O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que seu Conselho de Ministros não vai mais se reunir hoje, como estava previsto, para aprovar o acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza. Segundo ele, o adiamento vai ocorrer até que o Hamas recue do que chamou de uma "crise de última hora". Sem fornecer detalhes, o gabinete de Netanyahu acusou o grupo terrorista palestino de voltar atrás em partes do acordo numa tentativa de "extorquir concessões de última hora". Um membro do Hamas afirmou à agência de notícias Reuters que o grupo está respeitando os termos do acordo anunciado pelos mediadores Catar e Estados Unidos, com entrada em vigor no próximo domingo, 19. Em linhas gerais, o acordo prevê o fim definitivo do conflito e a libertação de todos os reféns que ainda estão em poder do Hamas. Cerca de 100 pessoas que foram sequestradas pelo grupo terrorista em Israel, em outubro de 2023, continuam na Faixa de Gaza. A primeira fase do acordo vai durar seis semanas e prevê a libertação, aos poucos, de 33 reféns. Durante este período, Israel se compromete a retirar parte das tropas da Faixa de Gaza e a soltar prisioneiros palestinos. A segunda fase do cessar-fogo começará a ser negociada no início de fevereiro. A partir daí, Israel e Hamas tratarão da libertação dos demais reféns que estão com o grupo terrorista, incluindo os corpos daqueles que morreram. Na terceira e última fase, que ainda depende de negociações, haverá uma discussão sobre a reconstrução de Gaza e quem governará o território palestino. Em entrevista à Rádio Eldorado, Fernando Brancoli, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), disse que “o acordo é frágil, mas as expectativas ainda são positivas” em razão da chegada de Donald Trump ao poder, que declarou não querer iniciar seu mandato com a guerra em andamento e mandou um emissário para as negociações. “A extrema-direita israelense pode não querer o acordo, mas é difícil enfrentar os Estados Unidos”, afirmou. Para Brancoli, a terceira fase do acordo, sobre a reconstrução e o futuro governo de Gaza “é o ponto mais sensível e o menos detalhado”.
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