Semanade 22 a 28 de fevereiro de 2026
AProposta de Emenda à Constituição que prevê o fim gradual da escala seis por ume a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas volta ao centro do debatenacional. Pronta para votação no Senado, a medida também amplia o descansomínimo semanal para dois dias, preferencialmente aos sábados e domingos.
Seaprovada, a mudança ocorrerá de forma progressiva, ao longo de seis anos.Segundo estimativas apresentadas no Congresso, cerca de 38 milhões detrabalhadores contratados pela CLT poderão ser beneficiados diretamente, alémde impactos indiretos em todo o mercado.
Sob oponto de vista social, a proposta representa um avanço significativo. Maistempo de descanso significa mais qualidade de vida, maior convivência familiar,redução do estresse e potencial melhora na saúde física e mental.
Experiênciasinternacionais indicam que jornadas menores podem aumentar a produtividade,reduzir afastamentos e melhorar o ambiente de trabalho.
Háainda um possível efeito positivo na geração de empregos. Com menos horas portrabalhador, empresas poderão contratar mais funcionários para manter aprodução e os serviços, ampliando vagas formais e reduzindo o desemprego.
Mas épreciso olhar o outro lado da balança.
Paraempregadores — especialmente pequenos e médios empresários — a redução dajornada com manutenção integral dos salários representa aumento imediato decustos.
Setoresque funcionam em regime contínuo terão de reorganizar escalas, contratar maispessoal ou arcar com horas extras. Em um país onde a carga tributária já pesafortemente sobre a folha de pagamento, o impacto pode ser significativo.
Semajustes estruturais, há o risco de aumento de preços, perda de competitividadee até retração de investimentos.
Duranteentrevista ao Jornal da Cruzeiro, o advogado Alexandre Ogusuku, ex-conselheirofederal da Ordem dos Advogados do Brasil, destacou que o tema precisa ser maisamplamente debatido.
Segundoele, a proposta tem pontos positivos, mas também questões polêmicas que exigemamadurecimento técnico para evitar insegurança jurídica e efeitos colaterais naeconomia.
Etalvez este seja o momento de ampliar o debate.
Se opaís quer reduzir a jornada, estimular novas contratações e valorizar otrabalhador, também precisa discutir seriamente a redução dos encargostrabalhistas e tributos incidentes sobre a contratação formal. Não é razoávelampliar direitos sem repensar o custo que recai sobre quem gera empregos.
Umareforma que diminua a carga sobre a folha poderia equilibrar a equação: otrabalhador ganha mais qualidade de vida, o empresário ganha fôlego paracontratar, e o mercado se fortalece.
Odesafio do Congresso não é escolher entre capital e trabalho. É encontrar umponto de equilíbrio.
Melhorara qualidade de vida do brasileiro é fundamental. Garantir que ele continueempregado é indispensável.
Eassegurar que o empregador tenha condições reais de contratar, investir ecrescer é parte essencial dessa mesma equação.
CruzeiroFM, com você o tempo todo!!!