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Faz um tempo que eu venho pensando umas coisas sobre a vulnerabilidade de quem expõe suas ideias nesse tempo em que até uso de remédio é polarizado com uma paixão nunca vista. Eu elaborei melhor essas ideias nesse vídeo/áudio. então, se quiser pular direto para ele, ok. Se preferir só ler, eu deixei os principais pontos aqui
https://youtu.be/HIujO4ETLQg
Hoje a folha divulgou 4 charges suas foram acionadas na justiça por uma associação de policiais.
Os chargistas acionados foram o @LaerteCoutinho1 @joaomontanaro @Benett_ @MORtoonOficial. As charges foram sobre a brutalidade policial em Paraisópolis e a matéria é essa aqui https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/06/por-charges-criticas-entidade-de-pms-interpela-a-folha-e-quatro-cartunistas.shtml
Os 4 chargistas trabalham para um grande jornal, isso lhes dá projeção e uma proteção jurídica, um advogado, que custa bem caro, pode rebater a ação e finalizar o caso na justiça. Mas acaba aí?
Amanhã se um desses quatro forem parados na rua por um policial qual a proteção que eles tem.
Ok a polícia é uma organização acima de qualquer suspeita, mas essa turma de extrema direita que sempre é alvo das charges deles, que volta e meia ameaçam e atacam pessoas por muito menos do que uma charge em um jornal de alta circulação?
Mas, ainda assim, eles tem uma rede de proteção, tem um advogado, tem um jornal que causaria um alvoroço para proteger um dos seus. Agora, o que acontece quando você não é chargista de uma grande mídia?
Aquele artista que publica o material dele nas redes sociais, muitas vezes sem retorno financeiro direto e consegue alguma projeção? Ele tem caixa para ter um advogado protegendo ele? Ele teria uma notícia de primeira página de jornal se fosse agredido na rua? Ameaçado?
Mas charges são coisas inocentes, as pessoas deixam passar, está na categoria da arte, algo tão desprezado nesse país. Então e se essa pessoa é um daqueles que passamos a chamar influenciadores?
Por mais que a vida dos influenciadores pareça sempre magnífica no instagram, por mais que pareça que eles estão vivendo o sonho recebendo para não fazer nada. A realidade não é bem assim. A maioria deles, principalmente os que não tem tino comercial aguçado, não enriquece, no máximo vive uma vida de classe média sustentada por um ativo que pode evaporar a qualquer minuto. A imagem deles.
Essa pessoa não tem uma grana para ter um motorista, um segurança ou um bom advogado de prontidão 24hs. Quando o esquema delas é falar de esportes tudo bem, pelo menos por enquanto. Mas e quando essa pessoa fala da batata mais quente do momento? De política?
A pessoa hoje fala mal do presidente com toda sua fúria, consegue um milhão de likes, mas no dia seguinte tem que ir na padaria, tem que passar em uma viela escura para comprar um sabão em pó. Essa pessoa é conhecida o suficiente para ser um alvo, mas não rentável o suficiente para se blindar.
Eu não tenho respostas, sei que a gente deve falar o que pensa, sei que a gente deve combater o que entende que é errado. Que a gente tem nossas paixões e que tem um prazer e fazer ressoar suas ideias para os outros.
Mas vale a pena? Vale a pena se expor? Correr o risco? Algumas pessoas dizem que é uma obrigação. Se você tem uma agremiação de pessoas que lhe ouve, tem que lutar por isso ou por aquilo.