“Prefiro ser um homem de paradoxos que um homem de preconceitos”. (Jean-Jacques Rousseau)
Nós e os nossos estereótipos
O veterano subia por uma rua, quando viu ao longe um menino, abaixo certamente de 20 anos.
Uns dias antes, tiveram uma longa conversa sobre a vida e a Bíblia, a razão e a fé, a liberdade e o
Pouco depois, o rapaz mandou um pequeno texto ao veterano, que ficou assombrado com a
precisão do pensamento, a lucidez da forma, a polidez dos parágrafos, a graça da gramática, pelo
que respondeu, maravilhado: “magnífico”.
Mais uns dias, o menino prometeu:
— Precisamos conversar de novo.
E agora vinha ele, franzino, calçada abaixo.
Seguia para algum destino, trajado de bermuda, camiseta, chinelos baratos e o cabelo pintado de
um amarelo, que o olhar do veterano classificou secretamente de “horrível”.
A silhueta não combinava com alguém que pensava tão bem e tão bem se expressava.
Teve o veterano que pensar como se deixara levar pela força do estereótipo.
Idealizamos como as pessoas devem ser.
Imaginamos com o que as pessoas devem se parecer.
Ficamos confusos quando nossas impressões sobre as pessoas são superadas pela realidade.
Se não nos corrigirmos, deixaremos de ouvir quem muito tem a nos dizer.
Se nos mantivermos fechados para quem é diferente de nós, deixaremos de aprender.
Se não nos cuidarmos, nosso estereótipo vai em preconceito se converter.
Pouco importa o jeito como uma pessoa anda, a roupa que usa, o adereço que põe sobre o seu
corpo, que é o que podemos ver.
Numa pessoa o que vale é o seu caráter, a sua competência, a sua criatividade e a sua compaixão
— é isto que devemos nos esforçar para perceber.
“Com o critério com que vocês julgarem vocês serão julgados; e com a medida com que vocês tiverem medido vocês também serão medidos”. (Mateus 7.2)