Semana de 1º a 7 de março de 2026
O mundo acompanha, com crescente apreensão, a escalada de uma guerra que já se estendepor grande parte do Oriente Médio — um conflito iniciado por uma ofensivamilitar coordenada entre Estados Unidos e Israel contra o Irã e que, em poucosdias, atravessou fronteiras e oceanos de incertezas.
Noinício desta crise, ataques aéreos conjuntas das forças americanas eisraelenses atingiram centros de comando iranianos e, segundo relatos,resultaram na morte do líder supremo do Irã, um acontecimento que marca um pontode inflexão dramático nas relações internacionais na região.
Emresposta, o Irã lançou uma série de ataques de retaliação que não apenasatingiram alvos militares, mas também espalharam violência por estados aliadosde Washington no Golfo e além.
Cidadese bases no Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, e até com embatesenvolvendo a poderosa milícia Hezbollah no Líbano estão agora diretamenteengajadas no combate ou sofrendo as consequências das hostilidades.
Oimpacto é múltiplo. Além das perdas humanas — com centenas de civis mortos noIrã, dezenas no Líbano e vítimas em ataques com drones que afetaram atéedifícios diplomáticos na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos —, ochoque se estende à economia global.
Ainterrupção do tráfego na estratégica Rota do Estreito de Hormuz, por ondepassa uma fatia significativa do petróleo mundial, já elevou os preços daenergia e ameaça agravar a inflação em economias distantes, incluindo abrasileira.
Esseconflito, que caminhava para ser mais uma guerra por procuração em uma regiãoinstável, transformou-se em um confronto direto entre potências com alianças einteresses profundamente divergentes.
A lutajá se espalhou por mais de uma dezena de nações e envolveu ações militares emsolo, ar e mar, com um impacto humanitário e geopolítico que ultrapassafronteiras.
Diantedesse cenário, surge — com urgência — a pergunta que poucos governos parecemresponder com clareza: qual deve ser a postura do Brasil?
OBrasil tem experiência histórica em diplomacia multilateral e no esforço porsoluções negociadas em conflitos internacionais. Em momentos como este, apostura brasileira — alinhada à defesa do diálogo e à proteção de vidas civis —é mais necessária do que nunca.
Não setrata de neutralidade passiva, mas de uma atitude proativa na defesa da paz. OBrasil pode e deve reforçar seu compromisso com a resolução pacífica deconflitos, apoiar iniciativas de cessar-fogo e participar ativamente deorganismos internacionais que promovem negociações e assistência humanitária.
Isso écoerente com nossa tradição diplomática e com os interesses de um país que viveem um mundo interdependente, onde os efeitos de uma guerra no outro lado doplaneta podem chegar até nossas fronteiras — econômica e socialmente.
Emtempos em que as chamas da violência consumem vidas e pulverizam certezas, écrucial que o Brasil reafirme sua voz a favor da diplomacia, do respeito aodireito internacional e da proteção dos povos — independentemente de suareligião ou de sua geografia.
Quenosso país não apenas condene, mas pese, dialogue e atue — porque a paz nãonasce de armas, mas do entendimento entre nações.
CruzeiroFM, com você o tempo todo!!!