Nas suas obras posteriores, Heidegger descartou Kierkegaard com o sendo um mero
escritor religioso, refutou o Existencialismo humanista de Jean-Paul Sartre (1905-1980),
e fez um a opção por Nietzsche, Holderlin e Rainer Maria Rilke (1875-1926, “poesia
patológica”). Nas suas obras anteriores, Heidegger afirmava que o hom em fala por
intermédio da linguagem; no fim da sua carreira, afirmava que o Ser fala por intermédio
da linguagem. Com o os pré-socráticos deixavam o Ser falar por intermédio da linguagem,
a etim ologia das obras gregas é a chave para o sentido real das palavras. Isto se tornou
a base para o exaustivo Theoloflical Dictionary o f the New Testament (Dicionário Teológico do
Novo Testamento), de Kittels, que esboça a origem e a história das palavras gregas em uma
tentativa de descobrir o seu real significado.
U m a A valiação da H e rm e n ê u tica E xisten cial de H eidegger
Heidegger é recom endável na sua busca pelo ser, na sua expressão de um a abertura
ao ser, na visão da linguagem com o um a chave para a realidade, na preservação do valor
evocativo da poesia e da m etáfora, e até m esm o por fazer a pergunta correta: “Por que
existe algo além do nada?”
Apesar disso, há falhas sérias na sua herm enêutica existencial subjetiva. Algumas
delas podem ser brevem ente expostas.
Primeiro, a herm enêutica existencial subjetiva de Heidegger envolve a suposição
infundada de que o Ser é ininteligível por si m esm o. Mas com o Heidegger poderia saber
isto a respeito do Ser a m enos que o Ser fosse inteligível?
Segundo, é autodestrutivo tentar expressar o inexprim ível. Se o Ser está além de um a
-lescrição, com o seria possível a Heidegger conseguir descrever este fato para nós?
Terceiro, a linguagem não estabelece o Ser, mas sim plesm ente o expressa. Ela não
descobre o Ser, sim plesm ente o revela para nós, ou seja, se ela é verdadeiramente efetiva
na sua descrição.
Quarto, a afirmação que Heidegger faz atacando a visão de correspondência da verdade
é autodestrutiva, pois ele considera que a sua negação de um a visão de correspondência
corresponde com a realidade. Mas a correspondência com a realidade é precisam ente o
que a visão de correspondência da verdade quer dizer.
Quinto, ele sugere um a abertura ao Ser, mas rejeita Deus, que é o S er—a Pura Atualidade
veja Volume 2, parte 1). Todo ser contingente (que Heidegger admite ser a condição do
nom em ) precisa de um Ser Necessário para dar base à sua existência.
Sexto, Heidegger negligencia a capacidade analógica da linguagem para se referir
ae m aneira significativa a Deus (veja capítulo 9), e rejeita a capacidade descritiva da
-inguagem para expressar a sua dimensão evocativa.
Sétimo, Heidegger faz a pergunta certa, mas descarta um a resposta adequada. Ele
responde à pergunta: “Por que algo, e não o nada?” afirmando que ela tam bém pode ser
feita com relação a Deus. Mas isto não é real — pelo m enos não de m aneira significativa.
I^eus é um Ser Não-Causado, e de um ser assim não é significativo perguntar o que causou
: Não-Causado. Poderíamos tam bém perguntar: “Q uem é a m u lher do bacharel?”
Oitavo, Heidegger tem a expectativa de que todos os leitores dos seus livros façam uso da
hermenêutica padrão de busca para que descubram o significado desejado pelo autor. Só que
b s j é diretamente contrário à hermenêutica subjetiva que ele ensinou em outras de suas obras.
Nono, a etim ologia não é a chave para o significado de um term o. Esta posição foi
istam ente criticada por um estudioso liberal notável, James Barr, na sua obra TEOLOGIA SISTEMÁTICA pg149