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O bolero chegou ao Brasil na adolescência. O primeiro èxito foi “Aquellos ojos verdes”, em 1931. Na década seguinte, o bolero iniciaria uma escalada de êxitos no Brasil, conforme informam Jairo Severiano e Zuza Homem de Melo no livro A canção no tempo: 1901-1957. Mas, a influência do bolero sobre a MPB, durante décadas, foi considerada como nociva. Só a partir do final do século XX, ela começaria a ser reavaliada positivamente. Ouçamos, com Ivan Lins, “Jamais te esquecerei”, de Antônio Rago e Juraci Rago e, com Djavan, de Othon Russo, “Sabes mentir”.
Armando Oréfiche, pianista, diretor de orquestras e compositor nascido em Havana, em 1911, foi um cidadão do mundo. Oréfiche deixou um extenso repertório de canções, que, com o passar dos anos, foi sendo esquecido, particularmente no Brasil. Vamos apresentar 3 delas hoje.
Ouçamos, de Armando Oréfiche, com o Havana Cuban Boys, “Corazón para qué” e “Me voy pal Brasil”, a primeira com versos de Rodolfo Taboada, e, com Ana Margarita Martínez, “Corazón, para qué”.
Não são comuns, na canção Latina, temas que celebram uma reconciliação amorosa ocorrida sem mágoas e recriminações. Em geral, a reconciliação é celebrada também com mágoa e vergonha Procurar uma canção dessas no tango é como buscar uma agulha no palheiro.
Ouçamos, com Elizeth Cardoso, de Tom e Vinícius, “Janelas abertas”, com Elena Burke, de Vicente Garrido, “En tu lugar”, e, com Carlos Gardel, dele e Le Pera, “Volver”.
Eles são raros, mas existem. Falo dos tangos de carnaval. O carnaval existiu em Buenos Aires, com seus desfiles de comparsas, enquanto a memória da cidade negra ainda era forte e desapareceu, à medida que esta memória se eclipsou. Na outra margem do rio, que ainda abriga considerável população de pretos e pardos, as comparsas persistem.
Ouçamos, de Aieta e Jiménez, com Adriana Varela, “Siga el corso”, de Osvaldo e Emílio Fresedo, com Agustín Magaldi, “Siempre es carnaval” e, de Troilo e Manzi, com Roberto Goyeneche, “Vals de carnaval.”
Sandra Luna, uma das mais destacadas damas do tango na atualidade gravou seu mais recente disco em 2023. O Cd tem o título “De sur a sud” e seu repertório centra-se em belos temas do cancioneiro tanguero, ainda nenhum deles é ou foi grande êxito. Há, entretanto curiosidades em seu repertório que me faz pensar que o Cd pretende prestar uma homenagem às origens do tango.
Ouçamos com Sandra Luna, de Charlo e Homero Manzi, “Oro y plata, e, de Juan Carlos Cáceres, “Tango negro."
Obsesión e obsessão, vocábulos com grafias e significados similares em espanhol e português, significam uma fixação profunda, até mesmo doentia, em algo ou alguém. A canção latina inclui vários temas cujos títulos e/ou versos contemplam esses vocábulos. Este é o nosso tema hoje.
Ouçamos, com Diego Cigala e Bebo Valdés, de Pedro Flores, “Obsesión” e, com Nelson Gonçalves, de Herivelto Martins e David Nasser, “Pensando em ti."
O programa de hoje, para o qual tive a colaboração do amigo Marcus Vinícius, trata de canções que refletem sobre o trabalho de quem cria canções com versos. Como elas só chegam até nós por alguém que as interpreta, podem ser referidas como canções do “ofício do cantor”.
Meu interesse hoje é mostrar canções, de diferentes épocas, muito pouco conhecidas em geral, que tratam desta temática.
Ouçamos com Paulinho Pedra Azul, “Cantar”, de Godofredo Guedes, com Mercedes Sosa, de Miguel Angel Morelli, “Cantor de Ofício” e, com Yaima Sáez, de Juan Formell, “A través de mis canciones”.
Herivelto Martins chegou ao Rio de Janeiro em 1930, com 18 anos. De origem humilde e sem ocupação definida, foi barbeiro, palhaço e começou a se aventurar no cenário musical. Herivelto conheceu a paulista Dalva de Oliveira. A vida profissional foi um sucesso; a conjugal, um fracasso, após um breve momento de felicidade. A separação do casal originou uma batalha musical entre Dalva e Herivelto. Ouçamos, de J. Piedade e Oswaldo Martins, com Dalva de Oliveira, “Tudo acabado”; de Herivelto Martins e David Nasser, com o Trio de Ouro, “Caminho certo” e, de Ataulfo Alves, com Dalva de Oliveira, “Errei sim”.
Duas canções recentes, de países de distintos continentes, prestam homenagem a duas destacadas personagens da música da América Hispânica, ambos boleristas que nunca tiveram parceiros. Dois boleros modernos, cujos versos foram construídos com a mesma concepção, certamente por coincidência: foram tecidos a partir de títulos das canções dos homenageados ou de uma referência clara a eles.
Ouçamos, de Paola Lorenzi e Pedro Mena Peraza, com os autores, “A Marta um bolero” e, com Berenice Girón e Louis Lara, de Louis Lara, “Armando una ilusión”.
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