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DrauzioCast episodes

  • DrauzioCast #022 | Tosse
    Dr. Drauzio dá uma dica de xarope caseiro para tosse. Mas atenção: se o sintoma persistir por mais de 10 dias, é preciso investigar as causas.
     
    Tosse é um mecanismo de defesa do organismo. Provocada por diferentes causas — algumas delas sem relação direta com o pulmão, como o refluxo gastroesofágico e a sinusite —, a tosse exige diagnóstico e tratamentos específicos.
    Inibir as crises com xaropes nem sempre é a melhor conduta. O melhor remédio para tosse é beber muita água. Quanto mais hidratado você estiver, mais fácil [será] eliminar o muco e mais eficiente vai ser o mecanismo da tosse. Em segundo lugar vêm os xaropes broncodilatadores, porque eles aumentam o calibre das vias aéreas e facilitam a eliminação do muco.
    Veja também: Tosse crônica | Entrevista
    Em geral, não se deve tomar xarope para bloquear a tosse; a tosse é uma defesa do organismo, e é lógico que não faz sentido bloquear essa defesa. Os xaropes caseiros e os chás são sempre bem-vindos, porque vão atuar principalmente na hidratação.
    A receita mais popular de xarope caseiro leva duas colheres de sopa de açúcar, meio copo de água e metade de um limão espremido. Derreta o açúcar no fogo até ficar caramelado e acrescente o suco de limão — o limão vai ajudar na expectoração e na hidratação. Este xarope não deve ser usado por pessoas diabéticas; [mas] ele pode ser usado o dia inteiro pelos outros [que não têm diabetes], conforme a intensidade da tosse.
    Mas, lembre-se: é importantíssimo identificar a causa de qualquer tosse que dure mais de dez ou quinze dias. Em geral, as pessoas acham que estão tossindo por causa de resfriado ou gripe. Nem sempre é verdade. Tosse por tempo prolongado exige consulta médica para diagnóstico.
    2 min
  • DrauzioCast #021 | Repouso e dor ciática
    Apesar de parecer a medida mais adequada, ficar em repouso – deitado, sem esforço – não diminui a intensidade nem a duração da dor ciática. É o que mostra um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Maastricht, na Holanda.
     
    3 min
  • DrauzioCast #021 | Repouso e dor ciática
    Segundo estudo, apesar de parecer a medida mais adequada, ficar em repouso não diminui a intensidade nem a duração da dor ciática. Saiba mais.
     
    A prática de cair de cama por causa de dor nas costas — a chamada dor lombar baixa — foi abalada por uma série de estudos que deixaram claro que ficar deitado não diminui a intensidade nem a duração do quadro de dores nas costas.
    Um grupo de pesquisadores holandeses estendeu essa conclusão para os casos de dores ciáticas. Neste estudo consideraram como ciática a dor com pelo menos duas das seguintes características:
    * Dor que se irradia da coluna lombar para a parte posterior da coxa e perna;
    * Aumento da dor na perna com a tosse, espirro ou estiramento da coluna;
    * Diminuição da força muscular na perna;
    * Perda de sensibilidade ou diminuição dos reflexos na região afetada;
    * Aumento da dor com a manobra de elevar o membro inferior esticado, com o paciente deitado — você deita e leva o membro inferior lá para cima.
    O trabalho avaliou a resposta de 183 pessoas com dor ciática, divididas em dois grupos: repouso ou atividade. Neste caso, entende-se por repouso o fato de permanecer deitado o dia todo — de lado, com um travesseiro sob a cabeça — e só sair para o banho e as necessidades durante duas semanas; a metade que permaneceu ativa foi orientada para sair da cama sempre que a dor permitisse, mas sem estirar a coluna, para evitar que ela [a dor] aumentasse. Se conseguisse, podia voltar ao trabalho.
    Depois de duas semanas, 70% do grupo em repouso e 65% dos que se mantiveram em atividade melhoraram; a diferença foi insignificante. Depois de 12 semanas, 85% dos doentes de cada grupo estavam melhor. As avaliações de intensidade da dor; o uso de analgésicos; outros sintomas; a função do membro acometido; e a necessidade de cirurgia e de falta no trabalho foram idênticas nos dois grupos.
    A conclusão é a seguinte: em caso de dor ciática, assim que os sintomas permitirem, não faz diferença voltar gradativamente à atividade física ou permanecer de cama até a dor desaparecer.
    Veja também: Por Que Dói? #10 | Dor nas costas
    3 min
  • DrauzioCast #020 | Óleo de rícino
    No passado, o óleo de rícino era receitado para reumatismo, mesmo que não houvesse pesquisas científicas que comprovassem a ligação entre a substância e o controle da doença. Parece absurdo, mas é um caso idêntico ao que vemos até hoje quando ouvimos falar sobre gripe e vitamina C.
    3 min
  • DrauzioCast #020 | Óleo de rícino
    Já ouviu falar que essa substância é boa para dores articulares? Dr. Drauzio comenta neste podcast sobre óleo de rícino.
     
    Alguns anos atrás uma senhora que sofria de reumatismo me contou ter sido tratada com óleo de rícino. Isso mesmo. Duas vezes por semana ela ia ao consultório e o médico perguntava “hoje a senhora prefere o vermelho ou o alaranjado?”. Vermelha era a cor do pote que continha óleo de rícino com groselha; no outro, o óleo vinha misturado com essência de laranja, para disfarçar o gosto insuportável.
    Tenho uma novidade: o mais desconcertante é que a senhora estava convencida que, graças à ação do famigerado óleo, as dores estavam em período de acalmia. Óleo de rícino é dotado de atividade anti-reumática? É pouco provável, mas a medicina naquele tempo oferecia recursos pequenos e não era baseada em evidências experimentais como a de hoje. Os médicos adotavam condutas e receitavam remédios com base em teorias jamais comprovadas cientificamente, ou de acordo com ideias pré-concebidas em experiências pessoais. 
    Veja também: Homeopatia previne doenças? | Checagem
    Parte expressiva desse entulho do empirismo ainda se acotovela nas prateleiras das farmácias, sob rótulos de protetores do fígado, fortificantes, revitalizadores, complexos vitamínicos e de mirabolantes associações de panacéias que apregoam no rádio e na TV curar males tão diversos, como falta de memória, fraqueza, irregularidades menstruais, gripes e doenças do fígado.
    O caso da vitamina C é um bom exemplo. Nos anos 1970, o cientista Linus Pauling lançou a ideia de que vitamina C em doses altas melhoraria a imunidade, preveniria gripes, resfriados e até câncer. Embora Pauling tenha sido agraciado duas vezes com o prêmio Nobel — o de Química e o da Paz —, ele entendia de medicina quanto eu de pontes e de barragens.
    O resultado foi o uso indiscriminado de vitamina C, porque usuários contumazes que passam dois anos sem gripe atribuem à vitamina o poder protetor. Quem teve um resfriado que foi embora em dois ou três dias, enquanto o do vizinho levou cinco, faz o mesmo.
    O uso de vitamina C alardeado por Pauling ainda rende centenas de milhões de dólares em vendas anuais, mas não foi suficiente para livrá-lo do câncer de próstata no fim da vida, nem demonstrou qualquer eficácia na prevenção ou tratamento de gripes e resfriados em nenhum estudo científico realizado.
    3 min
  • DrauzioCast #019 | Fome e evolução
    Convivemos com dores crônicas, mas quando o assunto é aguentar a fome…
     
    A gente que se acostuma a dores crônicas, como uma dorzinha na coluna e aquela cólica que surge todo mês. Em contrapartida, a resistência à fome é baixíssima. E tal condição faz todo o sentido, já que fome e evolução estão intimamente ligados.
    3 min
  • DrauzioCast #019 | Fome e evolução
    Convivemos com dores crônicas, mas quando o assunto é aguentar a fome…
     
    É mais fácil suportar dores crônicas do que a fome. 40 anos de clínica me ensinaram que geralmente somos patifes para dores agudas de forte intensidade. Vi doentes rolar no chão e suplicar a Deus que se lembrasse deles no auge de uma cólica renal.  Em compensação, muita gente convive com dores crônicas na coluna, cólicas abdominais, episódios repetitivos de enxaqueca sem lamentar a sorte. A persistência do quadro doloroso mobiliza reações incríveis nos organismos que sofrem dele; já com a fome, não é assim.
    Quando a fome aperta, o prazer de estar vivo desaparece. A baixa resistência à fome, quando comparada a capacidade de enfrentar a dor, tem raízes evolucionistas. No melhor estilo darwiniano, num mundo de predadores, quem não consegue caçar é predado precocemente e tem menos chances de deixar descendentes.
    Como a história da humanidade é uma longa sucessão de epidemias de fome, nossos ancestrais acabaram desenvolvendo alguns recursos para fazer frente às épocas das vacas magras. Dois destes mecanismos de adaptação constituem o grande suplício dos que pretendem perder peso num mundo com oferta abundante de alimentos como o nosso.
    Veja também: Buscar prazer na comida é normal; o problema é sentir culpa depois
    O primeiro é o retardo da ativação dos circuitos de neurônios que convergem para uma área cerebral considerada o centro da saciedade. Para manter o peso, o ideal seria que esse centro fosse acionado ao ingerirmos a última caloria necessária para cobrir as necessidades energéticas diárias do organismo, e o apetite desaparecesse imediatamente até o dia seguinte — mas isso não acontece. O centro da saciedade demora para ser ativado, e aí nós conseguimos comer o terceiro prato de feijoada.
    A segunda armadilha é que a quantidade de energia gasta em repouso varia de um corpo para o outro. Há pessoas que consomem muita energia em repouso; outras, consomem pouco. As primeiras, por esbanjarem calorias, terão mais dificuldade de engordar. As outras, por serem econômicas no consumo, ganharão peso com mais facilidade.
    Além de maldizermos nossos pais pelo legado que nos deixaram, aparentemente nada pode ser feito para modificar essa característica genética do equilíbrio energético individual.
    3 min
  • DrauzioCast #018 | Confissão sobre o cigarro
    Apesar de ser muito conhecido por alertar sobre os malefícios do tabagismo, neste DrauzioCast o dr. Drauzio faz sua confissão sobre o cigarro.
    Dr. Drauzio Varella conta como começou sua dependência de nicotina e como reagia quando, já médico, questionavam o vício incompatível.
    2 min
  • DrauzioCast #018 | Confissão sobre o cigarro
    Apesar de ser muito conhecido por alertar sobre os malefícios do tabagismo, neste DrauzioCast o dr. Drauzio faz sua confissão sobre o cigarro.
     
    Vou fazer uma confissão: eu fui dependente de nicotina durante 20 anos. Comecei ainda adolescente, porque não sabia o que fazer com as mãos quando chegava às festas. Era início dos anos 60 e o cigarro estava em toda parte: televisão, cinema, outdoors e com os amigos. O jovem que não fumasse estava por fora.
    Um dia, na porta do colégio, um amigo me ensinou a tragar. Fiquei meio tonto, mas saí de lá e comprei um maço na padaria. Caí na mão de um fornecedor por duas décadas. 20 cigarros por dia — às vezes mais. Fiz o curso de medicina fumando.
    Naquela época começavam a aparecer os primeiros estudos sobre o efeito do cigarro no organismo, mas a indústria tinha equipes de médicos encarregados de contestar sistematicamente qualquer pesquisa que demonstrasse a ação prejudicial do fumo. Esses cientistas de aluguel negavam até que a nicotina provocasse dependência  química — veja só, negavam que provocasse dependência química, desqualificando o sofrimento da legião de fumantes que tenta largar e não consegue.
    Nos anos 70 eu fui trabalhar no Hospital do Câncer de São Paulo. Nesse tempo, a literatura científica já havia deixado claro a relação entre o fumo e diversos tipos de câncer. Já se sabia até que, de cada três casos de câncer, pelo menos um é provocado pelo cigarro.
    Apesar do conhecimento teórico e da convivência diária com os doentes, continuei fumando. Quando me perguntavam “mas você é cancerologista e fuma?” eu ficava sem graça e dizia que ia parar. Só que esse dia nunca chegava. A droga quebra o caráter do dependente.
    Veja também: Dicas para controlar as crises de abstinência de nicotina
    2 min

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Este é o podcast do dr. Drauzio Varella, com áudios sobre diversos assuntos em Saúde, de aids à importância de lavar as mãos, além de comentários sobre grandes assuntos em pauta.