A dificuldade para mulheres entrarem na política não está apenas na falta de recursos ou na resistência dos partidos. Segundo a secretária estadual de Mulheres do PSB em Minas Gerais, Laura Costa, candidatas também enfrentam o descrédito sobre a própria capacidade eleitoral. Para ela, quando uma mulher demonstra força nas urnas, deixa de ser vista apenas como uma candidata e passa a ser percebida como uma ameaça dentro da disputa política.
“Quando eu fui candidata, todo mundo falava: ‘essa menina, gente bonitinha, até tem umas coisas, não vai ter 200 votos’. Eu era colocada na chapa com 183 votos, para ser mais clara. Não tem padrinho político, não tem dinheiro. Essa cara de nova dela não vai ter voto. Quando eu tive mais do que dez vezes essa votação, assustaram e falaram: ‘Uai, que menina!’. E aí, de repente, você torna uma ameaça, você não se torna escolhida. Essa é a grande diferença. Então não acreditam no seu poder de chegada. Quando a chegada está próxima, tentam te tirar dela”, afirma.
Em conversa com as jornalistas Érika Giovannini e Janaína Fonseca, Laura Costa fala sobre a própria experiência como candidata a vereadora, os obstáculos para ampliar a presença feminina na política, a violência política de gênero e a disputa pelo voto das mulheres. Secretária estadual de Mulheres do PSB, ela também detalha o trabalho da legenda para formar novas lideranças femininas e defende que mais mulheres estejam nas mesas de decisão dos partidos e dos governos.