Amigo ouvinte, Números 31 é um dos capítulos mais desafiadores da Bíblia. Os versos 17-18 são utilizados por críticos para questionar o caráter de Deus, considerando-os de modo raso, como o reflexo de um pensamento tribal, primitivo. Porém, quando empregado em relação a Deus, o verbo hebraico naqam (geralmente traduzido como "vingar") representa mais as ideias de "reparação" e "vindicação".
Os midianitas, especialmente mulheres, foram os agentes da estratégia de Balaão, que levou mais de 24 mil israelitas à morte (Nm 25:1e9). O sentido de naqam nesse contexto está mais ligado à ideia de reparação, pois, na ordem divina (Nm 31:2), pois quando verificamos no hebraico, a "vingança" é tomada "dos midianitas", e não "contra" os midianitas. Tanto o AT quanto o NT, apresentam uma teologia em que a vingança humana é falha, mas a divina é perfeita e soa mais como juízo, retificação (1 Sm 24:12-13; Pv 20:22; Is 35:3-4; Rm 12:19).
Contudo, ainda assim a ordem para matar mulheres e crianças não deixa de ser chocante, especialmente após os genocídios da era moderna. Revela cenas trágicas do grande conflito, bem como questões além de nossa compreensão. Mesmo assim, a cruz de Cristo pode silenciar todos os questionamentos contra o caráter de Deus, porque, obviamente, um Deus que Se sacrifica por amor (Jo 10:11) não tem como ser acusado de ser injusto e cruel, você concorda comigo? Então, valorize o amor de Deus por você, ao ler Números 31, ok? (Fonte: Diogo Cavalcanti, Revista Primeiro Deus 2019, p. 53).