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Antes de virar criador do perfil @afrocrente, Jackson Augusto já sabia que fé não era sinônimo de poder, mas cuidado e comunidade. E essa foi a pergunta que atravessou toda a sua vida: o que, afinal, significa ser evangélico no Brasil?
Jackson nasceu na favela dos Coelhos, uma comunidade ribeirinha do Recife. Filho de uma mulher profundamente religiosa, encontrou na igreja um dos poucos espaços possíveis de socialização.
Não havia dinheiro, nem conforto, mas a igreja foi abrigo e o lugar de infância possível.
O pai de Jackson morreu quando ele tinha apenas 7 meses, e a dor transformou a vida da mãe, que precisou criar um filho negro, sozinha, dentro da favela.
Enquanto ela trabalhava, eram as mulheres da igreja, do círculo de oração, que cuidavam dele. A igreja foi proteção num país que expõe corpos como o dele à violência desde cedo.
Foi ali que Jackson se formou enquanto pessoa, mas também foi ali que começou o conflito. Quando entrou em contato com o movimento negro evangélico, passou a questionar a fé que havia aprendido.
Um pastor tentou confrontá-lo usando a Bíblia para justificar a escravidão, mas Jackson saiu dali com a certeza de que aquele não era o Jesus que o havia formado.
Ao pesquisar a história da igreja batista no Brasil, encontrou raízes escravocratas, racistas, excludentes. Missionários que proibiam casamentos inter-raciais, que associavam a pele negra ao pecado.
Percebeu que a imagem de um Jesus branco não era só estética, mas mais profunda. Um Jesus moldado para servir às elites, não à libertação.
Hoje, Jackson defende que ser evangélico não pode ser reduzido a figuras de poder.
Ser evangélico também é ser a mãe de João Pedro, adolescente assassinado dentro de uma comunidade. É ser mulher solo, empregada doméstica, estudante, gente comum tentando sobreviver.
No fim, a pergunta segue aberta: ser evangélico é sustentar um projeto de poder ou lutar pela vida?
By ter.a.pia5
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Antes de virar criador do perfil @afrocrente, Jackson Augusto já sabia que fé não era sinônimo de poder, mas cuidado e comunidade. E essa foi a pergunta que atravessou toda a sua vida: o que, afinal, significa ser evangélico no Brasil?
Jackson nasceu na favela dos Coelhos, uma comunidade ribeirinha do Recife. Filho de uma mulher profundamente religiosa, encontrou na igreja um dos poucos espaços possíveis de socialização.
Não havia dinheiro, nem conforto, mas a igreja foi abrigo e o lugar de infância possível.
O pai de Jackson morreu quando ele tinha apenas 7 meses, e a dor transformou a vida da mãe, que precisou criar um filho negro, sozinha, dentro da favela.
Enquanto ela trabalhava, eram as mulheres da igreja, do círculo de oração, que cuidavam dele. A igreja foi proteção num país que expõe corpos como o dele à violência desde cedo.
Foi ali que Jackson se formou enquanto pessoa, mas também foi ali que começou o conflito. Quando entrou em contato com o movimento negro evangélico, passou a questionar a fé que havia aprendido.
Um pastor tentou confrontá-lo usando a Bíblia para justificar a escravidão, mas Jackson saiu dali com a certeza de que aquele não era o Jesus que o havia formado.
Ao pesquisar a história da igreja batista no Brasil, encontrou raízes escravocratas, racistas, excludentes. Missionários que proibiam casamentos inter-raciais, que associavam a pele negra ao pecado.
Percebeu que a imagem de um Jesus branco não era só estética, mas mais profunda. Um Jesus moldado para servir às elites, não à libertação.
Hoje, Jackson defende que ser evangélico não pode ser reduzido a figuras de poder.
Ser evangélico também é ser a mãe de João Pedro, adolescente assassinado dentro de uma comunidade. É ser mulher solo, empregada doméstica, estudante, gente comum tentando sobreviver.
No fim, a pergunta segue aberta: ser evangélico é sustentar um projeto de poder ou lutar pela vida?

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