O Brasil atingiu, no início desta semana, o maior número de casos de dengue da história. Com 1.899.206 notificações, o país superou o recorde anterior, estabelecido em 2015, quando 1.688.688 casos foram confirmados. Os dados são do Painel de Arboviroses do Ministério da Saúde, que tem monitorado a situação desde 2000. Segundo especialistas, esse quadro é resultado de alguns fatores, como medidas pouco eficazes de controle do mosquito Aedes Aegypti, o vetor da doença. As ações clássicas incluem a conscientização sobre a eliminação dos criadouros, que, em sua maioria, estão dentro das residências, e o uso de repelentes e inseticidas. Além disso, especialistas atribuem o ritmo atípico da epidemia ao fenômeno El Niño e às mudanças climáticas, que resultam em temperaturas elevadas e chuvas irregulares – condições ideais para a reprodução do mosquito e, consequentemente, a disseminação da doença. Em entrevista à Rádio Eldorado, o infectologista Davi Uip, reitor do Centro Universitário FMABC, diretor nacional de Infectologia da Rede D’Or e ex-secretário de Ciência, Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde do Estado de São Paulo, defendeu ações conjuntas envolvendo os governos federal, estaduais e municipais. “Tem que haver uma interação muito fina”, ressaltou. Ele também criticou a baixa adesão à vacinação contra a dengue, por enquanto disponível apenas para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. “Existe uma campanha absolutamente inconsequente e criminosa contra todas as vacinas”, afirmou.
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