A pesquisa desenvolvida durante doutorado 2013-2017 no Pós-Cult da UFBA trata, sobretudo, das transformações das Assembleias de Deus em seu processo de midiatização. Uma dessas transformações diz respeito à noção de cidadão desses religiosos, que antes se atribuía uma cidadania celestial. A noção de cidadania celestial era uma das mais difundidas entre os pentecostais até anos 90, fundamentados na interpretação do trecho bíblico: “Mas a nossa cidade [cidadania] está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20). Ao serem interpelados por temas como política, homossexualidade, aborto, por exemplo, era comum dizer que estavam no mundo, mas não pertenciam a ele. Diferentemente dos dias atuais quando um novo sentido de cidadania é formulado entre os pentecostais, buscando participação nos debates sobre política, corrupção, sexualidade, direitos etc. Esse novo sentido de cidadania se apresenta, sobretudo, nos documentos institucionais que justificam a criação de projetos políticos institucionais. O senso de cidadania é acionado, principalmente, na leitura de temas relacionados à defesa da moral sexual (aborto, gênero, sexualidade, homossexualidade etc). A Teologia da Moralidade, conceito desenvolvido da tese, fundamenta esses discursos que promovem “eleitos”. Os discursos dessa Teologia se apresentam de modos distintos, é o mecanismo que vem delimitando e, de algum modo, atribuindo distinção e identificação aos pentecostais atualmente.