O Brasil criou 132,7 mil empregos formais no mês, representando uma queda de 29,1% em relação ao mesmo período de 2023, quando foram registrados 187,1 mil postos. Este é o pior resultado para o mês desde o início da nova metodologia do Caged, em 2020. O saldo de outubro ficou com 70 mil postos abaixo das expectativas do mercado, que projetava 203 mil novos empregos.
A geração de empregos em 2024 acumula um saldo positivo de 2,1 milhões de vagas formais, e o Brasil agora conta com 47,6 milhões de pessoas trabalhando formalmente nos setores público e privado. Em relação a outubro de 2023, o estoque de trabalhadores formais teve alta de 4,03%. O salário médio de admissão foi de R$ 2.153,18 em outubro, um aumento de 1,15% em um ano, mas apresentou queda de 0,87% na comparação com setembro.
Entre as Unidades da Federação, 24 apresentaram saldo positivo em outubro. São Paulo liderou a criação de vagas (+0,33%), seguido pelo Rio Grande do Sul (+0,50%), e pelo Rio de Janeiro (+0,28%). Por outro lado, Goiás (-0,003%), Mato Grosso (-0,02%) e Bahia (-0,03%) registraram os piores desempenhos, com saldos negativos no mês. Pernambuco foi o estado que mais gerou empregos formais no Nordeste (5.010). No acumulado do ano, Bahia vem em 1º lugar (96,1 mil) e Pernambuco em 2º (66,9 mil) no Nordeste.
Dos cinco grupos de atividades econômicas analisados, três apresentaram saldos positivos. O setor de serviços liderou, com 71,2 mil novas vagas, seguido pelo comércio, com 44,3 mil, e pela indústria, com 23,7 mil. Em contrapartida, os setores de construção e agropecuária registraram perdas de 767 e 5,8 mil postos, respectivamente.
A taxa de desemprego caiu para 6,2% no trimestre encerrado em outubro, segundo a PNAD Contínua, do IBGE. Este é o menor nível da série histórica iniciada em 2012, com agora 6,8 milhões de pessoas desocupadas. O número de pessoas ocupadas atingiu 103,6 milhões, um novo recorde, sendo 53,4 milhões empregados no setor privado, dos quais 39,0 milhões possuem carteira assinada, outro recorde.
A alta na informalidade também chamou atenção, com 40,3 milhões de trabalhadores informais (incluindo os sem carteira e os por conta própria), o maior contingente da série iniciada em 2016. A taxa de informalidade foi de 38,9% da população ocupada, superando o trimestre anterior, mas ainda inferior à do mesmo período de 2023.
Os efeitos dessa redução da taxa de desemprego podem ser mais negativos do que positivos na atual conjuntura de retomada da inflação. A dificuldade em contratar, aliada com elevações de salários mínimos acima da inflação e expansão fiscal poderão pressionar os preços dos produtos e, principalmente, dos serviços, levando o Banco Central a continuar elevando a taxa de juros até que os preços se estabilizem.