Ciência com Impacto Podcast

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Ciência com Impacto Podcast episodes

  • Podcast T3E6: José Afonso - Em Busca das Galáxias Mais Jovens

    O astrofísico José Afonso, coordenador do IA - Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, é uma espécie de arqueólogo do tempo e do espaço. Tentando recuar a um passado longínquo, que nos leve a entender como se formaram as galáxias do Universo.
    Neste momento, os astrónomos já conseguem captar e estudar a luz emitida por galáxias há mais de 12 mil milhões de anos – nos primórdios do Universo. E, apesar de serem tão jovens, os investigadores ficaram surpreendidos com a sua maturidade. Um desses exemplos que causaram espanto é que foram encontrados, no espaço interestelar destas galáxias remotas, elementos químicos mais pesados, como o carbono ou o magnésio.
    O conhecimento sobre a origem das galáxias dará um salto qualitativo num futuro próximo – graças a uma nova geração de equipamentos e levantamentos. O EMU – Mapa da Evolução do Universo vai recorrer a um novo telescópio, o australiano ASKAP, que irá recolher uma imensa quantidade de dados novos e mais precisos. E que é um dos precursores do Square Kilometre Array, o futuro maior rádio-telescópio do mundo, capaz de captar ondas de rádio numa vasta gama de frequências. E nestes projetos internacionais estão presentes cientistas portugueses do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço.
    José Afonso está, juntamente com uma equipa nacional, particularmente envolvido numa outra grande iniciativa internacional – o MOONS, onde é um dos co-investigadores principais. O MOONS é um espectrógrafo que vai funcionar no ótico e no infravermelho. Será acoplado ao Very Large Telescope (VLT), instalado no Deserto chileno de Atacama, e que irá permitir aos astrónomos estudar, com uma precisão única, a formação e a evolução das galáxias. 
    Os investigadores portugueses lideram, entre outras componentes, o corretor de campo do MOONS, que foi desenhado e será montado por uma equipa do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço.
    Uma conversa a não perder.

    59 min
  • Podcast T3E5: Nuno Leitão - Revolução no Aquário Vasco da Gama

    O velhinho Aquário Vasco da Gama está em profundo processo de remodelação. Mantendo os espaços mais emblemáticos que o caracterizam, a Aquário aposta agora nas tecnologias interativas para transmitir às novas gerações um olhar sobre o futuro: proteger o mar é preservar a biodiversidade marinha e combater as alterações climáticas.

    Nos últimos tempos, o comandante Nuno Leitão anda numa azáfama permanente. Como diretor da instituição, aceitou o desafio de modernizar o aquário museu mais antigo da Europa, mas sem o descaracterizar. E é isso que está a ser feito. O outrora fosso das focas foi abaixo e deu origem a um moderno auditório com a maior parede interativa da península Ibérica, que permite aos visitantes um mergulho virtual nos oceanos. 

    As tartarugas gigantes que ocupavam um tanque oval, numa das salas mais emblemáticas do Aquário, foram devolvidas à Natureza, com o apoio dos biólogos do Centro de Reabilitação de Animais Marinhos (CRAM). E graças aos emissores gps, os seus percursos no mar foram acompanhados durante meses. O espaço, entretanto libertado, foi remodelado para acolher um grupo de esturjões da Sibéria – parentes próximos do esturjão-comum que existia nos principais rios portugueses e que foi perseguido até à extinção.

    A área do Museu, que alberga os raros exemplares capturados durante as expedições oceanográficas do rei D. Carlos a bordo do iate Amélia, também regista inovações. A principal é o novo espaço dedicado à valiosa biblioteca do rei – onde constam obras raras e muitos dos apontamentos e desenhos de D. Carlos.

    Todos estas mudança têm como objetivo manter e aprofundar a forte relação emocional que sucessivas gerações de portugueses mantiveram e mantêm com o Aquário Vasco da Gama. Uma viagem pelo passado, mas com forte âncoras no futuro.

    Uma conversa a não perder.

    45 min
  • Podcast T3E4: Deborah Power - A Aquacultura do Futuro


    As alterações climáticas e a urgência da descarbonização são o desafio do momento. Mas outro perigo agiganta-se no curto prazo: a população da Terra atingirá os 9,7 biliões de seres humanos daqui a 30 anos. Por isso, cientistas como Deborah Power começam a preparar as respostas à emergência alimentar que se avizinha.

    O ano 2050 vem a caminho. E com ele um crescimento humano nunca registado no planeta: mais 26% em relação aos números atuais. E se o tema alimentar é já hoje um problema, com a deflorestação acelerada, a predação dos mares e as extinções em massa de espécies selvagens, em meados do século XXI, a situação será virtualmente incontrolável. A não ser que se comece agora a investigar e a encontrar soluções para o futuro. 

    Foi essa a missão que Deborah Power, investigadora sénior do CCMar e professora na Universidade do Algarve, atribuiu a si própria. E a resposta que escolheu, para alimentar a humanidade, foi a aquacultura circular e sustentável.

    Neste momento, está envolvida num grande projeto internacional que tem como espécies-alvo os robalos e as douradas. A sua tarefa principal é cuidar dos ovos e das larvas destes peixes – a matéria-prima de qualquer aquacultura e um dos pontos críticos das explorações comerciais. 

    Mas Deborah Power gosta de olhar para a aquacultura de forma holística. O bem-estar animal, a qualidade dos produtos, a gestão de stocks, a viabilidade económica, a qualidade da água e os impactos no ambiente… tudo isto está a ser apurado para criar projetos altamente sustentáveis e com consequências mínimas para a Natureza.

    Uma conversa a não perder.

    51 min
  • Podcast T3E3: Pedro R. Almeida - Em Defesa dos Peixes Migradores

    Nas últimas décadas, os ecossistemas dos peixes migradores diádromos alteraram-se dramaticamente, com particular destaque para os habitats estuarinos e ribeirinhos. O biólogo Pedro R. Almeida, vice-diretor do MARE e docente na Universidade de Évora, estuda há vários anos estas espécies ameaçadas e tenta encontrar soluções que contribuam para a sua sobrevivência.

    A principal ameaça é a redução dos habitats de água doce, devido a barragens, açudes e outros obstáculos construídos no curso dos rios – que cortam os percursos migratórios. Nos últimos anos, na Península Ibérica, só a lampreia-marinha perdeu 80 por cento do habitat.

    A poluição generalizada é outro perigo para a conservação dos migradores. As larvas de lampreia, que precisam de passar os primeiros quatro a cinco anos enterradas, são das principais vítimas. 

    A pesca é o impacto negativo, mais duradouro, que estas populações piscícolas têm sofrido. É necessário regulamentar a pesca, de forma a garantir a valorização do pescado e a sua exploração responsável e sustentável.

    Para Pedro R. Almeida, é urgente eliminar os obstáculos obsoletos, como pequenos açudes que deixaram de ter utilidade. Nos restantes casos, tal como a lei manda, é obrigatório construir dispositivos de transposição para os peixes. Podem ser passagens de bacias sucessivas com fendas verticais, rampas para peixes ou elevadores, conforme as necessidades de cada espécie. Só assim se poderão salvaguardar espécies migradoras tão emblemáticas como o sável, o salmão, a lampreia, a enguia ou o muge. Em alternativa, pode-se recuperar e preservar o habitat a jusante das grandes barragens, preferencialmente em afluentes, de forma a manter uma reserva biológica da espécie – evitando a sua extinção, tal como sucedeu com o esturjão.


    Uma conversa a não perder.

    57 min
  • Podcast T3E2: José Alberto Pereira - Conservar Oliveiras e Azeites

    José Alberto Pereira acredita que a Natureza faz, mais ou menos, tudo certo. Se despendermos tempo a observá-la iremos aprender muito. E essa é, como investigador e diretor do CIMO – Centro de Investigação de Montanha, a sua premissa. E os resultados são visíveis na conservação dos olivais tradicionais – e muitas vezes centenários – do norte e nordeste de Portugal.

    Sobre os olivais intensivos, que começam a predominar no sul do País, o investigador do CIMO deixa vários alertas. Os impactos são, particularmente, preocupantes na perda da biodiversidade e no reforço de resistência das pragas. Pior: por vezes, as plantas absorvem esses produtos nocivos e eles vão para as azeitonas – acabando nos nossos pratos.

    A exploração sustentável do olival deve basear-se na produção de azeitona, mas não se esgota aí. As folhas da oliveira também podem – e devem ser – aproveitadas, porque têm um valor económico. 

    Em Trás-os-Montes e Vale do Côa, espalhadas nos olivais tradicionais, existem muitas oliveiras com centenas de anos. São monumentos naturais únicos, que podem ser visitados. Mas que também continuam a ser produtoras de azeite. Azeites únicos cuja composição os investigadores do CIMO têm estudado e ajudado a preservar.

    Uma conversa a não perder.

    52 min
  • Podcast T3E1: Miguel Miranda - O Cientista do Clima

    Há 40 anos, o grande desafio dos meteorologistas era conseguirem previsões fiáveis para três dias. A partir daqui tudo era uma incerteza. Hoje em dia, como nos conta o físico Miguel Miranda, presidente do IPMA, já se conseguem previsões rigorosas para dez dias e o objetivo, de curto prazo, é estender essa fiabilidade para os 12 dias.

    Mas estes não são os únicos desafios que se colocam ao IPMA e a este cientista do clima. A climatologia terá de traçar cenários credíveis e quantitativos de parâmetros, como a subida do nível do mar nas zonas costeiras, da variação da temperatura e da precipitação média. 

    No mar – uma das áreas chave na atuação do IPMA – é necessário criar uma pesca controlada e sustentável, combinando a defesa da qualidade das pescarias com a defesa da qualidade de vida dos pescadores. 

    Mas isso não será suficiente para enfrentar a crise alimentar que se advinha, em consequência do brutal aumento populacional do planeta. Para Miguel Miranda, a ciência terá de encontrar novos princípios ativos provenientes do mar, bem como novos produtos alimentares que sejam capazes de desenhar o que vai ser a alimentação do futuro. 

    Uma conversa a não perder.

    1 hr 9 min
  • Podcast T2E9: Nuno Queiroz - Em Defesa dos Tubarões

    Nuno Queiroz foi um dos muitos investigadores que assinaram uma carta aberta à Comissão Europeia alertando para o risco de extinção do anequim, por causa da sobrepesca. Apesar da inação das autoridades políticas de Bruxelas, o investigador do CIBIO acredita que ainda é possível salvar da extinção esta rara espécie de tubarão.

    Mas o anequim não é a única espécie de tubarão que está em risco. O mesmo sucede, por exemplo, com o tubarão-azul. O problema é que as artes de pesca ao atum e ao espadarte são indiferenciadas e matam tudo o que cai nas linhas dos palangres – que chegam a ter milhares de anzóis e estendem-se por quilómetros. Para agravar a situação, a procura de barbatanas de tubarão para o mercado chinês faz com que todo o resto da carcaça do animal seja lançada à água. 

    Nuno Queiroz tem estudado o impacto que as alterações climáticas estão a ter no oceano e de que forma é que o aquecimento das águas, o aumento da acidez ou a diminuição de oxigénio está a afetar os predadores e os superpredadores. 

    Uma conversa a não perder.

    57 min
  • Podcast T2E8: Mário Carvalho - O Agricultor Conservacionista

    Mário Carvalho é um visionário, mas o tempo veio dar-lhe razão. Agrónomo por vocação e formação, dedicou a sua carreira de investigação à agricultura de conservação – um conjunto de práticas agrícolas que promove a sustentabilidade e a biodiversidade, através de sementeiras diretas, rotação de culturas e devolução dos resíduos ao solo de origem.

    Este investigador do MED - Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento, cujo trabalho foi reconhecido com a atribuição em 2016 do Land and Soil Management Award, é um entusiasta do montado e do Alentejo. Na sua visão, os sistemas agro-silvo-pastoris são dos mais completos e os que menores impactos têm na Natureza.

    A disponibilidade de água no Alentejo é umas das temáticas que mais preocupa Mário Carvalho. O custo subsidiado da água que tem origem no perímetro de rega da barragem do Alqueva está a distorcer a agricultura alentejana – e o mercado – dando origem a projetos economicamente inviáveis e desastrosos para a biodiversidade.

    Uma conversa a não perder.

    46 min
  • Podcast T2E7: Os Mistérios de Vénus

    Conhecer Vénus, o gêmeo “diabólico” da Terra, tem sido o desafio de carreira de Pedro Machado, investigador do IA - Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e um dos mais prestigiados astrofísicos portugueses. 

    Descobrir os segredos dos ventos que percorrem a atmosfera de Vénus e, mais recentemente, confirmar a existência de vestígios de fosfina – que podem indiciar vida microscópia - são algumas das suas prioridades. Além, claro, de continuar a dedicar-se ao estudo dos exoplanetas, na missão espacial Ariel.

    Pedro Machado está, igualmente, envolvido no projeto europeu de criação de uma base permanente na Lua. E acredita que esse será o primeiro passo uma aventura espacial ainda mais ousada: o estabelecimento de equipas científicas em Marte.

    Para Pedro Machado, continua a ser uma incógnita saber se estamos sozinhos no Universo. Mas o investigador tem uma certeza: se fizermos tudo aquilo que se impõe na preservação do nosso planeta azul, então certamente que – um dia – a vida brotará noutros planetas. Levados por naves humanas.

    Uma conversa a não perder.

    1 hr 14 min
  • Podcast T2E6: Fátima Abrantes: Conhecer o clima passado para prever o futuro

    Se queremos prever a evolução futura do clima na Terra temos de conhecer o seu passado. Este é o mote das investigações da Fátima Abrantes – uma paleoceanógrafa do IPMA e do CCMAR – Centro de Ciências do Mar. E, para atingir esse objetivo, são estudados os sedimentos dos fundos oceânicos, os fósseis de conchas dos bivalves e o gelo eterno do Ártico e do Antártico.

    Nos últimos tempos, Fátima Abranches tem dedicado particular atenção ao afloramento costeiro do litoral português e aos índices de produtividade primária. O estudo atual e passado da abundância de microalgas, que são a base da cadeia trófica oceânica e grandes consumidores de dióxido de carbono, permite ajudar a traçar modelos conceptuais – que são, mais tarde, usados nas previsões da evolução do clima.

    Neste ano de 2021 inicia-se a Década dos Oceanos, decretada pela ONU – Organização das Nações Unidas. É, na perspetiva desta investigadora, uma oportunidade única para travarmos ou invertemos os danos mais graves que décadas de industrialização desenfreada têm causado nos mares internacionais.

    Uma conversa a não perder.

    54 min

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