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As rodas estão mais do que presentes na maioria das culturas populares do nosso grande Brasil, logo elas tem uma importância enorme em tudo que fazemos, isso quer dizer que tem significados diferentes, porém elas tem a mesma essência, a mesma importância, afinal, tudo começa por elas, pelas rodas.
Porém o entendimento se faz necessário, tanto no âmbito político, cultural ou mesmo religioso, por isso mesmo por se acreditar na ancestralidade, por ela ser a base de tudo, entende-se, pelo menos nas religiões afro-decendentes, que esses giros devem ser sempre no sentido anti - horário para se buscar a ancestralidade, na busca pela sabedoria dos mais antigos, da energia dos mais antigos, o conhecimento armazenado pela ancestralidade, isso quer dizer que com o simples ato de rodar na roda para este lado, faz essa conexão ancestral fazer muito mais sentido e acontecer dentro de uma lógica muito inteligente.
Dois Cristianismos? como isso acontece? e o que isso tem a ver com as culturas populares? tudo.
Claro que muito indígenas e negros, se tornaram católicos nesse processo, mas a justificativa para a sua escravização, mudou, passou a ser permitida por Deus por conta da cor de sua pele e por serem tidos como selvagens. E o processo de sincretismo foi uma maneira de sobreviver, mais do que isso, o catolicismo acabou dando suporte a esses mesmos negros posteriormente, realmente os ajudando em diversas ocasiões (mesmo tendo sido, essas situações criadas por eles). Muitas revoltas de negros escravizados, tiveram suporte no fundo das igrejas, que claro, passou a ter a devoção desses mesmos negros, exatamente por estarem sendo ajudados na casa daquele santo. Muitos desses negros, naturalmente se tornaram devotos desse ou daquele santo, exatamente por estarem sim, sendo ajudados por eles. Santo Antônio, São Jorge, Santa Bárbara, São Lázaro, são exemplo de santos católicos, que muito mais do que sincretizados, eram e são cultuados, até hoje, pode-se dizer que de uma maneira política, os padres católicos, ajudaram a manter vivas algumas tradições.
Tema mais do que polêmico, porém ao mesmo tempo, mais do que real, afinal, não é escondido de ninguém as grandes atrocidades cometidas contra as mulheres em geral sobretudo as mulheres negras, que além de estarem em uma condição de escravização, tiveram de suportar, um trabalho forçado de vender seus corpos para enriquecimento dos seus supostos senhores. Mulheres que trabalhavam sua jornada imensa durante o dia e ainda eram obrigadas a cometer uma dupla jornada pelas noites, na prostituição, que passou a ser, a principal fonte de riqueza dos senhores de negros escravizados, durante aquela época.
A figura das namoradeiras está intimamente ligada a esse passado e hoje representa internacionalmente o nosso país no meio artístico, também chamadas de meninas da janela, exatamente por serem em sua maioria meninas mesmo, de 10 a 15 anos aproximadamente, que eram obrigadas a esse tipo coisa sem escrúpulo, tirando-lhes, o pouco de dignidade que ainda lhes restava, para não dizer claro, as doenças a que eram expostas , a violência que eram submetidas, e todas as inacreditáveis bizarrices cometidas naquela época, mas que algumas ainda margeiam até os dias de hoje.
O Ceará é especialmente importante para a Casa de Tapera, não apenas por sua importância na história do Brasil, mas principalmente por nos dar de presente pessoas tão especiais, seu povo, tão cheio de cultura, de alegria e com um simpatia única, ávidos por conhecimento, tanto que é o estado que mais coloca gente para estudar com a Casa de Tapera, depois de São Paulo. Eles são muitos e são bons, pode acreditar quando digo que lá tem gente que entende, sempre muito dedicados e espontâneos, e sobretudo, participativos.
No podcast de hoje, as professoras Shayanne e Vanessa, citam alguns pontos entre o samba de roda e a Religiosidade, pontos esses que muitas pessoas tem duvidas sobre ser verdade ou não.
No nosso bate-papo de hoje, vamos conhecer um pouco da história de mais uma de nossas alunas, da primeira turma da Casa de Tapera: Milena, que teve seu primeiro contato com o samba de roda, com Mesquita, que também é seu professor de jiu-jitsu e capoeira. Ela conta sobre como a primeira turma da Casa foi importante no processo de aprendizagem dela, através das amizades e do sentimento de comunidade que eles criaram.
Como ela é professora de jiu-jitsu, dentro de uma metodologia de ensino, extremamente organizada, consegue explicar a importância da estruturação da Casa de Tapera enquanto escola, e no diferencial que o método faz na aprendizagem do aluno.
Comparando seus primeiros contatos com o samba antes da Casa e agora, salienta o quanto tem conseguido evoluir dentro do processo, e enxergar que cada detalhe deve ser estudado e aprofundado para fazer sentido, e que mesmo no início parecendo confuso, tudo vai se esclarecendo ao longo do curso.
Milena é uma de nossas vozes de ouro, sempre cantando lindamente e também respondendo aos desafios de maneira muito inteligente e perspicaz.
No podcast de hoje, conversamos com o Professor Mesquita, um dos idealizadores da Casa de Tapera.
O grande Muqueca é esse cara incrível, tão inteligente quanto calado, o tipo de gente que não espera por ninguém para aprender, corre por si mesmo atrás dos seus objetivos, corre atrás e aprende. E como todo bom professor, ensina. Muito dedicado ao ensino e naturalmente, quem se levanta para ensinar, é porque se sentou para aprender.
Muqueca vem trazendo a força do norte do país e por ter muita coerência nas suas falas, sempre é escutado por todos e sua opnião é sempre levada em consideração, por ser uma pessoa que fala somente depois que estuda sobre qualquer assunto. A gente daqui, só tem a agradecer por ele estar com a gente e sabemos o quanto ele é decidido, dedicado e o quanto nos ajuda a continuar em frente.
Querido Muqueca, muito obrigado.
Com certeza ele já é um poço de conhecimento das culturas afro-brasileiras, sobre tudo as de matriz religiosa africana. Mas ainda assim ele optou por estar conosco e aprender um pouco mais sobre o samba de roda. E assim o fez. Ele sempre foi um dos alicerces do nosso primeiro grupo, centrado, sério, de poucas brincadeiras, mas muito estudioso e sempre disposto a ajudar as pessoas a sua volta, o alicerce dos amigos.
Desde sempre ele buscou, mais do que sabia, sempre buscou e ainda busca saber mais sobre tudo, tem além disso raízes fortes na sua ancestralidade, sobre tudo no recôncavo baiano, e agora tem também a sua história sendo construída aqui dentro da nossa casa. Muito obrigado Serjão, conte com a gente, porque contamos com você. Nós só temos a agradecer por termos você ao nosso lado, e vai na frente abrindo os caminhos.
Nossa irreverente pequena, essa pessoa, que está sempre feliz, sempre acelerada, sempre disposta a aprender e sempre disposta a ajudar.
Falante, mais do que todo mundo com certeza, mas uma grande ouvinte, na mesma proporção, somos muito felizes e gratos por tê-la em nossa escola e sabemos que vamos dar apoio a tudo que ela precisar, assim como sabemos que seremos apoiados por ela em todas as situações, conte com a gente pequena, porque contamos com você.
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