Hoje é uma aula sobre "Poemas escolhidos de Gregório de Matos", organizado por José Miguel Wisnik (leitura obrigatória do vestibular FUVEST)!
Lista de livros obrigatórios do vestibular FUVEST neste ano:
Poemas Escolhidos - Gregório de Matos
Quincas Borba - Machado de Assis
Claro Enigma - Carlos Drummond de Andrade
Angústia - Graciliano Ramos
A Relíquia - Eça de Queirós
Mayombe - Pepetela
Sagarana - Guimarães Rosa
O Cortiço - Aluísio Azevedo
Minha Vida de Menina - Helena Morley
Brusinha "quase" temática: https://www.instagram.com/cdbcamisetas/
Poemas lidos no vídeo:
À cidade da Bahia
Triste Bahia! Ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.
A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando, e tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.
Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.
Oh se quisera Deus que de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!
***
Discreta, e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos e boca o Sol, e o dia:
Enquanto com gentil descortesia
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança voadora,
Quando vem passear-te pela fria:
Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trata a toda ligeireza,
E imprime em toda a flor sua pisada.
Oh não aguardes, que a madura idade
Te converta essa flor, essa beleza
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.
Dois poemas do Gôngora parafraseados por Gregório de Matos:
Ilustre e formosíssima Maria (Tradução de Anderson Braga Horta)
Ilustre e formosíssima Maria,
enquanto deixam ver-se a qualquer hora
em tuas faces a rosada Aurora,
Febo nos olhos e na fronte o dia,
e enquanto com gentil descortesia
o vento move a fibra voadora
de que é a Arábia em seus veios guardadora,
que o rico Tejo nas areias cria;
antes que, à idade, enfim, Febo eclipsado
e o claro dia feito em noite escura,
refuja a Aurora do mortal nublado;
antes que quanto hoje é ruivo tesouro
vença das brancas neves a brancura:
goza, goza essa cor, e a luz, e o ouro.
Soneto (“Mientras por competir con tu cabello”)
Tradução de Érico Nogueira
Enquanto, ao competir com teu cabelo,
ouro brunido ao sol deslumbra em vão;
enquanto com desprezo ao rés-do-chão
olha tua alva frente o lírio belo;
enquanto atrás do lábio, por querê-lo,
mais olhos que da rosa agora vão;
e enquanto triunfa com afetação
do luzente cristal teu ser de gelo;
goza gelo, cabelo, lábio e frente,
antes que esta que foi hora dourada
– ouro, lírio, rosal, cristal luzente –
não só em prata ou flor estiolada
se torne, mas tu e tudo juntamente
em terra, em fumo, em pó, em sombra, em nada.