A educação é um campo composto por muitos outros. No início, especialmente a Filosofia e a Sociologia e mais modernamente a psicologia e as neurociências também comparecem. Diferentes de outras áreas científicas muito mais paradigmáticas, como a Física e a Biologia, por exemplo, o progresso no campo da educação é controverso e marcado por uma pluralidade de compreensões, entendimentos, diagnósticos, metodologias etc. Precisamos notar, entretanto, que este ambiente diverso, não raramente, permite a difusão e o estabelecimento de mitos e equívocos! Para citar os mais famosos: estilos de aprendizagem, a crença de que se as pessoas aprenderem de acordo com seus “canais” preferenciais de aprendizagem (auditivo, visual, cinestésico etc) aprenderão melhor ou que se perderem o período crítico” para aprender algo, não aprenderão mais . Nada disso encontra-se respaldado em evidências empíricas, mas isso não impede que sejam amplamente difundidos e sirvam para orientar os trabalhos pedagógicos em diversas áreas. É sobre isto que conversaremos hoje com a dra. Roberta Ekuni, professora na Universidade Estadual do Norte do Paraná, e dra. Analia Arevalo que é pesquisadora na área de cérebro e linguagem. Ela atua no laboratório de Cirurgia Experimental da faculdade de medicina da USP, onde também coordena o curso multiprofissional de especialização em neurociências. Tem formação na área de neurociências na Columbia University (New York) e doutorado (PhD) em Linguagem e Transtornos da Comunicação na University of California (San Diego).