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Teresa Pinto-Correia é vice-presidente de um Conselho de Missão sobre a Saúde dos Solos e dos Alimentos. A estratégia deste grupo de trabalho, entregue já este ano à Comissão Europeia, defende uma mudança profunda no uso da terra e dos sistemas alimentares na Europa. E este é um dos temas em destaque neste podcast.
Esta investigadora portuguesa, diretora do MED - Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento, é uma defensora da manutenção e da revitalização dos sistemas silvo-pastoris nos habitats mediterrânicos. Mas, para isso, são necessários laboratórios vivos: parcelas agrícolas experimentais e de longa duração. E, claro, olha para a paisagem e para a gestão sustentável dos montados com a certeza que o futuro da agricultura no sul da Europa passará por estes ecossistemas.
Uma conversa a não perder.
Existe um mundo infinitamente pequeno, desconhecido até há poucos anos. É o universo das nanopartículas – onde os materiais adquirem propriedades diferentes daquelas que lhes eram reconhecidas. A falta de regulamentação e o abuso destes nanomateriais têm efeitos perniciosos sobre o Ambiente, sobre os meios terrestres e aquáticos. E esse é um dos campos de estudo da bióloga Susana Loureiro.
Mas nem tudo é negativo. E, nos últimos anos, Susana Loureiro tem-se dedicado à procura de potenciais benefícios dos nanomateriais, de formas de minimizar impactos negativos e de construir soluções sustentáveis e de circularidade.
Entretanto, como a ecotoxicidade não se esgota no ambiente, a investigadora abraçou novos desafios e agora estuda a influência que certos materiais tóxicos, como o mercúrio, podem ter na fertilidade humana.
Uma conversa a não perder.
Ciência e Cidadania. Duas palavras que andam a par durante toda a obra, toda a vida, de Alexandre Quintanilha. Os seus contributos para a Ciência são imensos e diversos. Vão desde a Física Teórica e o estudo dos supercondutores até à Biofísica e às investigações sobre membranas biológicas e eritrócitos.
Ao longo da sua carreira científica, dividida entre Joanesburgo, Califórnia e Porto, Alexandre Quintanilha deixou obra feita. Como o Instituto de Biologia Molecular e Celular e o i3s – Instituto de Investigação e Inovação – ambos ligados à Universidade do Porto.
Mas o seu contributo como cidadão não foi menor. Há 20 anos foi o presidente da comissão encarregue de elaborar e propor uma lei para o combate à toxicodependência – que foi aprovada e se revelou um sucesso, tornando-se um caso de estudo em todo o mundo. Recentemente, o investigador aceitou outro desafio: foi eleito deputado à Assembleia da República e, nos últimos cinco anos, tem-se dedicado às questões da Educação e da Ciência, com particular destaque para o tema da emergência climática.
Uma conversa a não perder.
O que motiva uma cientista portuguesa a estudar grandes símios? E, uma vez que Portugal não tem primatas entre a sua fauna, como é que isso se faz? – estas duas questões não podiam faltar na conversa com Catarina Casanova, a mais prestigiada primatóloga nacional.
A conversa também seguiu outros rumos. Quais as grandes ameaças que pairam sobre a sobrevivência de gorilas, chimpanzés e orangotangos e como poderemos combater a caça furtiva e a deflorestação dos seus territórios – em muitas casos, para se plantarem monoculturas de óleo de palma.
Mas não só. Que semelhanças biológicas e culturais nos aproximam destes nossos parentes próximos – os únicos que sobreviveram até à atualidade. E de que forma é que o seu estudo pode ser uma janela para entendermos o comportamento dos nossos ancestrais humanos e, eventualmente, a evolução e o desenvolvimento das nossas sociedades.
Uma conversa a não perder.
A nova Revolução Tecnológica está em curso. E há uma investigadora portuguesa na linha da frente das inovações mais recentes – tendo o seu nome sido apontado para o Nobel da Física de 2020.
Elvira Fortunato, vice-reitora da Universidade Nova de Lisboa e conselheira científica da Comissão Europeia, é das engenheiras mais prestigiadas em Portugal e no estrangeiro. O seu trabalho Invisible, na área da eletrónica transparente valeu-lhe, este ano, a atribuição do prémio Horizon Impact Award.
Mas os seus desafios na idealização e fabrico de novos transístores e outras componentes eletrónicas não se ficam por aqui. Muitas das suas inovações passam pela eletrónica do papel e pelos nanomateriais. E os resultados estão à vista. Além de um vasto número de patentes, Elvira Fortunato tem trabalhado em parceria com grandes empresas nacionais e multinacionais, como a Samsung, a Merck, a Hovione ou a Navigator.
Uma conversa a não perder.
É possível reabilitar um território rural que se degradou nas últimas décadas? Como recuperar aldeias e regiões, que se quebraram num assustador processo de desertificação humana e de degradação ambiental?
Este é um dos desafios que a socióloga Elisabete Figueiredo tenta responder através de um aturado trabalho de campo. Por isso quer perceber qual o impacto que os produtos com denominação de origem protegida podem ter nas comunidades rurais.
Mas não só: como é que a venda, nos grandes centros urbanos, de artigos típicos ou artesanais pode ajudar as suas regiões de origem; que importância podem ter as marcas distintivas de um território na atratividade de novos habitantes ou de simples visitantes; e qual a importância do turismo rural e do agro-turismo na revitalização de espaços há muito esquecidos.
Uma conversa a não perder.
As amêijoas asiáticas são uma espécie invasora que ocupou muitos dos nossos cursos de água, colocando em causa a sobrevivência de bivalves nativos.
Mas Joana Pereira e outros membros da sua equipa perceberam que, afinal, esta praga pode ter alguma utilidade: as suas capacidades filtradoras e o seu poder de resistência podem ser usados para remover metais e compostos orgânicos que contaminam as águas.
Ao longo de uma hora, também falamos de outros invasores: do mexilhão-zebra e do lagostim-americano. Que, juntamento com as cianobactérias, causam graves problemas nas linhas de água doce nacionais.
Finalmente, se quer saber mais sobre a poluição que ameaça o Antártico, oiça o que Joana Pereira tem a contar sobre a expedição que realizou a esta região polar – tão afectada pelo aquecimento global.
Uma conversa a não perder.
Sónia Cruz esteve em todos os jornais recentemente: ganhou a maior bolsa do Centro Europeu de Investigação atribuída a cientistas portugueses.
Mas a maior surpresa talvez tenha sido o tema do seu estudo: as lesmas do mar. Umas lesmas especiais, únicas do mundo, porque conseguem replicar algo que se pensava ser exclusivo das plantas: a fotossíntese. A possibilidade de micro-algas produzirem eletricidade é outro dos tópicos da entrevista.
Uma conversa a não perder.
O biólogo marinho Rui Rocha tem uma convicção que norteia todo o seu trabalho científico: a aquacultura pode ser uma garantia de produção de alimento a preço justo para todos.
Daí os projetos que desenvolveu em Moçambique, Angola e São Tomé: as aquaculturas comunitárias – que ajudam à subsistência de famílias ou grupos, fomentam as debilitadas economias rurais e aliviam a depredação dos recursos naturais marinhos.
Outra das preocupações de Rui Rocha são os corais e a sua conservação. Uma forma de contornar a predação do Homem e os efeitos nefastos do aquecimento global, é cultivar corais em aquários e esse tem sido um dos seus desafios nos últimos anos.
Uma conversa a não perder.
O biólogo José Alves é um migrador por opção. Segue as aves invernantes que arribam aos estuários quando chega o tempo frio e parte com elas para o ártico quando a Primavera desponta.
Outras vezes, quando as aves limícolas que estuda criam em Portugal, acompanha as suas migrações rumo ao sul, para a costa do Mediterrâneo ou para África. Para os estudar usa técnicas inovadoras e tecnologia de ponta: aparelhos GPS miniaturizados, com antena, bateria e painel solar.
Mas quando o tema são as aves migradoras e o estuário do Tejo é impossível não falar do futuro aeroporto do Montijo. Qual o real impacto que esta infraestrutura irá ter na sobrevivência de espécies já tão ameaçadas?
Uma conversa a não perder.
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