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O Timo era meu vizinho de apartamento em 1984. Eu nunca soube seu nome, mas o apelido era Timo. Tinha uns trinta e poucos anos e vivia com uma moça linda e magérrima, cujo nome não me lembro mais. Ela era modelo fotográfico e de passarela. Formavam um belo casal.
Uma manhã, acordei com um falatório no corredor. Espiei pelo olho mágico e vi uma agitação, pessoas estranhas pra lá e pra cá, vestindo fardas. Era a polícia. E estavam apressados, apavorados até.
Refeito do susto, corri para a janela. Lá embaixo, uma ambulância. Em segundos uma maca é colocada em seu interior e ela arranca apressada. Assustado, fui falar com o zelador.
- “O ´seu´ Timo se atirou” foi a resposta também assustada.
Demorei a entender o “se atirou”. O zelador quis dizer que o Timo havia se suicidado. Desesperado após uma briga com a companheira, entrou no quarto e deu um tiro em si mesmo. Portanto, “se atirou”.
Trinta anos depois, não me esqueci do “seu Timo se atirou”. Aquele lance de humor involuntário num momento trágico me marcou profundamente.
Que poder o humor tem de causar tal impacto mesmo quando coisas muitíssimo mais importantes estão à nossa frente, não é? E se o humor tem esse poder, devemos usá-lo de forma inteligente, você não acha? Com o humor, conseguimos rir de nós mesmos. Conseguimos aliviar os momentos de tensão. Conseguimos nos vingar de quem nos atormenta.
Não sei o tamanho do problema nem o que se passava pela mente perturbada do Timo, mas alimento uma dúvida. E se ele tivesse enfrentado seus problemas com humor?
Talvez levasse uma vida menos atormentada...
Talvez trocasse o desespero pela esperança...
Talvez passasse do choro ao sorriso...
Talvez salvasse sua alma...
Mas, não.
Carente de humor, seu Timo se atirou.
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By Luciano Pires & Café Brasil Editorial Ltda5
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O Timo era meu vizinho de apartamento em 1984. Eu nunca soube seu nome, mas o apelido era Timo. Tinha uns trinta e poucos anos e vivia com uma moça linda e magérrima, cujo nome não me lembro mais. Ela era modelo fotográfico e de passarela. Formavam um belo casal.
Uma manhã, acordei com um falatório no corredor. Espiei pelo olho mágico e vi uma agitação, pessoas estranhas pra lá e pra cá, vestindo fardas. Era a polícia. E estavam apressados, apavorados até.
Refeito do susto, corri para a janela. Lá embaixo, uma ambulância. Em segundos uma maca é colocada em seu interior e ela arranca apressada. Assustado, fui falar com o zelador.
- “O ´seu´ Timo se atirou” foi a resposta também assustada.
Demorei a entender o “se atirou”. O zelador quis dizer que o Timo havia se suicidado. Desesperado após uma briga com a companheira, entrou no quarto e deu um tiro em si mesmo. Portanto, “se atirou”.
Trinta anos depois, não me esqueci do “seu Timo se atirou”. Aquele lance de humor involuntário num momento trágico me marcou profundamente.
Que poder o humor tem de causar tal impacto mesmo quando coisas muitíssimo mais importantes estão à nossa frente, não é? E se o humor tem esse poder, devemos usá-lo de forma inteligente, você não acha? Com o humor, conseguimos rir de nós mesmos. Conseguimos aliviar os momentos de tensão. Conseguimos nos vingar de quem nos atormenta.
Não sei o tamanho do problema nem o que se passava pela mente perturbada do Timo, mas alimento uma dúvida. E se ele tivesse enfrentado seus problemas com humor?
Talvez levasse uma vida menos atormentada...
Talvez trocasse o desespero pela esperança...
Talvez passasse do choro ao sorriso...
Talvez salvasse sua alma...
Mas, não.
Carente de humor, seu Timo se atirou.
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