A Organização Mundial da Saúde, declarou no dia 14 de agosto, a mpox, conhecida anteriormente pelo nome varíola dos macacos, como emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. Este chamado aconteceu depois de um aumento grave no número de casos de infectados na República Democrática do Congo, e chama atenção o fato de que a infecção está sendo causada por uma cepa diferente do vírus, com maior letalidade. Com a visibilidade dada à doença após o anúncio da OMS e disseminação pela mídia, comentários preconceituosos, principalmente de caráter homofóbico, tomaram as redes sociais nos últimos dias. É sobre a mpox que Beatriz Calesense fala neste episódio do Fake News Não Pod.
A mpox é uma doença viral transmitida por meio do contato próximo e direto com humanos ou animais infectados. Ela foi primeiro nomeada “varíola dos macacos” por ter sido identificada em macacos no ano de 1958. Porém, esses animais não são reservatórios naturais do vírus. Então, para reduzir o estigma associado a esse nome, a OMS decidiu por renomear a doença para apenas mpox. A maior preocupação das agências de saúde no momento é a circulação da nova cepa do vírus causador da doença. Um informativo recente do governo do estado de São Paulo afirma que os surtos recentes ao redor do mundo ainda não são da nova variante, segundo análises genômicas, mas que o risco de disseminação da nova cepa é elevado, por isso a necessidade de uma alta vigilância.
Com a circulação dessas informações nas redes sociais, diversos comentários associaram a disseminação da doença com a prática sexual entre dois homens. É necessário
aqui ressaltar que a transmissão da mpox, e de nenhuma outra doença, tem influência da sexualidade de um indivíduo. A prática sexual sem proteção onde um dos indivíduos possui o vírus é sim uma forma de transmissão, mas a sexualidade não toma nenhum papel nesse contexto. A crença de que pessoas homossexuais são responsáveis pela transmissão do mpox é mais um caso na história em que um grupo socialmente vulnerável é enquadrado como “culpado” de uma crise.
A desinformação levando como apoio a homofobia também aconteceu durante a epidemia do vírus HIV, causador da AIDS, que na época ficou conhecida como “Doença
Gay”. Da mesma forma, a sífilis já foi considerada uma doença da “imoralidade sexual”, portanto uma espécie de castigo para aqueles que fogem da eteronormatividade.
Essas crenças, que infelizmente perduram até os dias atuais, impactam muito negativamente na luta pelo controle de doenças como a mpox. O estigma e preconceito são influenciadores diretos da relutância em procurar tratamentos e atendimento médico, o que somado à desinformação sobre as formas de transmissão acabam deixando ainda mais pessoas vulneráveis. Por isso, da próxima vez que se deparar com comentários desse tipo, tenha sempre em mente: a mpox é uma doença transmitida pelo contato íntimo com uma pessoa infectada, seja por contato direto com as feridas por meio de abraços, beijos, relações sexuais, ou até contato prolongado com roupas, toalhas e lençóis utilizados pela pessoa doente. Nenhuma dessas formas de transmissão tem relação com a sexualidade do indivíduo. A higienização continua sendo uma prática essencial para impedir a disseminação da doença, e a qualquer sinal de sintomas característicos (como o desenvolvimento de lesões na pele, que são características da infecção) é importante procurar um atendimento médico.
Produção: UP Vacina
Projeto João Fake News (bit.ly/JoaoFakeNews).
Roteiristas: Beatriz Calasense e Wasim Aluísio Prates Syed
Apresentadora: Beatriz Calasense
Edição: Rádio USP Ribeirão Preto