Um estudo da Fundação SOS Mata Atlântica mostra que menos de 7% dos rios monitorados neste bioma têm água de boa qualidade. Segundo a edição de 2023 da pesquisa “O Retrato da Qualidade da Água nas Bacias Hidrográficas da Mata Atlântica”, realizada pelo programa Observando os Rios da SOS Mata Atlântica no bioma que concentra mais de 70% da população brasileira, apenas 6,9% dos pontos analisados apresentaram água de boa qualidade. O monitoramento em mais de 150 rios apontou qualidade regular em 75% dos casos, ruim em 16,2% e péssima em 1,9%, sendo que não foram registradas amostras que possam ser consideradas ótimas. Quase 20% dos pontos analisados, portanto, não têm condições mínimas para os usos múltiplos da água – como agricultura, indústria, abastecimento humano, consumo animal, lazer ou prática de esportes. O trabalho foi apresentado nesta quarta-feira, Dia Mundial da Água, na Conferência da ONU sobre a Água, em Nova York.
Em entrevista à Rádio Eldorado, o coordenador do Programa Observando os Rios, Gustavo Veronesi, disse que a pior qualidade foi verificada no Rio Pinheiros, na capital paulista, apesar de algumas melhorias já constatadas no processo de despoluição, que está em andamento. Ele também apontou avanços na qualidade da água do Tietê, 30 anos após a campanha pela despoluição do rio, realizada na década de 1990 pela Rádio Eldorado e pela SOS Mata Atlântica. “É urgente a proteção das nascentes, das matas ciliares, o controle dos agrotóxicos e acelerar a coleta e o tratamento de esgoto. Mais de metade da população não têm acesso e a lei determina que em 2033 mais de 90% devem ter”, afirmou.
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