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Se a virada do milênio prometia a possibilidade de outro mundo à uma juventude que, para além da prática política, experimentava outras formas que questionavam a estrutura do poder, da cultura e da comunicação tendo a música como vetor, nos anos 2010 esse horizonte começa a nublar e as mobilizações políticas e estéticas à esquerda sofrem um revés que culmina na ascensão da extrema-direita no Brasil.
Nessa conversa com Rodrigo Lima visitamos algumas obras de sua banda, o Dead Fish, e como os atravessamentos políticos refletiram na sua escrita e na organização das cenas, coletivos, selos, artistas e da indústria fonográfica.
Arte de Flávio Grão
O Free Jazz enquanto expressão não só significou a extrapolação dos parâmetros musicais do jazz, mas também trouxe consigo um repertório político e simbólico que se relacionariam profundamente com dimensões materiais de outros campos – interagindo, contribuindo, compondo e incorporando em sua forma os processos das lutas da população negra estadunidense e africana.
Como aproximar o punk das mobilizações que historicamente lutaram e lutam pelo direito à cidade? Podemos especular a influência das produções dos anos 60 próximas aos situacionistas e a crítica ao urbanismo moderno, podemos especular a influência dos happenings do Provos, grupo holandês que tinha a cidade como palco para ações de desvio e ocupação tensionando a relação entre o público, o privado e as autoridades, e de forma mais crua, até pensar em como o ganguismo redesenhou a geografia da cidade partindo de uma outra configuração de fronteira.
O que há no percurso que conecta percepções de mulheres negras envolvidas com o punk, com suas diferenças de espaço e tempo, geografia e geração, entre o centro e a periferia da economia, da produção cultural e intelectual?
Desvio, expropriação, cópia, roubo… são muitas as formas de qualificar a prática da pirataria. Uma prática que hoje talvez tenha perdido o sentido, mas que há muito tempo exerce a função de descentralizar e redistribuir cultura.
Depois de mais de um mês sem episódios, voltamos!
Ao fim da segunda guerra mundial, a Inglaterra, apesar de vitoriosa, se vê na necessidade de reerguer suas estruturas estremecidas pelos quase 20 anos de conflito entre os países Aliados e os do Eixo. Para sua reconstrução, mão de obra indiana, paquistanesa e caribenha foi incorporada a partir de facilitações nos processos de integração dos imigrantes à sociedade britânica. Com esses imigrantes, veio a cultura, e dessa integração entre os imigrantes e os ingleses, revelam-se novos dilemas nas relações entre a juventude.
As correspondências via carta nos anos 80 e 90 foram talvez a única forma dessa geração se corresponder, a mais barata e acessível, mas ao mesmo tempo, foi a principal plataforma para o exercício da escrita e da leitura, do esforço de entender e se fazer entendido, de responder a uma outra temporalidade que está longe de pertencer a lógica do imediato e do simultâneo.
Dentre os discos mais importantes do punk nacional, dois são coletâneas. Coletâneas frutos da mobilização de duas bandas que abrem mão de lançar um disco individual, como o Cólera (no caso do Sub) e Olho Seco (no caso do Grito Suburbano), para incluir outras bandas no registro. Aqui temos o primeiro registro daqueles que tiveram a forma independente como método e como princípio, daqueles que tinham na sua negação a sua atividade.
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