Dois concertos arrebatadores de Johann Friedrich Fasch, compositor que viveu na fronteira entre o Barroco e o nascimento do Classicismo. Aqui, o som não é apenas música — é poder, cerimônia e ousadia sonora.
No Concerto para Trompete em Ré maior (FaWV L:D1), Fasch explora o trompete natural em todo o seu esplendor. Nada de válvulas — apenas técnica, ar e virtuosismo no registro clarino. A estrutura tradicional em três movimentos (Allegro – Largo – Allegro) ganha vida com diálogos vibrantes entre solista e cordas, um movimento lento de solenidade contida e um final dançante que exala energia cortesã. É música pensada para impressionar.
Já o Concerto para 3 Trompetes em Ré maior (FaWV L:D3) eleva o espetáculo. Três trompetes barrocos, tímpanos, oboés e cordas criam uma atmosfera quase arquitetônica de som. O primeiro Allegro abre como uma cerimônia real em pleno auge. O Andante traz contraste e refinamento. O último movimento devolve o brilho com força rítmica e imponência. Não é difícil imaginar salões germânicos ecoando essa sonoridade majestosa.
Fasch, contemporâneo e admirado por gigantes como Johann Sebastian Bach e Georg Philipp Telemann, foi Kapellmeister em Zerbst a partir de 1722, responsável por fornecer música para eventos religiosos e políticos. Sua escrita para metais revela acesso a trompetistas virtuosos — figuras altamente prestigiadas nas cortes alemãs.
Mais do que compositor de ocasião, Fasch foi um arquiteto da transição estilística que abriria caminho para Joseph Haydn e Wolfgang Amadeus Mozart. Sua música carrega o DNA do Barroco tardio, mas já aponta para uma estética mais leve, clara e galante.
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Apresentado por Aroldo Glomb com Aarão Barreto na bancada.
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RELAÇÃO DE PADRINS Aarão Barreto, Adriano Caldas, Gustavo Klein, Fernanda Itri, Eduardo Barreto, Fernando Ricardo de Miranda, Leonardo Mezzzomo,Thiago Takeshi Venancio Ywata, Gustavo Holtzhausen, João Paulo Belfort , Arthur Muhlenberg e Rafael Hassan.