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A sexta-feira não teve trabalhos da CPI, mas nem por isso deixou de ser agitada em Brasília. O ministro Ricardo Lewandowski do Supremo Tribunal Federal concedeu em partes um habeas corpus para que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello possa se calar durante seu depoimento na próxima quarta-feira, 19, na CPI da Pandemia, quando julgar que sua resposta pode lhe autoincriminar. As reações de membros da comissão foram distintas, mas parecem abrir portas para uma nova abordagem: extrair de Pazuello os fatos e condutas relativas a terceiros. Dentre elas, decisões de outras autoridades, como a do presidente Bolsonaro em desautorizar, publicamente, o ex-ministro a fechar contrato para a compra de doses da vacina Coronavac. A decisão do STF dá ao presidente uma chance de regimentar a tropa para lidar com os avanços das investigações e a tendência de alta nas pesquisas do ex-presidente Lula para as eleições de 2022.
Nesse episódio, a análise é do depoimento do ex-presidente da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo, agora gerente-geral da companhia para a América Latina, sobre as tratativas atrapalhadas para compra de vacinas pelo governo brasileiro. Murillo forneceu uma cronologia extensa das negociações, bem como uma lista volumosa (suficiente para abrigar 70 milhões de doses de vacina) aos senadores. O executivo abordou ainda as supostas "cláusulas leoninas" do contrato, a demora do governo federal para responder às diversas propostas e cartas enviadas e uma reunião, no mínimo curiosa, com a presença de Carlos Bolsonaro e Filipe Martins - assessor especial da presidência e o mesmo que fez um sinal em referência a supremacistas brancos durante uma audiência do senado neste ano - que não integram o Ministério da Saúde, principal responsável pela compra de vacinas.
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