No episódio de hoje, eu falo sobre um tema urgente e ainda pouco discutido: Como o envelhecimento dentro da comunidade LGBT+ é fortemente marcado pela epidemia de HIV/AIDS durante as décadas de 80 e 90.
Ao longo da minha pesquisa, eu percebi uma coisa que talvez você também já tenha sentido, mesmo sem nomear: a gente quase não vê pessoas LGBT+ mais velhas dividindo os mesmos espaços, referências e narrativas que os mais jovens. E isso não é coincidência. Uma parte enorme dessa geração foi perdida para a HIV/AIDS. Existe um buraco na nossa linha do tempo, um gap geracional, que ainda hoje impacta como a gente enxerga o envelhecer sendo LGBT+.
Por isso, eu quis dedicar este episódio a esse tema e ouvir dessa vez duas histórias, de pessoas que viveram aquele período de perto.
Entre medo e desejo; perda e resistência, essas duas trajetórias ajudam a entender o impacto daquele período e o que significa chegar à velhice carregando essas cicatrizes.
A primeira história que você vai ouvir é a do designer e cenógrafo Jeff Celofane, de 60 anos. Jeff vive com HIV há mais de 30 anos. Diagnosticado ainda no começo da epidemia, ele conta como foi receber essa notícia tão jovem, perder amigos, enfrentar o estigma e, ao mesmo tempo, se engajar no ativismo e na luta por informação, cuidado e direitos.
Na sequência, você ouve o relato do ator e diretor de teatro Gilberto Gawronski, de 63 anos, cuja vida foi atravessada pela HIV/AIDS ao perder seu namorado e seu grupo de amigos próximos. Gilberto encenou por muitos anos o texto de Caio Fernando Abreu, “A Dama da Noite”. Performance apresentada dentro de boates para quem estava vivendo aquela realidade e querendo se anestesiar.