2083, 2092, 2095 gols...
Dos cinco gênios que vestiram a majestosa camisa do Santos.
A contabilidade varia, por conta da falta de precisão nas estatísticas da década de 60. Mas o que importa é o talento inigualável desse ataque espetacular, que encantou o mundo.
O time foi bicampeão da Libertadores, bicampeão mundial. 'Mas poderíamos ter vencido pelo menos cinco mundiais. Os dirigentes quiseram ganhar mais dinheiro em excursões e abandonaram a Libertadores. Fazer o quê?", desabafa, sempre sincero, o magistral Pepe.
Foram, de acordo com os registros do Santos Futebol Clube, 314 gols em 97 partidas que atuaram juntos. A média é de 3,3 gols por jogo.
Mais de 2000 gols é a soma do número que cada um fez pelo clube. Algo perto do inacreditável.
Para Pelé poder mostrar ser o melhor jogador de futebol que o mundo criou, o destino colocou ao seu lado atletas extraordinários.
O mais desequilibrante, o com mais fome de gols, habilidoso (era meia por formação) e dono do chute épico, violentíssimo, capaz de desmaiar adversários e companheiros que, desavisados, colocavam a cabeça na bola quando ele colocava sua canhota para funcionar, se chamava Pepe.
Marcou 405 gols. Se calcula que deu mais de 400 assistências. Pelo menos...
"O melhor jogador da história do Santos sou eu. O Pelé era um extraterrestre', brinca Pepe, um exemplo de humildade. "Estou brincando. Todos nós éramos muito importantes. E o Pelé um gênio.
"E mais, o segredo daquele time é que não tínhamos inveja do Pelé. Éramos craques e todos irmãos."
Depois de muita insistência, aos 91 anos, Pepe deu o privilégio de vir de Santos para São Paulo e nos estúdios da RECORD deu uma exclusiva histórica. A mais desejada.
Com o auxílio maravilhoso do seu filho Pepinho, para completar detalhes das inúmeras histórias que viveu.
Pepinho era ótimo quarto zagueiro. Mas todos queriam ver um 'novo Pepe'. Se cansou. Foi trabalhar como treinador da base. Ganhou a Copa São Paulo pelo Santos. Mas se decepcionou com a falta de estrutura e espaço que os empresários ocupam e não quis mais trabalhar com futebol. É dono de um programa de rock, comunicador importante.
Pepe contou segredos do time mágico. E foi em dois pontos específicos. 'Nós tínhamos muita força física, velocidade. O que permitia que nosso talento fosse explorado ao máximo.
"E outro ponto que quero destacar é o treinador Lula. Ele não era bom em entrevistas e as pessoas têm uma impressão errada. Era ótimo técnico. Antevia os jogos, a movimentação dos adversários. Não fizemos história à toa. Havia trabalho e duro por trás daquele Santos vitorioso.'
Pepe tem ótima memória e lembra a falta de sorte nas Copas de 1958 e 1962. Era disparado o melhor ponta esquerda do país. Era titular absoluto. Mas se machucou pouco antes dos Mundiais. E Zagallo herdou seu lugar.
Inúmeros clubes da Europa tentaram levar Pepe. Principalmente o Barcelona. O Santos jamais aceitou negociá-lo. E também, muito apegado à cidade de Santos e à família, ele não queria sair. "Era feliz demais. Por que ir embora?"
Pepe releva intimidade do time, o grau profundo de respeito dentro de campo e a amizade fora.
Dinheiro chegava de forma acanhada aos jogadores geniais do Santos. 'Acabei a carreira com quatro apartamentos de quatro quartos. E olhe lá, porque eu economizei. Ganhávamos muito menos que todos imaginam.'
Pepe foi espetacular em campo. Sua partida inesquecível foi o segundo jogo da decisão do Mundial contra o Milan. Sem Pelé, machucado, Ele assumiu a liderança técnica do time. Marcou dois gols, na vitória por 4 a 2. A imprensa europeia reverenciava o 'Canhão da Vila', apelido que adora.
Ganhou 36 títulos como jogador. 27 pelo Santos... Sim, 27.
Ele foi treinador de muito sucesso. Venceu o Paulista de 1973, comandando Pelé.
Ganhou o Paulista de 1986, com a Inter de Limeira, derrubando o Palmeiras, que vivia jejum de dez anos. Ganhou o Brasileiro com o São Paulo, também em 196. Foram sete conquistas.
Pepe é um ídolo mundial. E iluminado.