O movimento (com pitadas de audácia e ambição) que levou os norte-americanos à lua pode colocar a Amazônia em um lugar de destaque na construção de um Brasil mais próspero. A ideia de um moonshot brasileiro, defendida por Denis Minev em artigo no jornal O Globo publicado em abril deste ano, foi o que trouxe o empresário amazonense ao podcast As Amazonas. No texto que nos encantou, assinado em conjunto com o pesquisador Salo Coslovsky, Minev defende que o País pode tornar-se uma potência econômica ainda nesta década se usar de forma inteligente os mais de 70 milhões de hectares já desmatados da Amazônia, hoje abandonados ou subaproveitados. O “rematamento” da floresta combinaria a restauração da vegetação nativa com a recuperação de áreas degradadas onde se produziria óleo, frutos, peixe, madeira e até carne. “O Brasil olha para a Amazônica como um problema. E com uma ‘baixa ambição’ para a região: eliminar o problema ambiental”, provoca ele logo no começo deste episódio ao dizer que é preciso um projeto de futuro. É preciso pensar grande, afirma ele, e no lugar de discutir “só” como frear o desmatamento, deveríamos nos questionar: como fazer ciência na Amazônia? A ideia de pensar grande permeia este importante episódio do podcast As Amazonas, em que Denis Minev fala também sobre as a Zona Franca e os decretos do IPI, sobre produtividade e o novo conceito de lucro (em que a sociedade demanda que as empresas façam mais e tenham um papel social), sobre negócios amazônicos e sua Aceleradora de Impacto Amaz. E sobre como é viver sob a gratificante sombra de seu avô, o amazônida Samuel Benchimol, que escrevia para os netos nas dedicatórias de seus livros uma quase-profecia: “Aos meus netinhos, que viverão, trabalharão e construirão a Amazônia do século 21”.