Marli Vitorino é a enfermeira que trabalha, desde o primeiro dia da pandemia, na linha da frente.
Sente, há quase um ano, a pressão das horas e dos minutos nos cuidados intensivos no hospital de Santa Maria.
Os turnos podem demorar 16 horas e a vida fica sem um respirar fundo. Leva a dormência emocional. Os enfermeiros e todos os profissionais de saúde são super heróis, mas daqueles que não cabem nas tiras de banda desenhada. São heróis e heroínas reais e exaustos.
Marli é o exemplo de uma jovem enfermeira, tem 30 anos, que procurou refúgios para a alma e um deles, por um mero acaso, foi um papel e um lápis. Foi aqui que a pandemia começou a ganhar, no mundo de Marli, cor.
O bicho de sete cabeças falou com ela, porque quis gravar aqui uma história na primeira pessoa sobre os corredores e as camas dos hospitais, sobre a vida e a morte, sobre a amizade, sobre o medo e a superação, sobre os profissionais de saúde que são humanos como nós.