ship, tossing the crew against the walls and each other. One by one, they were knocked unconscious—except for one man: Ruhtra.
    The port guards of Natsnoc saw the ship approaching, steered to safety by the lone apprentice. After this incident, the Golden King, encouraged by Telmah, officially knighted Ruhtra.
    The life of a knight was generally good. Ruhtra lived in the same castle as the king, ate the same food, but shared the same duties as a soldier: to protect and serve his lord’s interests, defend the castle walls, and go to war.
    It was during the Battle of Tresed that Ruhtra once again proved himself remarkable. The battle was grueling, with the kingdom's enemies breaching the soldiers' defense lines and charging toward the Golden Knights, the king's personal guard.
    One enemy, whose name has been lost to history, broke through the guard and charged at the Golden King, ready to drive a spear into his chest. The king, frozen in disbelief, watched his destiny unfold, a mix of rage and despair swelling within him—until, miraculously, the spear stopped. The attacker had been unseated from his horse.
    The king was told that, noticing the peril, the noble knight Ruhtra charged at the assailant, striking him from the right flank and saving his liege’s life. This quick and precise action reinvigorated the Golden Army, leading to their victory. It also earned Ruhtra a promotion to the king’s personal guard, new equipment, and his beloved black steed.
    However, as the years passed, Ruhtra grew less guarded with his words. One day, he confessed to the king that he had never actually learned to swim. By sheer luck, the king’s nephew had already been safely ashore when Ruhtra arrived at the river.
    He also admitted that during the storm, he was the first to feel seasick and stayed conscious only because he was in the ship’s bathroom, unwell. When he finally emerged, he saw the shoreline and easily navigated the ship to the harbor.
    Lastly, Ruhtra revealed that during the Battle of Tresed, he had been so terrified that he tried to flee. But something startled his horse, causing it to rear, turn around, and charge in the opposite direction—straight into the lancer threatening the king.
    Now, at 70 years old, Ruhtra can truly say that luck walks by his side. After all, he won’t be executed for treason—because the king, so shocked by Ruhtra's revelations, choked on a chicken leg and died of asphyxiation before he could order the charlatan’s execution.
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    10 min
  • CNa#059: Nobre Cavaleiro | Conto de Fantasia Medieval
    Para Ruhtra a sorte sempre foi sua maior característica de combate. E há quem diga que seus feitos só são lembrados porque ele a teve ao seu lado. Mas o que de fato será a principal característica deste Nobre Cavaleiro?
     
    🛡️✨ A sorte realmente caminha ao lado de Ruhtra! Conheça a incrível (e hilária) história do Cavaleiro Dourado, cuja bravura é igualada apenas por sua... pura sorte. 🍀
    🌅 De atos heroicos a reviravoltas inacreditáveis, o conto de Ruhtra mostra que nem tudo é o que parece em um mundo medieval. 🤫⚔️
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    ▬ Autor:
    Leo Rodrigues.
    ▬ Narração:
    Wévison Guimarães.
    ▬ Masterização, sonorização e edição:
    Rafael 47.
    Contos Narrados apresenta, "Nobre Cavaleiro", um conto de fantasia medieval.
    De todos os nobres cavaleiros do reino de Retnec, Ruhtra foi o mais célebre. Chamava atenção por onde quer que passasse, sempre montado em seu corcel negro, um contraste perfeito com sua armadura dourada reluzente. Era famoso por sempre repetir que sua melhor habilidade era a sorte.
    Ruhtra tornou-se cavaleiro graças a um de seus muitos atos heroicos, estava coletando cogumelos próximo ao rio, quando ouviu um grito de socorro, correu em direção ao pedido desesperado e ao chegar lá se deparou com um jovem se afogando. O jovem era simplesmente um dos sobrinhos do Rei Dourado, que não conseguia recordar nada daquele dia, a não ser acordar na beira do rio nos braços de Ruhtra.
    Como forma de retribuição, o Rei Dourado ordenou que fosse treinado para se tornar um cavaleiro por sua bravura e coragem. O então aprendiz, foi designado para o agrupamento da poderosa Telmah, que lhe ensinou tudo o que sabia sobre montaria, artes marciais e manejo da espada.
    Uma noite, retornando de um treinamento em mar aberto, a embarcação de Telmah enfrentou uma tempestade repentina. As ondas gigantes e os ventos fortes balançavam furiosamente o barco, jogando os tripulantes contra as paredes e uns contra os outros, que eventualmente acabaram batendo a cabeça e desmaiando, com a exceção de um homem, Ruhtra.
    Os guardas do porto de Natsnoc puderam ver a embarcação se aproximando e o jovem aprendiz a conduzia, sozinho, para a segurança da terra firme. Após esse episódio, o Rei Dourado, incentivado por Telmah, o nomeou, oficialmente, Cavaleiro.
    A vida de um Cavaleiro, no geral era boa, vivia no mesmo castelo que o rei, comia a mesma comida, porém, tinha as mesmas obrigações que um soldado, proteger e servir os interesses de seu mestre. Ou seja, defender os muros do castelo e ir para a guerra.
    E foi na batalha de Tresed que, mais uma vez, Ruhtra demonstrou-se notório. A batalha estava muito difícil, os inimigos do reino tinham rompido as linhas de defesa dos soldados e cavalgavam em direção aos cavaleiros dourados, como é conhecida a guarda pessoal do Rei de Retnec.
    Um inimigo, o qual o nome se perdeu nas histórias, superou a guarda e avançou sedento para atravessar sua lança no peito do Rei dourado, que estava atônito, imóvel, sem acreditar que aquilo seria possível. Via a lança se aproximando, seu destino estava traçado, uma mistura de descrença e raiva lhe enchia o peito, quando surpreendentemente, a lâmina não vinha mais em sua direção, o oponente fora derrubado de seu cavalo.
    Ao Rei, foi explicado que, percebendo aquela situação, o nobre cavaleiro Ruhtra partiu em disparada na direção do agressor e acertou-lhe em cheio pelo flanco direito, derrubando-o de seu cavalo e salvando a vida de seu suserano.
    Essa reação rápida e certeira garantiu um novo fôlego para o exército dourado e foi providencial para a vitória da batalha. Além de garantir ao Ruhtra uma promoção para a guarda pessoal do rei, novos equipamentos e seu adorado corcel negro.
    Acontece que com a idade, o nobre cavaleiro perdeu um pouco de suas papas na língua. O velho contou para o Rei que na verdade, ele não sabia nem nadar, por sorte seu sobrinho já estava são e salvo na beira do rio e apenas acordou quando ele se aproximou.
    Contou também, que no meio daquela tempestade, fora o primeiro a se sentir mal, pois não se dava bem com o mar de jeito nenhum, e apenas não desmaiou pois estava dentro no banheiro, na cabine indisposto, e, quando finalmente conseguiu sair, avistou o continente e não encontrou dificuldade em navegar até o porto.
    Por fim, confessou que na batalha de Tresed, ele estava apavorado e tentou fugir, porém algo assustou seu cavalo que empinou, deu meia volta e disparou na direção oposta à que ele queria seguir, atingindo em cheio aquele lanceiro que ameaçava a vida do Rei.
    Hoje, aos 70 anos, Ruhtra pode dizer realmente que a sorte caminha ao seu lado, pois não será executado por traição, afinal, de tão assustado, o rei engasgou com a coxa de frango e acabou morto por asfixia, sem ter tempo de executar o charlatão.
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    11 min
  • CNa#057: O Mago Louco (Parte 6) | Conto de Fantasia Medieval
    A loucura muitas vezes pode ser confundida com a falta de compreensão dos demais para com os objetivos de cada indivíduo, seria Ragy Lemar louco ou apenas um homem em busca de conhecimento e de explorar as possibilidades de seu mundo? Indicado para 14 anos ou mais.
     
    Contos Narrados. Aqui você encontra mais um conto sonorizado produzido pelo do RPG Next.
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    ▬ Autor:
    Leo Rodrigues.
    ▬ Narração:
    Brendo Santos.
    ▬ Masterização, sonorização e edição:
    Rafael 47.
    Contos Narrados apresenta, “O Mago Louco (Parte 6)", um Conto de Fantasia Medieval.
    Capítulo 6: Uma fonte de água
     
       Dentro da caverna, a cada passo que Ragy dava, a presença maligna se tornava mais forte. Ele via os vultos passando em sua frente e começou a ouvir vozes, gritos de dor, choros desesperados, via miragens de pessoas pegando fogo correndo em sua volta, desesperadas.
       Os sons do sofrimento daquelas pessoas eram altos demais, ele não conseguia mais escutar a água, não fazia ideia de para onde ir. Sua cabeça doía, as mãos tremiam, sua respiração estava ofegante e sentia o corpo fraquejar.
       Em uma tentativa de fazer os sons cessarem, levou as mãos aos ouvidos e fechou os olhos com força, tentando se concentrar. Mas o som foi ficando cada vez mais alto, ele não sabia por quanto tempo poderia suportar. Mais alto, ele achava que seus ouvidos iriam estourar, mas quando estava no limite da dor, o som parou.
       Ele estava de joelhos, e ao tirar as mãos dos ouvidos, ouviu o silêncio, a corrente de água bem próxima e o som de algumas goteiras.
       Antes de levantar, sentiu alguém tocando em seu ombro. Ao se virar, viu aquela mesma garotinha de antes, olhando fixamente para ele. Seu olhar parecia atravessar sua alma, era profundo, e podia ser definido como um olhar de puro pavor. E ela disse:
       - Eles vão pegar você! – e começou a correr em direção à saída, enquanto desaparecia.
       O mago ainda estava se pondo de pé enquanto tentava entender quem são “eles”, aos quais a menininha se referia, quando avistou um esqueleto andando em sua direção, vindo da mesma direção que a menina correra.
       Não pensou duas vezes, correu em direção ao esqueleto e desferiu um golpe com o cajado, de cima para baixo, gerando uma onda de luz azulada, quebrando o esqueleto em vários pedaços.
       Ele não tinha tempo a perder, precisava chegar à fonte da magia logo. Porém, quando virou-se, viu outros dois esqueletos se aproximando, esses andavam mais rápido e um deles portava consigo um colar prateado, como aquele que Boris mostrara na taverna.
       Ragy acertou em cheio, em um golpe circular da direita para a esquerda, as costelas de um dos esqueletos e pôde ver o raio azul despedaçando ambos os esqueletos. Ele lamentou ter dado aquele golpe, pois sabia que provavelmente destruíra o esqueleto do filho de Bóris. Mas sua lamentação não durou mais que alguns poucos segundos, pois ele escutou uma risada maligna, seguida pela volta dos vultos e gritos de sofrimento.
       O calor estava insuportável, como se as chamas daquelas miragens estivessem aquecendo todo o local. Sua cabeça latejava, e a visão começava a ficar turva, dificultada pelo suor que ardia ao cair nos olhos. Mas isso não o impediu de ver uma horda de esqueletos correndo em sua direção, alguns sem crânio, outro sem braço e sem as pernas, arrastavam-se em sua direção.
       Não havia outra opção, o mago precisava lutar por sua vida. A cada esqueleto que ele derrubava, parecia surgir mais dois. Ele tinha a impressão de que os ossos espalhados se reorganizavam e formavam novos esqueletos, eles não paravam de vir.
       Ragy usava toda sua habilidade em combates marciais, girando seu cajado em todas as direções e proferindo algumas palavras mágicas que lhe permitiam conjurar ondas e raios de poder que afastavam e desmontavam vários esqueletos de uma vez.
       Porém, eles eram incansáveis, e Ragy estava esgotado. Alguns esqueletos agarraram suas pernas. Mas ele foi rápido o suficiente para esmagar seus crânios com uma cajadada. Só que isso não era o suficiente para afastar os outros milhares de esqueletos à sua volta.
       Eles seguraram seu braço direito, o impedindo de usar seu cajado. O mago não tinha mais forças para lutar.
       Caiu de joelhos no chão, soltou seu cajado, sentia sua roupa ser rasgada pelas criaturas, junto com a sua pele. O peso dos ossos em cima dele era demais, caiu deitado com o peito para baixo.
       O som dos gritos de dor estava abafado pelo som dos ossos se batendo. Seus músculos queimavam de exaustão, e podia sentir uma dor aguda em sua mão esquerda, um dos esqueletos atravessou-a com um osso pontiagudo, rasgando a pele do dorso e atravessando a carne até sair pela palma da mão. Gritou.
       Bóris e Felan estavam andando nos primeiros metros da caverna quando ouviram um grito de dor que ecoava pelas paredes do túnel. Os dois sabiam quem era aquele que gritou e começaram a correr.
       - Felan, se acalme! Eu tenho certeza de que aqui não há nenhum perigo. Essa é minha sétima expedição. Seu primo deve ter caído da escada que existe mais adiante. Deixa que eu vou na frente, pra ninguém se machucar! – falou Bóris, tentando acalmar Felan, e demonstrando preocupação.
       - Você não está entendendo! Meu primo não é mago, só de estar sozinho ele está correndo perigo, vamos logo! – falou Felan, muitíssimo preocupado e apressando o passo.
       Ragy pensou em como aqu 
       Lembrou-se do lobo e como ninguém acreditou nele, exceto sua mãe; de como ela lhe encorajava a continuar seus treinamentos, enquanto todos lhe diziam que ele não era capaz.
       Recordou das pessoas rindo quando o pequeno Ragy demonstrava suas habilidades mágicas, dizendo que a criança via coisas, e de sua mãe abraçando-o e reconfortando-o, dizendo-lhe: “Não dê ouvidos a eles! Eu posso ver o quão especial e talentoso você é! Continue acreditando em si mesmo! ”.
       E rememorou o dia em que decidiu mostrar para todos que estavam errados, e que se provaria um grande mago, saindo de sua cidade natal e indo em busca da tão falada caverna das cinzas.
       Boris e Felan chegaram correndo ao pequeno poço escavado na pedra e desceram rápido, sem pensar duas vezes. Andaram cerca de 30 metros até avistar Ragy Lemar caído em uma pequena poça d’água, de uns 3cm de altura.
       Ele estava se debatendo, com os olhos bem abertos, as pupilas dilatadas, porém com o olhar vazio e gritava desesperadamente:
    - SAIAM!! SAIAM DE CIMA DE MIM! MONSTROS! SAIAM DE MIM! ME DEIXEM EM PAZ! SAIAM DAQUI!!!
       Uma goteira caía diretamente em sua mão esquerda, a única parte de seu corpo que estava parada. E em volta dele, além de seu cajado jogado a não mais que 5 metros de distância, não havia absolutamente nada. Apenas a escuridão gélida da caverna.
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    12 min
  • CNa#056: O Mago Louco (Parte 5) | Conto de Fantasia Medieval
    A loucura muitas vezes pode ser confundida com a falta de compreensão dos demais para com os objetivos de cada indivíduo, seria Ragy Lemar louco ou apenas um homem em busca de conhecimento e de explorar as possibilidades de seu mundo? Indicado para 14 anos ou mais.
     
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    ▬ Autor:
    Leo Rodrigues.
    ▬ Narração:
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    Capítulo 5: A caverna 
       Ele estava sozinho agora, adentrando a caverna escura com passos lentos e cautelosos. Apesar do dia ensolarado, a luz não iluminava mais que os primeiros metros do caminho. Com duas batidinhas de seu cajado, pôde ver seu caminho através da luz que emanava de sua turmalina. Os sons das batidas ecoaram pela caverna, que respondeu com um pesado silêncio. 
       Ragy Lemar estava nervoso, não sabia o que esperar daquele lugar. Seus pensamentos se alternavam entre a explicação que o padre Lucius lhe dera sobre a maldição e a fala esbaforida do bêbado Bóris.
       À medida que se aprofundava nos túneis submersos, sentia o ar ficando mais pesado e mais frio. De repente, se deparou com uma grade de ferro que poderia lhe impedir de continuar, se já não tivesse sido serrada, possibilitando-o de passar espremido por entre dois vergalhões enferrujados. Ele imaginou que essas barras de ferro deveriam ter sido colocadas ali pelo exército do Sul para aprisionar seus oponentes. E teve certeza quando reparou o esqueleto de 2 mãos pequenas, ainda conectadas ao antebraço, agarradas às barras de ferro.
       Aquela cena lhe causou um sentimento de impotência e tristeza. Era o preço da guerra, ele pensou, e continuou seguindo seu objetivo de encontrar sinais da maldição.
       O caminho se tornava cada vez mais estreito e cheio de ossos pelo chão, crânios, costelas, e fêmures eram os mais fáceis de distinguir em meio àqueles montes. Já não era mais possível caminhar sem pisar e quebrar alguns deles.
       O jovem mago sabia que toda maldição sempre está atrelada a algum objeto mágico ou água contaminada com magia negra, então ele precisava chegar até o fundo da caverna onde provavelmente haveria água.
       As paredes ficavam cada vez mais próximas e o teto cada vez mais baixo, com 1 metro e 70 de altura, Ragy já precisava andar curvado pelo caminho para não bater a cabeça. Pelo menos naquele lugar não tinham tantos esqueletos, as pessoas que estavam ali provavelmente correram para os dois extremos da caverna em uma tentativa desesperada de se salvar.
       Ter que andar cada vez mais curvado fazia com que a dor nas costas o incomodasse cada vez mais. Seguir aquele túnel já se tornava uma tarefa bastante árdua, quando Ragy avistou um buraco que levava para baixo. Ele deixou transparecer sua felicidade ao ver o túnel, sabia que quanto mais para baixo maior a probabilidade de encontrar água. O buraco era escavado direto na pedra e possuía uma escada de corda presa a duas estacas de ferro.
       O mago prendeu seu cajado ao cordão do manto e adentrou ao túnel escavado. Desceu a escada inteira sem dificuldades. Lá embaixo havia um grande salão, lotado de esqueletos e teias de aranha, mas o que realmente era interessante naquele local, além do seu tamanho, era o barulho bem baixo de água corrente. O jovem tinha razão, ali havia água!
       Ao tirar seu cajado do cordão, Ragy percebeu um vulto passando atrás dele, e virou-se com extrema destreza, mas não havia nada fora do comum. Então, seguiu cautelosamente e preparado para entrar em ação.
       O som ficava mais alto à medida em que ele caminhava. Novamente ele viu um vulto passando por ele e ao virar-se, viu uma garotinha sem um braço, com um olho pendurado para fora da cavidade ocular. Ela estendeu seu braço em direção a ele e pediu:
       - Moço, você pode me tirar daqui? Dói muito!
       Antes que ele pudesse responder, ela desapareceu, como uma miragem. Os batimentos cardíacos dele aceleraram. O frio do local se transformara em calor, e ele suava. Suas pupilas dilataram, era possível sentir o mal à espreita.
       Com certeza havia ali uma maldição, tinha que haver. Ragy segurou seu cajado com as duas mãos e seguiu caminho em direção à corrente de água.
       Enquanto isso, do lado de fora da caverna, Bóris estava se preparando para sua sétima expedição, quando ouviu um burburinho vindo da rua. Um cavalheiro que se mostrava bastante preocupado chegara na vila e chamou a atenção de todos.
       - Olá cidadãos da Vila das Cinzas! Me chamo Felan Magrab e estou à procura do meu primo Ragy Lemar! – gritou o cavaleiro para que todos os presentes o pudessem escutar.
       - O que você quer com o jovem Ragy? – perguntou de forma agressiva o ferreiro Pratt Strongarm.
       - Meu primo corre sérios perigos! Eu preciso encontrá-lo para que possa levá-lo para casa em segurança! Ele não deveria andar sozinho por aí! – Respondeu Felan, preocupado.
       Bóris percebeu a sinceridade do rapaz, mesmo que todos os outros moradores da vila estivessem desconfiados, então ele decidiu se intrometer:
       - Seu primo foi para a caverna já tem alguns minutos. Eu estou indo para lá agora, se quiser me seguir, fique à vontade.
       - Bóris, o que está fazendo? Nem conhecemos esse sujeito. Ele pode estar mentindo! – Falou o padre irritado.
       - Ora, padre, pelo amor do seu Deus cale essa boca e me deixe em paz! – disse Bóris, agora mais sóbrio, enquanto se dirigia para a entrada do mausoléu.
       Felan rapidamente amarrou seu cavalo e correu até conseguir acompanhar o homem alto e mal-encarado que andava em direção ao paradeiro de seu primo “perdido”.
       - Muito obrigado pela ajuda, qual o seu nome? – perguntou Felan, um pouco esbaforido pela corrida.
       - Me chamo Bóris.
       - Obrigado, Bóris! Quando a gente era pequeno, prometi pro meu primo que nunca mais ia perder ele de vis... – Antes que pudesse terminar sua frase, foi interrompido de forma ríspida por Boris.
       - Ok. Pode me acompanhar, mas faça silêncio, por favor.
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  • CNa#055: O Mago Louco (Parte 4) | Conto de Fantasia Medieval
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    ▬ Autor:
    Leo Rodrigues.
    ▬ Narração:
    Brendo Santos.
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    Contos Narrados apresenta, “O Mago Louco (Parte 4)", um Conto de Fantasia Medieval.
    CAPÍTULO 4: Preparativos
     
       Antes que tomasse qualquer ação, a porta se abriu lentamente. Parada diante da entrada do quartinho, estava uma mulher alta e corpulenta, com os cabelos ruivos e lisos, com um corte em formato de cuia, destacando suas grandes bochechas rosadas, que davam ao seu rosto um ar de bondade, sua pele era muito clara.
       A mulher trajava um vestido verde longo, lhe cobrindo as curvas rechonchudas, e usava um avental branco, manchado de vermelho.
       - Óia só, ocê acordou! – disse a mulher com ternura. – Como tá se sentindo? – Ela perguntou em um tom de preocupação.
       - Onde estou? – perguntou Ragy ainda confuso.
       - Bem, você deve tá faminto! Tá dormindo tem mais de dia! – falou a moça com a voz aveludada - Venha. Eu preparei um belo de um café da manhã à moda da Madame Puff! – sua voz ficava mais aguda quando falava com empolgação.
       Ragy não pensou muito no que tinha acontecido ou em quem era aquela mulher, ele apenas sabia que ela tinha razão, ele estava faminto. Apesar de desconfiar da situação, suas dúvidas poderiam ser esclarecidas após uma bela refeição.
       Ao se levantar, ele se espreguiçou e sentiu o corpo todo estalando. A dor nas costas ficou mais intensa por um breve momento e depois voltou a ser apenas um pequeno incômodo. Ragy ignorou-a e seguiu aquela mulher de avental até o seu esperado desjejum.
       Ao sair do quarto, notou que estava no segundo andar, o local estava cheio de mofo e manchas de umidade nas paredes e no teto, os sinais de desgaste pelo tempo eram muitos. Descendo as escadas, cada degrau de madeira rangia mais que o anterior.
       Chegando na cozinha, não havia o banquete que ele esperava, mas tinha comida o suficiente para ele matar sua fome. Pães, leite, ovos, uma geleia caseira e uma torta ainda quentinha o esperavam. Sem pensar duas vezes, Ragy Lemar sentou-se à mesa, passou geleia em um pão e começou a comer.
       - Nós ficamos realmente preocupados com você! Ainda bem que nós temos o padre Lucius, ele é tão corajoso... – ela falou quase suspirando. – Mas eu nem me apresentei, sou a Madame Puff, dona dessa estalagem. Por favor, sinta-se à vontade! – Madame Puff tinha um jeito alegre e agitado de falar.
       - Eu sou Ragy Lemar, muito obrigado pela hospitalidade, Madame Puff. Não pretendo ficar aqui por muito tempo, tenho que me apressar, preciso ir até a Vila das Cinzas! – Ele declarou com convicção.
       - Então, pode ficar o quanto quiser, bobinho, você já está na Vila das Cinzas! – Madame Puff levava a mão até a boca para esconder o riso de seu hóspede.
       Ragy quase se engasgou com o gole de leite que estava tomando quando soube que já estava em seu destino final. Seu coração acelerou, estava ansioso, não sabia qual era o próximo passo a tomar agora. Lembrou-se de seu cajado partido e perguntou:
       - Madame Puff, no caminho até aqui eu enfrentei alguns desafios e meu cajado se partiu ao meio, será que eu consigo encontrar alguém nessa vila capaz de consertá-lo para mim?
       - Meu jovem aventureiro, temos aqui o melhor ferreiro num raio de quilômetros!! Termine seu café da manhã que eu levo você até ele. – disse Madame Puff de forma bem solícita. – Quem sabe a gente também não dá sorte de encontrar com Lucius no caminho? – suas bochechas ruborizaram ainda mais e novamente soltou uma risadinha.
       Alguns minutos mais tarde, Ragy Lemar, carregando seu cajado, e Madame Puff, estavam adentrando a taverna de Will Burley. Exatamente como era de se esperar, lá estavam todos os moradores do vilarejo.
       Todos os olhares se voltaram para a figura daquele homem vestido em um manto azul. Foram criadas diversas teorias a respeito do rapaz, do que acontecera com ele na noite em que o padre e Will o encontraram na floresta e o porquê dele estar ali.
       - Ora, ora! Se não é o aventureiro misterioso! – debochou Pratt Strongarm.
       - Pare Pratt! – pediu Madame Puff – Este é Ragy Lemar, ele precisa de seus serviços. O cajado dele foi partido e precisa ser consertado. – ela falou séria, diretamente para o ferreiro.
       - Pois bem! Mas aviso logo que cobro um valor justo, por uma mão de obra tão qualificada! – Pratt sabia que o ferreiro mais próximo dali estava há mais de 3 dias de viagem, logo, ele poderia cobrar o quanto quisesse.
       - Que assim seja. – disse Ragy, tirando de dentro de seu manto um pequeno saco com moedas de ouro e colocando no balcão em frente ao ferreiro, estendendo o cajado em sua direção com a outra mão. – Ao trabalho! Preciso deste cajado novinho o mais rápido possível.
       Assim que o jovem terminou de falar, Pratt Strongarm pegou o cajado e o saco de moedas e apressou-se a ir à ferraria fazer seu trabalho.
       - Me desculpe pela forma com ele fala, meu jovem. Sou o padre Lucius, sente-se aqui ao meu lado. – convidou-o o padre Lucius. – Aceita alguma bebida? De certo que meu amigo Will Burley há de providenciá-la para você. 
     - Eu aceito apenas água, por favor. – imediatamente, Dorothy, filha do taverneiro, serviu-lhe uma caneca com água.
       - Conte-me, o que te traz a um lugar tão longínquo? – perguntou o padre com verdadeira curiosidade.
       - Padre Lucius, eu vim até aqui buscando me provar como um jovem mago, portanto, pretendo encerrar a maldição da caverna dos cristais. – Ragy falava com um brilho nos olhos.
       Todos se entreolharam e o padre logo falou:
       - Isso é maravilhoso! Por anos sofremos com essa maldição. Essa Vila já foi um lugar muito rico e poderoso...
       Mas antes que o padre pudesse continuar a contar a história do lugar, o jovem o interrompeu:
       - Eu estou ciente de toda a história deste local. Peço apenas que me diga, que tipo de maldição há na caverna?
       - Ora, bem, eu... – gaguejou o padre, antes de respirar fundo e prosseguir com a explicação:
    – A maldição da caverna transformou as pobres almas que lá pereceram em entidades malignas, que assolam todos que buscam pegar para si as joias e riquezas restantes em seu interior. Ninguém que já entrou na caverna, jamais foi capaz de superar o poder da maldição.
       Houve um momento de silêncio, o mago agora tinha certeza de que sua missão não era fácil, mas ele sabia que estava preparado! Sua convicção era inabalável.
      O silêncio foi quebrado por palmas e uma risada que vinha do fundo da taverna, Ragy nem tinha notado a presença de uma pessoa ali, aquele era Bóris.
       - Hahahahaha! Bravo! Comovente seu discurso, padre! – todos podiam perceber o escárnio em suas palavras. – Garoto, se quiser um conselho: Vá embora! Não existe maldição, não existem joias, não existe nada disso! Essas pessoas são uns pobres coitados, loucos, abandonados aqui por todos, para apodrecerem e entrarem no esquecimento. Pense bem, se existisse algum maldito bem precioso dentro daquela maldita caverna, você acha que esse maldito lugar estaria vazio assim?? Haveria fila para entrar lá!! Todo mundo quer um pedacinho de um tesouro! Mas aqui não há nada! Tudo o que restou depois do fogo do exército do Sul foi prata e carvão! Toda a prata que tinha lá dentro já foi saqueada! Só resta o carvão! Dor, sofrimento e carvão! Se entrar lá, é só o que vai achar.
       - Saia da minha taverna agora, seu bêbado imundo! Anda! – interrompeu Will.
       - Com prazer. Toma aqui o seu pagamento, pode ficar com o troco. – disse Bóris, andando cambaleante em direção à porta, com um punho fortemente cerrado, e lançando para Will uma pequena pepita de esmeralda com a outra mão.
       - Bóris! – Chamou-o o padre Lucius, antes que ele tivesse saído da taverna. – se não há nada de valor lá dentro, por que você ainda está aqui?
       Ele parou, sem se virar para trás, e abriu um pouco o punho fechado deixando escorregar um cordão de prata. Ainda virado de costas, falou:
       - Meu filho estava trabalhando na mina, eu vou recuperar seus ossos e lhe dar um enterro digno. – e saiu batendo a porta atrás de si.
       Todos os presentes na taverna estavam em estado atônito após a saída de Boris. Ragy Lemar sentiu pena daquele homem, sentia que ele estava sofrendo. Mas ficou pensando em seu conselho: “Vá embora! Não existe maldição, não existem joias, não existe nada disso!”.
      - Será que ele tem razão? - ele se perguntava. - Vim de longe, enfrentei criaturas malignas no caminho, para nada? Não, ele não pode estar certo. De qualquer forma, eu preciso entrar lá e ver com meus próprios olhos. Se ele estiver certo, não haverá riscos. Se estiver enganado, vou cumprir minha missão. – sem perceber, o jovem sussurrava baixinho seus pensamentos, mas alto o suficiente para que o padre Lucius pudesse escutá-los.
       - Meu filho, não te preocupes com as palavras deste ébrio. Siga teu caminho! O Deus bom e misericordioso já preparou algo para você, e se tua intuição disseste que tens que enfrentar a obscura caverna, você há de fazê-lo! – aconselhou-lhe o padre com sua voz grossa e suave.
       Ragy apenas balançou a cabeça, concordando. Bebeu toda a água que restava em sua caneca e levantou-se para ir até a ferraria buscar seu cajado com Pratt Strongarm. Porém, ele se lembrou que não sabia como chegar até lá e antes mesmo que pudesse perguntar o caminho a porta se abriu. Lá estava Pratt com o cajado consertado.
       - Aqui está garoto! – falou orgulhoso o ferreiro, erguendo o cajado em direção ao mago. – Novinho em folha!...
    26 min
  • CNa#054: O Mago Louco (Parte 3) | Conto de Fantasia Medieval
    A loucura muitas vezes pode ser confundida com a falta de compreensão dos demais para com os objetivos de cada indivíduo, seria Ragy Lemar louco ou apenas um homem em busca de conhecimento e de explorar as possibilidades de seu mundo? Indicado para 14 anos ou mais.
     
    Contos Narrados. Aqui você encontra mais um conto sonorizado produzido pelo do RPG Next.
    Coloque seu fone de ouvido e curta!
    ▬ Autor:
    Leo Rodrigues.
    ▬ Narração:
    Brendo Santos.
    ▬ Masterização, sonorização e edição:
    Rafael 47.
     
    Contos Narrados apresenta, “O Mago Louco (Parte 3)", um Conto de Fantasia Medieval.
    CAPÍTULO 3: O mal surge das sombras
     Lá estava Ragy Lemar, no meio da floresta, envolto pela escuridão tenebrosa, sua cabeça inteira latejava. Ele olhava para todos os lados, segurando o cajado com as duas mãos, pronto para atacar ou defender-se. Logo em frente a ele, no meio de dois arbustos baixos nada simétricos, ele conseguiu reconhecer um par de olhos pequenos e vermelhos brilhando, olhando fixamente para ele, não era um olhar humano, muito menos amigável.
     
       Quando Ragy se preparou para golpear aquela criatura, ele percebeu pela sua visão periférica, em um ponto mais alto, outro par de olhos, e outro, e outro… com certeza eram mais de dez, estava cercado.
       Aqueles pequenos seres começaram a movimentar-se em torno dele, de um lado para o outro, moviam-se rápido como o vento, pareciam subir e descer dos galhos das árvores mais altas sem dificuldade alguma. O homem tentava em vão acompanhar aqueles movimentos, girando para um lado e para o outro, esmagando pequenos galhos e folhas à sua volta.
       Os seres tinham o pequeno corpo cheio de pêlos pretos, que os ajudavam a se esconder nas sombras, quatro patas com garras afiadas, assim como os dentes serrilhados, as orelhas eram pequenas e pontudas, os olhos inteiramente vermelhos, e possuíam um rabo comprido e poderoso que os auxiliava na locomoção.
       Ele sabia que não era possível se defender de todas as criaturas, então decidiu que atacaria uma de cada vez, focando seu olhar em apenas uma delas, que estava bem à sua frente, quase na altura do chão.
       Fez o melhor para acompanhar aquele ser, girou-se rapidamente 90 graus para a direita quandormeia-volta completa quando a pequena criatura saltou por cima de sua cabeça, para uma árvore do outro lado, mas ele estava tão concentrado em seguir aqueles olhinhos, que ao girar mais uns 90 graus para sua esquerda, não percebeu um galho retorcido pendurado na altura de sua cabeça.
       O choque com o galho lhe causou três arranhões no lado esquerdo do rosto e foi o suficiente para ele se distrair e baixar a guarda por um segundo.
       Ao recuperar a postura, só teve tempo de ver aquele par de olhos que ele seguia pulando na sua direção e aumentando de tamanho à medida em que se aproximava.
       Por puro reflexo, moveu seu cajado de encontro à criatura, atingindo-a em cheio, jogando-a de volta para o breu dos arbustos. Antes que ele pudesse se dar ao luxo de se recompor, sentiu um ser agarrar-se em suas costas e notou que todos aqueles dez ou talvez mais seres estavam pulando em sua direção.
       Num ato de desespero, começou a bater com seu cajado em tudo que estivesse próximo. Com extrema destreza, sentia seus golpes acertando galhos, arbustos e criaturas, também percebeu que havia perfurado alguns seres e árvores.
       Ele podia ver que em cada batida que seu cajado desferia, criava-se uma onda de energia azul clara, aumentando o impacto e o poder de seus golpes.  Mas isso tudo parecia não ser suficiente para frear aqueles animais enfurecidos, nada adiantava, eles sempre voltavam, e cada vez mais rápidos, cada vez mais ferozes.
       Após alguns minutos de combate, Ragy Lemar golpeou com força demais uma árvore, partindo seu cajado ao meio. Sentiu o peso dos pequenos seres em suas costas e ombros e caiu de joelhos, sentia-os golpear e arranhar sua cabeça e suas costas, sua visão estava ficando turva, estava tonto, como quem pisa em terra firme após dias de navegação em mar aberto, sentia sua força se esvair.
       Mas reuniu toda a energia que ainda possuía em seu corpo e em sua alma e proferiu as palavras mágicas: “evanescente malum”.
       Um calor percorreu todo o seu corpo, seus pulmões queimavam, ele sentiu suas mãos formigando, sua cabeça parecia que ia explodir, gritou. Apertou os olhos com a luz forte que irradiou das palmas de suas mãos voltadas para cima, sentiu o peso em suas costas sumir, o vento frio da floresta passando em seus cabelos, ouviu apenas o silêncio, ficou aliviado, sabia que o mal fora embora, por enquanto.
       Ainda estava muito tonto e foi caindo ao passo em que perdia a consciência. Ao colidir de rosto com o chão abriu os olhos num susto, estava tudo claro, ele não estava mais na floresta, mas sim deitado numa pequena cama, em algum lugar desconhecido.
       A luz do sol invadia o pequeno cômodo pela janela de madeira empenada, com cortinas brancas manchadas, castigadas pelo tempo. Ragy Lemar estava em uma cama de solteiro de colchão mole, suas costas doíam.
       Ele não fazia ideia de como fora parar ali. A única coisa que lembrava era de estar no escuro e caindo. Ainda estava sonolento e com a visão um pouco turva, mas conseguiu distinguir em um dos cantos do quarto, próximo à porta entreaberta, apoiado no chão de madeira e na parede de pedras, o seu cajado partido ao meio.
       Instantaneamente, uma onda de frio percorreu sua espinha, e como em um flash ele se lembrou do confronto com as criaturas na floresta. Aquilo foi o suficiente para que ele despertasse de vez.
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    13 min
  • CNa#053: O Mago Louco (Parte 2) | Conto de Fantasia Medieval
    A loucura muitas vezes pode ser confundida com a falta de compreensão dos demais para com os objetivos de cada indivíduo, seria Ragy Lemar louco ou apenas um homem em busca de conhecimento e de explorar as possibilidades de seu mundo? Indicado para 14 anos ou mais.
     
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    Contos Narrados apresenta, “O Mago Louco (Parte 2)", um Conto de Fantasia Medieval.
    CAPÍTULO 2: Uma noite na taverna 
       Em uma pequena e destruída vila ao Leste da floresta, residiam alguns pobres coitados, que tinham como única alegria ir à taverna para lembrar dos tempos em que aquele lugar decrépito fora povoado, bonito e muito respeitado em todo o continente. Era conhecida como Vila dos Diamantes, por conta de uma caverna adjace nte ao mausoléu da antiga Igreja da Vila, que acreditavam ser uma fonte inesgotável de riqueza.
       Durante a última grande guerra entre os reinos do Norte e Sul, o grande exército sulista invadiu a pequena vila, foi uma batalha desleal e sangrenta. Antes que pudessem se dar conta do que lhes havia atingido, a Vila dos Diamantes fora praticamente extinta.
       Boa parte dos homens e mulheres, que não morreram na batalha, abandonaram aquele maldita vila, buscando um lugar melhor para viver. Naquela caverna, jogaram todos os corpos, vivos ou mortos, de quem se opusera aos sulistas e atearam fogo e uma maldição. Por fim, bloquearam sua entrada, garantindo que o reino do Norte não pudesse mais utilizá-la para financiar a guerra. A vila ganhou um novo nome: Vila das Cinzas.
       Agora, 15 anos depois do final da grande guerra, al guns aventureiros destemidos, ou gananciosos, ou ambos, arriscam-se a ir à vila desbravar a antiga caverna em busca de seus diamantes. Porém, não se sabe de ninguém que tenha saído de lá com mais do que histórias de como são peculiares seus moradores, ou de como a caverna é amaldiçoada. Alguns falam sobre esqueletos, outros sobre espíritos, existe até uma versão que fala sobre vampiros e wendigos. Apesar do histórico, todos concordam que na caverna há tesouros valiosos a serem descobertos e saqueados. 
       Voltando à taverna, lá estavam os seis peculiares moradores da Vila das Cinzas. Will Burley, o dono da taverna, e sua filha Dorothy, serviam prestativamente a todos que entravam em seu pequeno estabelecimento. Sentados ao balcão em bancos altos estavam a Madame Puff, dona da estalagem que servia como ponto de apoio para os visitantes da vila, com uma grande caneca de cerveja weizen, com um belo colarinho. Sentado ao seu lado estava o mau encarado Pratt Strongarm, ele sempre se gabava de ser o melhor ferreiro em um raio de quilômetros, que estava se deliciando com uma caneca de cerveja bem lupulada.
       Junto a eles, tomando uma discreta taça de vinho estava o padre Lucius, seus votos lhe impediam de sair daquele lugar, pois ele fora designado para cuidar da Igreja daquela pobre vila, então lá ele deve permanecer até seus últimos dias.
       Em uma mesa, um pouco afastado deles, estava um forasteiro. Bóris era um aventureiro que após uma excursão para a caverna se tornou um bêbado e nunca mais saiu da vila. Tomava um copo de whisky e arquitetava silenciosamente sua próxima excursão, a qual seria sua sétima tentativa.
       Todos estavam sentados na taverna, como faziam todas as noites, quando foram surpreendidos pelo grito desesperado de um homem, não longe dali. Correram para o lado de fora, curiosos e instigados a saber o que estava acontecendo, com exceção de Boris que estava ocupado demais em seus próprios pensamentos.
    - O grito veio de dentro da floresta! - afirmou o padre Lucius.
       Todos concordaram olhando fixamente para a entrada da trilha em meio às gigantescas árvores.
    - Alguém deveria ir lá ver se está tudo bem. - sugeriu Dorothy com voz trêmula.
    - Não há o que temer, minha jovem. - acalmou-a o padre. - Senhor Strongarm, o senhor poderia buscar uma de suas espadas para mim?
       Pratt Strongarm concordou com a cabeça e foi à ferraria buscar uma de suas espadas favoritas, feita com madeira de pau-ferro e cobre, com o fio banhado à prata polida.
    - Padre, eu vou com o senhor! - se ofereceu Will Burley, o dono da taverna. – Filha, toma conta de tudo por aqui, e não deixe aquele bêbado sair sem pagar!
       Os dois saíram em direção à floresta densa, o padre carregando a espada com uma das mãos e uma tocha na outra, enquanto Will levava apenas uma tocha para iluminar o caminho, os outros três os seguiam apreensivamente com o olhar.
       A floresta era densa e a trilha estreita o suficiente para que passasse apenas uma pessoa de cada vez, o padre Lucius apressou-se em ir na frente, seguido bem de perto por Will. Foi necessário andar apenas uns 200m para que eles pudessem achar a fonte daquele terrível grito.
    - Padre, olha ali! - alertou Will com espanto, apontando para o corpo de um homem estirado ao chão.
      Aproximaram-se com cautela, o homem aparentava ter uns 40 anos ou mais, tinha cabelos e barba castanhos e usava uma túnica azul marinho. Ele estava inconsciente, segurava um cajado partido um pouco acima do meio, com suas partes conectadas por um único pedaço de madeira fino, e estava com 3 arranhões muito próximos ao olho esquerdo, que pareciam ser das garras de algum animal.
       A área em volta do corpo estava uma bagunça, galhos quebrados, árvores perfuradas e cortadas, e a grama pisoteada.
    - Parece-me que ele foi atacado por alguma fera. Vamos tirá-lo daqui e levá-lo para a estalagem da Madame Puff, ela poderá conceder cuidados a esses ferimentos. - disse o padre Lucius com convicção.
    - Pode deixar que eu carrego ele! Fique atento no caminho e mantenha os olhos abertos pra essa fera não nos pegar de surpresa! – falou apreensivo Will Burley.
       O homem era pesado, e Will teve dificuldade de carregá-lo para a Vila, mas seu ego não o deixou se queixar. Ao voltarem para a taverna, Madame Puff e Pratt Strongarm ainda estavam no lado de fora, curiosos para saber o que teria acontecido.
    - Madame Puff... prepare uma cama pra... esse sujeito... ele vai precisar... de cuidados também... vou carregar ele... pra estalagem. – falou Will, ofegante.
    - Eu te ajudo a carregar! – se ofereceu Pratt.
    - Não precisa! Tá.. tá leve! Tá tranquilo..
    - Homens... – disse baixinho Madame Puff revirando os olhos enquanto se apressava para arrumar uma cama para aquele homem desacordado.
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    13 min
  • CNa#052: O Mago Louco (Parte 1) | Conto de Fantasia Medieval
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    ▬ Autor:
    Leo Rodrigues.
    ▬ Narração:
    brendo Santos.
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    CAPÍTULO 1: Na trilha
    Era uma noite fria e sem luar, apesar de não ser inverno. No grande continente de Etron era comum a temperatura ficar mais baixa, suas gigantescas árvores com copas atingindo mais de 100m de altura estavam úmidas.
    O céu estava escuro como um poço fundo, porém recheado de infinitas estrelas formando constelações que davam asas à imaginação dos homens, estes se reuniam em volta das fogueiras para contar histórias de outros tempos. Histórias de como surgiram a terra, o céu, os homens, as mulheres, os mares, as montanhas, histórias incríveis sobre heróis de um tempo longínquo, bem como sobre os heróis dos dias presentes.
    Cantarolavam, ao som de batuques e flautas, cantigas que seus avós lhes ensinaram, algumas sobre magos poderosíssimos e como eles podiam controlar a natureza, como venceram a guerra contra os dragões e os gigantes, até mesmo como eram capazes de enganar o próprio tempo e a morte. Naquele tempo a magia era farta, mas escasseou e apesar de ainda existirem magos  agora são raros e não têm mais o prestígio de outrora.
    Em algum lugar no Norte, no meio da floresta de Doow, havia uma trilha antiga já quase inteiramente recoberta por arbustos e capim. A mata primária fechada, unida à escuridão e aos sons dos animais daquela região criava uma atmosfera de tensão e terror para qualquer humano comum, mas Ragy Lemar não era uma pessoa ordinária, era conhecido como "o louco".
    Ele tinha 1,70 m etro, cabelos e barba compridos e castanhos, assim como os olhos fundos. Era forte, tinha porte físico atlético devido aos anos de treinamento em combate e a pele branca bem bronzeada, por conta de suas peregrinações. Apesar de ser um homem bonito, não cuidava de sua aparência, estava sempre com os cabelos emaranhados e despenteados, a barba cheia e desalinhada.
    Ele vestia uma túnica azul marinho com uma corda prateada amarrada na cintura e carregava consigo um grande cajado, com uma turmalina extremamente bem polida na ponta, que o auxiliava a atravessar trilhas difíceis, além de ser o seu xodó.
    Ragy Lemar tinha por volta de 30 anos, mas aparentava ter mais, suas muitas cicatrizes lhe garantiam um ar de experiência, já seu jeito calado, de sabedoria.
    Ele não sabia ao certo porquê estava naquela trilha, mas confiava inteiramente em seus instintos, sentia em sua alma que no fim daquele caminho esquecido haveriam grandes glórias e sabia também que, como um bom mago, sua intuição jamais o enganaria.
    Ali naquela floresta assombrosa, lembrava-se de sua infância, de como sua mãe costumava dizer para que ficasse longe do bosque nos fundos da fazenda da família Lemar, pois lá morava uma criatura terrível, que em noites sem lua saía para caçar e rasgava as entranhas de alguns animais da pequena propriedade para se alimentar.
    Revivia em sua memória o dia em que se deparou com a criatura. Em uma manhã ensolarada, estava brincando de pique com seu primo mais velho, e sem perceber, correram bosque adentro. Seu primo, Felan Magrab, conseguiu despistá-lo e quando finalmente se deu conta de onde estava, o pequeno Ragy congelou de medo.
    Como se não bastasse, avistou bem à sua frente, olhando diretamente para ele, um lobo negro com olhos amarelos e os dentes brancos e afiados para fora da boca espumando saliva, rosnando e com as orelhas rijas em pé, em posição de ataque.
    O jovem estava paralisado, mal conseguia respirar de tanto medo, seus olhos vidrados naquela criatura magnífica e aterrorizante. Queria correr, gritar, mas seu corpo não o obedecia. A criatura se agachou preparando o ataque.
    Naquele momento, o chirriado de uma coruja chamou sua atenção afastando suas lembranças. Caminhando por aquela trilha podia enxergar graças à luz bruxuleante que emanava de sua turmalina, não era forte, mas transformava a escuridão completa em uma leve penumbra.
    A atmosfera naquela floresta era desconfortável. Ragy acreditava que seu grande poder inspirava cobiça, e desde que abandonou o passado em sua terra natal, tinha a sensação de que estava sendo seguido, sabia que não era coisa boa.
    Ouvindo um farfalhar atrás de si naquela trilha abandonada decidiu acelerar o passo. Desviando de galhos secos retorcidos, tocos, raízes, até mesmo de algumas árvores caídas no caminho. Seguiu sempre confiante, sem olhar para trás.
    Sem se dar conta, suas memórias voltavam a aflorar, e se via novamente paralisado de medo em frente àquele animal negro, pronto para rasgá-lo como fazia com os animais da fazenda.
    Mas antes que fosse tarde demais, em um ímpeto para salvar a própria vida, o jovem saltou para o lado, rolando uma pequena ribanceira abaixo. Ela tinha não mais que 4 metros de altura, mas o suficiente para quebrar a perna direita, dois dedos da mão esquerda, ter alguns arranhões e desviar da investida da fera, que parecia degustar cada momento, como se estivesse se alimentando do desespero daquela criança.
    O lobo descia calmamente a ribanceira, saltando com maestria entre as raízes retorcidas, acercando-se daquele sujeito indefeso, com uma postura de superioridade e poder, parecia saber que seu almoço estava servido.
    - FELAAAAAN!!! ME AJUDA! – Gritava o pequeno rapaz desesperado. Mas não tinha respostas, além de um rosnado feroz.
    O lobo se aproximava vagarosamente, enquanto Ragy tentava se arrastar para longe dele, desesperado. Contudo, percebeu que era inútil tentar fugir, então procurou algo que pudesse usar como arma à sua volta. Jogou algumas pedras no lobo, que não surtiram  efeito algum, e o animal o alcançou, pisou em sua perna quebrada, ele gritou. Pisou em seu peito com as duas patas dianteiras, o peso do bicho era impressionante, comprimia seus pulmões, não conseguia respirar, quis gritar, mas o som não saiu.
    Aquela fera negra aproximou-se do rosto de sua presa cheirando-a, era possível sentir o bafo quente de sua respiração, e lambeu seu rosto deixando-o babado. O jovem tinha se entregue, quando ouviu ao longe seu primo gritando: “Ragy! Cadê você? Sua mãe vai matar a gente se não voltar para casa agora! ”.
    Foi o suficiente para chamar a atenção do lobo, que desceu as patas dianteiras para o chão, e como uma medida desesperada, Ragy alcançou um galho partido esticando seu braço direito e enfiou-o com toda a força que tinha no pescoço do animal, que soltou um ganido estridente e começou a se debater tentando tirar o galho enfincado em seu pescoço, até cair no chão soltando um leve uivo de sofrimento.
    - Ragy! Até que enfim! O que aconteceu? Você está machucado! Vamos pra casa, eu te ajudo. – Disse Felan em uma mistura de alívio e preocupação.
    - Felan, cuidado! Ele ainda pode estar vivo... – Alertou Ragy - O lobo... eu, eu... tanto medo, achei que, que ele ia.. eu ia mor.. – Ragy Lemar desabou em lágrimas e soluços.
    - Do que você está falando? Está tudo bem agora, eu vou te levar pra casa! Fique calmo, primo. Está tudo bem, eu estou aqui! Não vou mais te perder de vista.
    Ragy tentou se acalmar, e respirou fundo para poder avisar ao primo: “O lobo, temos que levar o lobo, eu matei ele! Ele está ali, vamos levar ele!”
    - Ragy, do que você está falando? Não tem lobo nenhum! Deve ser efeito da queda, você deve ter batido a cabeça. – Disse Felan bem preocupado.
    Ragy se virou para onde o lobo tinha caído, e viu que realmente ele não estava mais lá, nem ele e nem o galho partido.
    Todos que ele conhecia na pequena cidade acharam que ele estava mentindo quando contava essa história, que ele havia inventado isso, pois era vergonhoso demais admitir que caíra sozinho e quebrara a perna no bosque.
    Aos poucos, com as recordações de todos lhe dizendo que era um mentiroso, foi voltando sua atenção novamente para o presente, aquilo já não o incomodava mais.
    Ao passo em que avançava na trilha, sentia uma angústia crescente em seu peito, sua respiração estava ofegante, ele suava frio, segurou o cajado com mais força para que não escorregasse da mão suada, sentia uma pressão pulsante atrás dos olhos, suas pupilas dilatadas e os pêlos arrepiados.
    Já sentira essa sensação antes, quando encarou o lobo pela primeira vez e várias outras vezes. Sabia que o mal o alcançara, estava quase no final da trilha, mas não tinha outra opção, Ragy Lemar precisava enfrentá-lo.
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    16 min
  • CNa#042: As Desventuras de Égout | Conto de Fantasia Medieval
    Égout nunca fora dos mais sortudos, mas sempre fora obstinado. Acompanhe as desventuras de Égout, e descubra que até o poço mais profundo possui uma saída.
     
    Contos Narrados. Aqui você encontra mais um conto sonorizado produzido pelo do RPG Next.
    Coloque seu fone de ouvido e curta!
    ▬ Autor:
    Renato Soares.
    ▬ Narração:
    Wevison Guimarães.
    ▬ Masterização, sonorização e edição:
    Rafael 47.
    Contos Narrados apresenta, “As desventuras de Égout”, um Conto de Fantasia Medieval.
    Era perto da hora do almoço em Luskan. Conhecida como a Cidade das Velas, uma cidade portuária na foz do Rio Mirar, na Costa da Espada do Norte. Se fosse um lugar normal as crianças estariam brincando, contudo houve uma briga.
    O pestinhas tinham por volta dos 7 anos, de um lado um rapaz magro, pele escura, orelhas pontudas, olhos amendoados e cabelos aparentemente prateados, naquele momento eram beges de tão sujos. Ele estava dentro de um saco de grãos com aberturas para os braços, pernas e a cabeça, considerando-o sua veste.
    Do outro, um garoto de aparência robusta, ossos largos, cabelos encaracolados, amarelos e brilhantes. Seus olhos eram azuis como um céu límpido de uma tarde primaveril e suas vestes eram de tecidos caros, tão bem alinhados quanto fosse possível a um excelente alfaiate de uma família abastada.
    As demais crianças torciam, gritavam e incentivavam a briga.
    Ambos rolavam pelo chão aos tapas, mordidas e beliscões. E tão logo a disputa se encerrou, todos começaram a debandar exceto o perdedor, que deitado no chão levantou o braço esquerdo, apontou o punho cerrado para o céu e disse em tom de ameaça:
    – Se insultar minha mãe novamente, William, provará minha ira mais uma vez!!!
    William apenas se virou, cuspiu sobre o derrotado e disse:
    – Vá se danar Égout!!!
    Ambos voltariam a brincar e a brigar novamente. Afinal, assim eram as crianças daquela região.
    O jovem William sempre diminuía o pobre Babel, lhe atribuía apelidos, entre eles, um que vai carregar pelo resto da vida: Égout ou esgoto em uma língua antiga. Idioma do qual o rechonchudo se gabava por saber algumas palavras. Em contrapartida, o pobre garoto jamais se apequenou e não se deixava insultar, apesar de sempre apanhar.
    Assim era o relacionamento de William e Babel. O primeiro, um garoto de classe média alta, cujo pai era um importante ourives da região. O segundo, um bastardo, cuja mãe trabalhava como cortesã, na taverna Jax Caolho, a mais frequentada da cidade.
    As confusões dos dois meninos, sempre repercutiam pela cidade. E nesse momento os amigos de sua mãe, em sua maioria músicos da taverna, geralmente intervinham. Eles iam resgatar o garoto maltrapilho, ofereciam-lhe banho, remédios, comida e um aposento para repouso. Além é claro de entretenimento e ensinamentos, músicas e rimas, a pedido da senhora Vivian Durand, a meretriz mais atraente da bodega local ou simplesmente a mãe de Babel, uma elfa negra legítima.
    Apesar de sua profissão, Vivian fazia todo o possível para estar presente na vida de seu filho, muito amável diariamente lhe contava uma história fantástica, advinda das aventuras de seus amantes ou mesmo dos livros que gostava de ler.
    Nesses momentos mais intimistas, o garoto chorava, contava sobre suas derrotas, seus sentimentos e perguntava sobre o paradeiro do pai. E sua mãe sempre lhe dizia palavras doces e reconfortantes, mas mudava de assunto, lhe pedia para esquecer aquele que jamais retornaria.
    Com o tempo o jovem, Babel “Égout” Durand, começou a entender o que sua mãe fazia, e porque desconversava quando o assunto paternidade vinha à tona. Passou a buscar alternativas para tirá-la dessa vida.
    Ele começou a trabalhar na taverna aos 10 anos como aprendiz de cervejeiro. Aos 12 assumiu o cargo de atendente e aos 14 tornou-se balconista taverneiro. Todavia, o dinheiro que o trabalho lhe assegurava era insuficiente para realizar seu sonho.
    Um dia, enquanto fazia compras pela cidade, envolto em seus pensamentos derrotistas e sobre como lucrar mais, avistou uma moça encantadora. Era linda, esguia e tinha a pele branca como a neve, os cabelos negros como a mais densa escuridão noturna, olhos cor de mel tão claros quanto era possível e lábios praticamente simétricos, que se assemelhavam a um arco de cupido retesado.
    Babel só conseguia enxergar a bela garota. Mais tarde soube que tratava-se de Arwen Fay, filha de uma das famílias nobres mais ricas da região.
    Foi amor à primeira vista, mas também um infortúnio, pois se não conseguia nem ao menos tirar a mãe daquela vida, como causaria boa impressão na garota de seus sonhos?
    A resposta era uma só: trabalharia mais do que antes.
    Ele procurou os bardos da taverna, que lhe ensinaram alguns truques sobre entretenimento, inclusive sobre interagir com garotas de maneira cavalheiresca.  O que lhe rendeu um novo ofício e também mais gorjetas, devido a predileção dos clientes por seu atendimento, cheio de floreios e frases caricatas.
    Mas sua ansiedade juvenil era deveras inquietante, foi quando a oportunidade de se aproximar de sua bela apareceu, no festival de primavera. Um evento especial feito para a nobreza, bastava entrar e estaria frente a frente com sua paixonite.
    E após outra briga com William, que se gabava por ter acesso ao festejo frente aos amigos, Babel conseguiu as entradas. Durante o embate, o garoto tomou os ingressos de forma sorrateira… e outra surra.
    O rapaz tratou de comprar roupas apropriadas à ocasião, passou dias lavando seus cabelos encardidos e pediu para que sua mãe lhe fizesse um penteado charmoso.
    Na fatídica noite de pompa, com os mais variados nobres, e obviamente deslocado, Babel partiu para a ação e logo conseguiu uma brecha para cortejar sua dulcinéia.
    Tudo se encaminhava bem, o galã conseguiu tomar Arwen para uma dança, fez alguns meneios insinuantes e usou palavras doces ao pé do ouvido. A efetividade de suas ações foi delatada pelo sorriso e face ruborizada de sua amada, contudo, ao perceber a presença do bastardo da taverna, os pais de Arwen foram ao seu encontro no meio do salão, puxaram-na de seus braços, lhe insultaram e por fim o jogaram na sarjeta.
    Mesmo aos cacos e com o orgulho em frangalhos, proferiu-lhes uma promessa:
    – Vou ficar tão ou mais rico que vocês e jamais passarei por tal humilhação novamente!
    Todos apenas riram das asneiras daquele degenerado.
    No dia seguinte, Babel chamou sua mãe e lhe disse:
    – Vou embora da cidade, pois preciso juntar dinheiro suficiente para deixarmos essa vida, não aguento mais passar por humilhações e apenas com o meu trabalho atual é impossível, morreremos de trabalhar e continuaremos pobres.
    O jovem, que havia completado 15 anos, juntou alguns pertences e saiu para desbravar Faerûm. No início apenas se apresentava com os demais bardos, com o qual aprendeu a tocar vários instrumentos. Eram aclamados por onde passavam. Ao longo de suas apresentações, usava a alcunha de Durand.
    Logo foi convidado por um grupamento militar da região, para se juntar ao batalhão de música e servir à nação. E durante o tempo de guarnição, aprendeu a manusear armas e a rigidez das rotinas da corporação. Contudo, apesar de ganhar mais do que antes, ainda não era o suficiente para que sua mãe pudesse se aposentar e a sensação de incapacidade sempre retornava.
    No quinto ano de exército, o soldado Durand havia desaparecido durante um cerco e foi dado como morto. A verdade é que ele havia desertado, após ouvir rumores sobre cultos que reverenciavam entidades sobrenaturais, onde os sacerdotes recebiam altos valores dos fiéis. O interesse foi tamanho que resolveu simular seu desaparecimento e buscar mais informações a fim de se tornar um acólito.
    Novamente o garoto se aventurou em meio a pessoas perigosas, no Culto do Ódio Uivante, adoradores de Yan-C-Bin, contudo, algum tempo depois percebeu que para ter acesso aos ganhos da organização teria que subir bastante na hierarquia, isso lhe custaria anos de trabalho e uma lavagem cerebral. O pensamento da seita já havia começado a perverter sua mente e lhe desvirtuar do seu objetivo. Foi então que reuniu forças, recolheu alguns pertences e partiu no meio da noite.
    A experiência, fez o meio-elfo se afundar em sentimentos negativos, ter pensamentos suicidas, comer mal e dormir o dia todo por quase seis meses. Nesse período conturbado, o jovem usou seus ganhos para garantir um teto e alimentação. E foi a imagem de sua mãe que o manteve firme, para poder enxergar a saída da escuridão e recuperar-se do abuso espiritual e emocional.
    O rapaz, escondeu-se das facções por anos e após conseguir apagar seu rastro dos cultistas, retornou para o seu objetivo. Não sem sequelas, adquiriu um tique que afetava seu sistema motor e o fazia estalar o pescoço a todo o momento.
    Aos 28 anos e mais maduro, Durand havia adquirido uma rede de contatos interessantes o suficiente para ser convidado a filiar-se aos Harpistas, recusou de pronto, pois não queria perder o foco novamente.
    E com 35 anos, havia conseguido juntar bens suficientes para finalmente dar a vida que sua mãe merecia e tomar a mão de sua amada em casamento. Porém, a vida lhe reservava mais um duro golpe. Ao chegar na cidade descobriu que Arwen havia se casado com William e a desolação se tornou ainda maior quando soube que sua mãe estava doente há algum tempo. À essa altura a bela Vivian, uma drow de 170 anos, havia vivido ao máximo.
    Poucas semanas depois, sua mãe veio a falecer. A vida de Durand tinha perdido o sentido, passou anos trabalhando e não conseguiu alcançar seus sonhos. E como meio Elfo, ainda viveria por mais de 100 anos carregando tal fardo.
    Após o sepultamento, ele foi caminhar pelas ruas de Luskan, com um olhar melancólico e distante. Em sua mente inquieta, se perguntava: com toda aquela pobreza e sofrimento, de onde os cidadãos arrumam forças para continuar? Porque apenas os nobres viviam com pompa e suas crianças eram alfabetizada
    20 min

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