O Autores e Livros – Dose Extra dessa semana recebe o escritor e diplomata Raul de Taunay, autor de poesias, romances, crônicas, ensaios e artigos. Na entrevista, Raul fala de poesia, de tempos pós-pandemia, de O Sol do Congo”, seu livro mais recente, e do relançamento de “Meu Brasil Angolano”. Sobre sua obra, o poeta Carlos Nejar, romancista e crítico literário, membro da Academia Brasileira de Letras, comparou-o com Arthur Rimbaud, no Barco Ébrio, por recobrar nas palavras todas as confluências de sua poesia errante, de país em país, “carregando o eito de si mesmo, procurando alguma constelação perdida”. Seu romance “Meu Brasil Angolano”, publicado originalmente em 1993, ganhou uma nova edição em 2021, pela Editora Pandorga. “Meu Brasil angolano” é um romance que cativa. Tem como cenário a cidade de Luanda, Angola, em fins de outubro de 1992, quando o autor, em missão diplomática, presenciou fatos históricos da guerra civil que, por décadas, sangrou aquele país, com destaque para uma batalha em que as tropas do MPLA e da Unita, milícias opositoras, pela primeira vez, encontraram-se face a face dentro do perímetro urbano da capital angolana. E o livro de poemas “O Sol do Congo” é o seu mais recente trabalho. “O Sol do Congo” foi escrito em Brazzaville entre 2016 e 2020, período em que o autor viveu nessa cidade africana que permeia e atravessa boa parte dos poemas aqui apresentados. Os cenários exóticos e os temporais dessas paisagens remotas se misturam ao lirismo e à sensibilidade de Raul de Taunay, poeta afeito à tradição clássica, de rimas e sonetos, dando um colorido especial e um sabor inesperado aos seus versos e fazendo um contraponto entre o mundo externo, com suas belezas e intempéries, e o mundo interno das paixões e sentimentos que conduzem o fio da escrita.