
Sign up to save your podcasts
Or


Leitura da carta do Papa São João Paulo II às famílias: Gratissimam sane, Ano da Família, 1994. Capítulo 2 - O Esposo está convosco, "... e Me acolhestes", §22.
"Dobro os meus joelhos diante do Pai, do Qual toda a paternidade e maternidade toma o nome, «para que vos conceda (...) que sejais poderosamente fortalecidos pelo seu Espírito quanto ao crescimento do homem interior» (Ef 3, 16). Volto de bom grado a estas palavras do Apóstolo, às quais fiz referência na primeira parte da presente Carta. São, num certo sentido, palavras-chave. A família, a paternidade e a maternidade caminham juntas lado a lado. Ao mesmo tempo, a família é o primeiro ambiente humano, onde se forma o «homem interior» de que fala o Apóstolo. A consolidação da sua força é dom do Pai e do Filho no Espírito Santo.
O Ano da família chama cada um de nós na Igreja a uma enorme responsabilidade, por certo não diversa daquela com que em cada ano e em cada dia se procura o bem da família, mas que adquire particular significado e importância no contexto do Ano em causa. Iniciámos este Ano da Família em Nazaré, na solenidade da Sagrada Família; desejamos, ao longo deste Ano, peregrinar até esse lugar de graça, tornado o Santuário da Sagrada Família na história da humanidade. Desejamos fazer esta peregrinação, recuperando a consciência do património da verdade sobre a família que desde o início constitui um tesouro da Igreja. É o tesouro que começa a acumular-se a partir da rica tradição da Antiga Aliança, completa-se na Nova e encontra a sua expressão plena e emblemática no mistério da Sagrada Família, na qual o Esposo divino opera a redenção de todas as famílias. Dali, Jesus proclama o evangelho da família. Deste tesouro de verdade, se nutriram todas as gerações dos discípulos de Cristo, a começar pelos Apóstolos, de cujo ensinamento usufruímos abundantemente nesta Carta".
Texto completo: https://falachicopodcast.com.br/playlists/gratissimam-sane-1994
--
Compartilhe suas opiniões, reflexões e experiências dos episódios do Fala, Chico! Envie-nos uma mensagem de áudio pelo link anchor.fm/falachico/message
--
Fala, Chico! é um podcast dedicado à leitura de cartas, encíclicas, exortações e homilias dos Papas e textos da Tradição da Igreja Católica, produzido, editado e apresentado por Eugênio Telles.
--
Fale comigo nas redes sociais: facebook.com/falachicopodcast | instagram.com/falachicopodcast | https://t.me/falachico
Leitura da carta do Papa São João Paulo II às famílias: Gratissimam sane, Ano da Família, 1994. Capítulo 2 - O Esposo está convosco, "... e Me acolhestes", §22.
"Cônjuges e famílias de todo o mundo: convosco está o Esposo! É sobretudo isto que o Papa quer dizer-vos no ano que as Nações Unidas e a Igreja dedicam à família. «Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho unigénito, para que todo o que n'Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não mandou o seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas, para que o mundo seja salvo por Ele» (Jo 3, 16-17); «O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito (...) Tendes de nascer de novo» (Jo 3, 6-7). Tendes de nascer «da água e do Espírito» (Jo 3, 5). E precisamente vós, queridos pais e mães, sois as primeiras testemunhas e ministros deste novo nascimento do Espírito Santo. Vós, que gerais os vossos filhos para a pátria terrena, não esqueçais que, ao mesmo tempo, os gerais para Deus. Deus deseja o seu nascimento do Espírito Santo; Ele os ama como filhos adoptivos no Filho unigénito, que nos dá «o poder de nos tornarmos filhos de Deus» (cf. Jo 1, 12). A obra da salvação perdura no mundo e realiza-se por meio da Igreja. Tudo isto é obra do Filho de Deus, do Esposo divino, que nos transmitiu o Reino do Pai e recorda a nós, seus discípulos: «O reino de Deus está dentro de vós» (Lc 17, 21).
A nossa fé diz-nos que Jesus Cristo, que «está sentado à direita do Pai», virá para julgar os vivos e os mortos. Por outro lado, o evangelista João assegura-nos que Ele não foi mandado «ao mundo para julgar o mundo, mas, para que o mundo seja salvo por Ele» (Jo 3, 17). Em que consiste, então, o juízo? Cristo mesmo oferece a resposta: «O juízo é este: a luz veio ao mundo (...) quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus» (Jo 3, 19.21). É o que ainda recentemente recordou a Encíclica Veritatis splendor (52). Então, Cristo é juiz? Os teus próprios actos te julgarão à luz da verdade que tu conheces. Os pais e as mães, os filhos e as filhas serão julgados pelas suas obras. Cada um de nós será julgado sobre os mandamentos; também sobre aqueles que recordámos nesta Carta: o quarto, o quinto, o sexto, o nono. Cada um será julgado, porém, principalmente sobre o amor, que é o sentido e a síntese dos mandamentos. «No entardecer da vida, seremos julgados sobre o amor» — escreveu S. João da Cruz (53). Cristo, Redentor e Esposo da humanidade, «para isto nasceu e para isto veio ao mundo: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a sua voz» (cf. Jo 18, 37). Será Ele o juiz, mas daquele modo que Ele mesmo indicou ao falar do Juízo final (cf. Mt 25, 31-46). O dele, será um juízo sobre o amor, um juízo que confirmará definitivamente a verdade de que o Esposo estava conosco, sem que, talvez, nós o soubéssemos".
Texto completo: https://falachicopodcast.com.br/playlists/gratissimam-sane-1994
--
Compartilhe suas opiniões, reflexões e experiências dos episódios do Fala, Chico! Envie-nos uma mensagem de áudio pelo link anchor.fm/falachico/message
--
Fala, Chico! é um podcast dedicado à leitura de cartas, encíclicas, exortações e homilias dos Papas e textos da Tradição da Igreja Católica, produzido, editado e apresentado por Eugênio Telles.
--
Fale comigo nas redes sociais: facebook.com/falachicopodcast | instagram.com/falachicopodcast | https://t.me/falachico
Leitura da carta do Papa São João Paulo II às famílias: Gratissimam sane, Ano da Família, 1994. Capítulo 2 - O Esposo está convosco, "O nascimento e o perigo", §21.
"O breve relato da infância de Jesus refere-nos, de maneira muito significativa e quase contemporaneamente, o seu nascimento e o perigo, que Ele teve logo de enfrentar. S. Lucas reproduz as palavras proféticas pronunciadas pelo velho Simeão, quando o Menino foi apresentado ao Senhor no Templo, quarenta dias depois do nascimento. Fala de «luz» e de «sinal de contradição»; a Maria prediz ainda: «Uma espada trespassará a tua alma» (cf. Lc 2, 32-35). S. Mateus, ao contrário, detém-se nas ciladas tramadas por Herodes contra Jesus: informado pelos Magos, chegados do Oriente para ver o novo rei que devia nascer (cf. Mt 2, 2), Herodes sente-se ameaçado no seu poder e, depois da partida daqueles, ordena que sejam mortos todos os meninos de Belém e arredores, com menos de dois anos de idade. Jesus escapa das mãos de Herodes, graças a uma particular intervenção divina e à solicitude paterna de José, que o leva juntamente com sua Mãe para o Egipto, onde residem até à morte de Herodes. Tornam depois para Nazaré, a sua cidade natal, onde a Sagrada Família inicia o longo período de uma existência escondida, cadenciada pelo cumprimento fiel e generoso dos deveres quotidianos (cf. Mt 2, 1-23; Lc 2, 39-52).
De grande eloquência profética se apresenta o facto que Jesus tenha sido confrontado com ameaças e perigos, logo desde o nascimento. Ainda Menino, e já Ele é «sinal de contradição». Uma eloquência profética reveste também o drama das crianças inocentes de Belém, assassinadas por ordem de Herodes, que se tornaram, segundo a antiga liturgia da Igreja, participantes do nascimento e da paixão redentora de Cristo (50). Através da sua «paixão», elas «completam o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja» (Col 1, 24).
Assim, no Evangelho da infância, o anúncio da vida que de modo admirável se cumpre na ocorrência do nascimento do Redentor, aparece fortemente contraposto à ameaça à vida, uma vida que abraça na sua globalidade o mistério da Encarnação e da realidade divino-humana de Cristo. O Verbo fez-se carne (cf. Jo 1, 14), Deus fez-se homem. A este mistério sublime apelavam frequentemente os Padres da Igreja: «Deus fez-se homem, para nos tornarmos deuses» (51). Esta verdade da fé indica contemporaneamente a verdade do ser humano. Ela põe em destaque a gravidade de qualquer atentado à vida do menino no ventre da mãe. Aqui, precisamente aqui, encontramo-nos nas antípodas do «belo amor». Mirando exclusivamente ao prazer, pode-se chegar até a matar o amor, matando o seu fruto. Para a cultura do prazer, o «fruto bendito do teu ventre» (Lc 1, 42) torna-se, em certo sentido, um «fruto maldito»".
Texto completo: https://falachicopodcast.com.br/playlists/gratissimam-sane-1994
--
Compartilhe suas opiniões, reflexões e experiências dos episódios do Fala, Chico! Envie-nos uma mensagem de áudio pelo link anchor.fm/falachico/message
--
Fala, Chico! é um podcast dedicado à leitura de cartas, encíclicas, exortações e homilias dos Papas e textos da Tradição da Igreja Católica, produzido, editado e apresentado por Eugênio Telles.
--
Fale comigo nas redes sociais: facebook.com/falachicopodcast | instagram.com/falachicopodcast | https://t.me/falachico
Leitura da carta do Papa São João Paulo II às famílias: Gratissimam sane, Ano da Família, 1994. Capítulo 2 - O Esposo está convosco, "A Mãe do belo amor", §20.
"A história do «belo amor» tem início com a Anunciação, naquelas palavras admiráveis que o Anjo dirigiu a Maria, chamada a ser a Mãe do Filho de Deus. Com o «sim» de Maria, Aquele que é «Deus de Deus, Luz da Luz», torna-se filho do homem; Maria é sua Mãe, sem deixar de ser a Virgem que «não conhece homem» (cf. Lc 1, 34). Como Mãe-Virgem, Maria torna-se Mãe do belo amor. Esta verdade está revelada já nas palavras do Arcanjo Gabriel, mas o seu pleno significado será pouco a pouco confirmado e aprofundado, à medida que Maria for seguindo o seu Filho na peregrinação da fé (48).
A «Mãe do belo amor» foi recebida por aquele que, segundo o costume de Israel, era já seu esposo terreno, José, da estirpe de David. Ele teria o direito de pensar na consorte já desposada como sua mulher e mãe dos seus filhos. Porém, nesta aliança esponsal, Deus intervém com uma iniciativa própria: «José, filho de David, não temas receber Maria tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo» (Mt 1, 20). José está ciente do estado de Maria, constata com os próprios olhos que n'Ela foi concebida uma nova vida que não provém dele, e, como homem justo, respeitador da Lei antiga que, no seu caso, impunha a obrigação do divórcio, quer rescindir, de forma caridosa, o seu matrimónio (cf. Mt 1, 19). O Anjo do Senhor faz-lhe saber que isso não estaria de acordo com a sua vocação, antes, seria contrário ao amor esponsal que o une a Maria. Este recíproco amor esponsal, para ser plenamente o «belo amor», exige que ele acolha Maria e o Filho d'Ela sob o tecto da sua casa, em Nazaré. José obedece à mensagem divina e actua segundo o que lhe fora mandado (cf. Mt 1, 24). É graças também a José que o mistério da encarnação e, juntamente com ele, o mistério da Sagrada Família, fica inscrito profundamente no amor esponsal do homem e da mulher e indirectamente na genealogia de cada família humana. Aquilo que S. Paulo designará por «grande mistério», encontra na Sagrada Família a sua expressão mais alta. A família coloca-se assim verdadeiramente no centro da Nova Aliança.
Mas pode-se também dizer que a história do «belo amor» iniciou, em certo sentido, com o primeiro casal humano, com Adão e Eva. A tentação, a que cederam, e o consequente pecado original não os privou completamente da capacidade do «belo amor». Vê-se isso, por exemplo, ao ler no livro de Tobias que os esposos Tobias e Sara, ao definirem o sentido da sua união, fazem apelo aos primeiros pais, Adão e Eva (cf. Tb 8, 6). Na Nova Aliança, testemunha-o também S. Paulo ao falar de Cristo como novo Adão (1 Cor 15, 45): Cristo não vem condenar o primeiro Adão e a primeira Eva, mas redimi-los; vem renovar aquilo que no homem é dom de Deus, quanto nele é eternamente bom e belo e que constitui o substrato do belo amor. A história do «belo amor» é, em determinado sentido, a história da salvação do homem".
Texto completo: https://falachicopodcast.com.br/playlists/gratissimam-sane-1994
--
Compartilhe suas opiniões, reflexões e experiências dos episódios do Fala, Chico! Envie-nos uma mensagem de áudio pelo link anchor.fm/falachico/message
--
Fala, Chico! é um podcast dedicado à leitura de cartas, encíclicas, exortações e homilias dos Papas e textos da Tradição da Igreja Católica, produzido, editado e apresentado por Eugênio Telles.
--
Fale comigo nas redes sociais: facebook.com/falachicopodcast | instagram.com/falachicopodcast | https://t.me/falachico
Leitura da carta do Papa São João Paulo II às famílias: Gratissimam sane, Ano da Família, 1994. Capítulo 2 - O Esposo está convosco, "O grande mistério", §19.
"Falando um dia com os discípulos de João, Jesus acenou a umas bodas e à presença do esposo entre os convidados: «o esposo está com eles» (Mt 9, 15). Indicava assim o cumprimento em Si próprio da imagem de Deus-esposo, empregue já no Antigo Testamento, para revelar plenamente o mistério de Deus como mistério de Amor.
Qualificando-se como «esposo», Jesus desvenda assim a essência de Deus e confirma o seu amor imenso pelo homem. Mas a escolha desta imagem, indirectamente, projecta luz também sobre a verdade profunda do amor esponsal. De facto, usando-a para falar de Deus, Jesus mostra quanta paternidade e quanto amor de Deus se reflectem no amor de um homem e de uma mulher, que se unem em matrimónio. Por isso, ao início da sua missão, Jesus vai a Caná da Galileia participar num banquete de núpcias, juntamente com Maria e com os primeiros discípulos (cf. Jo 2, 1-11). Ele pretende assim demonstrar quanto a verdade da família esteja inscrita na Revelação de Deus e na história da salvação. No Antigo Testamento, especialmente nos Profetas, encontram-se palavras muito belas sobre o amor de Deus: um amor carinhoso como o duma mãe para com o seu menino; um amor terno como o do esposo pela esposa, mas ao mesmo tempos e de igual modo profundamente ciumento; um amor mais inclinado ao perdão que ao castigo; um amor que se compadece do homem como faz o pai do filho pródigo, levanta e torna-o participante da vida divina. Um amor que deslumbra: uma novidade até então desconhecida em todo o mundo pagão.
Em Caná da Galileia, Jesus é como que o arauto da verdade divina sobre o matrimónio; daquela verdade sobre a qual a família humana se pode apoiar, fortalecendo-se para todas as provas da vida. Jesus anuncia esta verdade com a sua presença nas bodas de Caná e com a realização do seu primeiro «sinal»: a água transformada em vinho.
Ele anuncia ainda a verdade sobre o matrimónio, quando, ao falar com os fariseus, explica quanto o amor que vem de Deus, amor terno e esponsal, seja fonte de exigências profundas e radicais. Menos exigente tinha sido Moisés, que permitira dar carta de divórcio. Quando, em acesa controvérsia, os fariseus se apelam para Moisés, Cristo responde categórico: «Ao princípio não foi assim» (Mt 19, 8). E recorda como Aquele que criou o ser humano, o criou homem e mulher e estabeleceu: «O homem deixará o pai e a mãe para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne» (Gn 2, 24). Com lógica coerência, Cristo conclui: «Portanto, já não são dois, mas uma só carne. Pois bem, o que Deus uniu não o separe o homem» (Mt 19, 6). À objecção dos fariseus, que se sentem fortes pela lei mosaica, Ele responde: «Por causa da dureza do vosso coração, Moisés permitiu que repudiásseis as vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim» (Mt 19, 8)".
Texto completo: https://falachicopodcast.com.br/playlists/gratissimam-sane-1994
--
Compartilhe suas opiniões, reflexões e experiências dos episódios do Fala, Chico! Envie-nos uma mensagem de áudio pelo link anchor.fm/falachico/message
--
Fala, Chico! é um podcast dedicado à leitura de cartas, encíclicas, exortações e homilias dos Papas e textos da Tradição da Igreja Católica, produzido, editado e apresentado por Eugênio Telles.
--
Fale comigo nas redes sociais: facebook.com/falachicopodcast | instagram.com/falachicopodcast | https://t.me/falachico
Leitura da carta do Papa São João Paulo II às famílias: Gratissimam sane, Ano da Família, 1994. Capítulo 2 - O Esposo está convosco, "Em Caná da Galileia", §18.
"Falando um dia com os discípulos de João, Jesus acenou a umas bodas e à presença do esposo entre os convidados: «o esposo está com eles» (Mt 9, 15). Indicava assim o cumprimento em Si próprio da imagem de Deus-esposo, empregue já no Antigo Testamento, para revelar plenamente o mistério de Deus como mistério de Amor.
Qualificando-se como «esposo», Jesus desvenda assim a essência de Deus e confirma o seu amor imenso pelo homem. Mas a escolha desta imagem, indirectamente, projecta luz também sobre a verdade profunda do amor esponsal. De facto, usando-a para falar de Deus, Jesus mostra quanta paternidade e quanto amor de Deus se reflectem no amor de um homem e de uma mulher, que se unem em matrimónio. Por isso, ao início da sua missão, Jesus vai a Caná da Galileia participar num banquete de núpcias, juntamente com Maria e com os primeiros discípulos (cf. Jo 2, 1-11). Ele pretende assim demonstrar quanto a verdade da família esteja inscrita na Revelação de Deus e na história da salvação. No Antigo Testamento, especialmente nos Profetas, encontram-se palavras muito belas sobre o amor de Deus: um amor carinhoso como o duma mãe para com o seu menino; um amor terno como o do esposo pela esposa, mas ao mesmo tempos e de igual modo profundamente ciumento; um amor mais inclinado ao perdão que ao castigo; um amor que se compadece do homem como faz o pai do filho pródigo, levanta e torna-o participante da vida divina. Um amor que deslumbra: uma novidade até então desconhecida em todo o mundo pagão.
Em Caná da Galileia, Jesus é como que o arauto da verdade divina sobre o matrimónio; daquela verdade sobre a qual a família humana se pode apoiar, fortalecendo-se para todas as provas da vida. Jesus anuncia esta verdade com a sua presença nas bodas de Caná e com a realização do seu primeiro «sinal»: a água transformada em vinho.
Ele anuncia ainda a verdade sobre o matrimónio, quando, ao falar com os fariseus, explica quanto o amor que vem de Deus, amor terno e esponsal, seja fonte de exigências profundas e radicais. Menos exigente tinha sido Moisés, que permitira dar carta de divórcio. Quando, em acesa controvérsia, os fariseus se apelam para Moisés, Cristo responde categórico: «Ao princípio não foi assim» (Mt 19, 8). E recorda como Aquele que criou o ser humano, o criou homem e mulher e estabeleceu: «O homem deixará o pai e a mãe para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne» (Gn 2, 24). Com lógica coerência, Cristo conclui: «Portanto, já não são dois, mas uma só carne. Pois bem, o que Deus uniu não o separe o homem» (Mt 19, 6). À objecção dos fariseus, que se sentem fortes pela lei mosaica, Ele responde: «Por causa da dureza do vosso coração, Moisés permitiu que repudiásseis as vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim» (Mt 19, 8)".
Texto completo: https://falachicopodcast.com.br/playlists/gratissimam-sane-1994
--
Compartilhe suas opiniões, reflexões e experiências dos episódios do Fala, Chico! Envie-nos uma mensagem de áudio pelo link anchor.fm/falachico/message
--
Fala, Chico! é um podcast dedicado à leitura de cartas, encíclicas, exortações e homilias dos Papas e textos da Tradição da Igreja Católica, produzido, editado e apresentado por Eugênio Telles.
--
Fale comigo nas redes sociais: facebook.com/falachicopodcast | instagram.com/falachicopodcast | https://t.me/falachico
Leitura da carta do Papa São João Paulo II às famílias: Gratissimam sane, Ano da Família, 1994. Capítulo 1, "A família e a sociedade", §17.
"A família é uma comunidade de pessoas, a mais pequena célula social, e como tal é uma instituição fundamental para a vida de cada sociedade.
Que espera a família enquanto instituição da sociedade? Antes de mais, ser reconhecida na sua identidade e aceite na sua subjectividade social. Esta subjectividade está ligada à identidade própria do matrimónio e da família. O matrimónio, que está na base da instituição familiar, é estabelecido pela aliança com que «o homem e a mulher constituem entre si a comunhão íntima de toda a vida, ordenada por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à procriação e educação da prole» (40). Somente uma tal união pode ser reconhecida e confirmada como «matrimónio» pela sociedade. Ao contrário, não o podem ser as outras uniões interpessoais que não obedecem às condições agora recordadas, mesmo se hoje, precisamente sobre este ponto, se difundem tendências muito perigosas para o futuro da família e da própria sociedade.
Nenhuma sociedade humana pode correr o risco do permissivismo em questões de fundo relativas à essência do matrimónio e da família! Um tal permissivismo moral só pode causar dano às autênticas exigências da paz e da comunhão entre os homens. Compreende-se assim a razão por que a Igreja defende vigorosamente a identidade da família e incita as instituições competentes, especialmente os responsáveis pela política, bem como as organizações internacionais, a não cederem à tentação de uma aparente e falsa modernidade.
Como comunidade de amor e de vida, a família é uma realidade social firmemente radicada e, de modo muito próprio, uma sociedade soberana, apesar de condicionada sob vários aspectos. A afirmação da soberania da instituição-família e a constatação dos seus múltiplos condicionalismos levam a falar dos direitos da família. A este propósito, a Santa Sé publicou em 1983 a Carta dos Direitos da Família, que conserva hoje toda a sua actualidade. Os direitos da família estão estritamente conexos com os direitos do homem: de facto, se a família é comunhão de pessoas, a sua auto-realização depende, em medida significativa, da justa aplicação dos direitos das pessoas que a compõem. Alguns destes direitos dizem imediatamente respeito à família, como o direito dos pais à procriação responsável e à educação da prole; outros direitos, ao contrário, referem-se ao núcleo familiar só de modo indirecto: entre estes, de singular importância, estão o direito à propriedade, especialmente a chamada propriedade familiar, e o direito ao trabalho".
Texto completo: https://falachicopodcast.com.br/playlists/gratissimam-sane-1994
--
Compartilhe suas opiniões, reflexões e experiências dos episódios do Fala, Chico! Envie-nos uma mensagem de áudio pelo link anchor.fm/falachico/message
--
Fala, Chico! é um podcast dedicado à leitura de cartas, encíclicas, exortações e homilias dos Papas e textos da Tradição da Igreja Católica, produzido, editado e apresentado por Eugênio Telles.
--
Fale comigo nas redes sociais: facebook.com/falachicopodcast | instagram.com/falachicopodcast | https://t.me/falachico
Leitura da carta do Papa São João Paulo II às famílias: Gratissimam sane, Ano da Família, 1994. Capítulo 1, "A educação", §16.
"Em que consiste a educação? Para responder a esta questão, há que recordar duas verdades fundamentais: a primeira é que o homem é chamado a viver na verdade e no amor; a segunda é que cada homem realiza-se através do dom sincero de si. Isto vale tanto para quem educa, como para quem é educado. Assim, a educação constitui um processo singular, no qual a recíproca comunhão das pessoas aparece impregnada de grande significado. O educador é uma pessoa que «gera» em sentido espiritual. Nesta perspectiva, a educação pode ser considerada um verdadeiro e próprio apostolado. É uma comunicação vital, que não só constrói uma relação profunda entre educador e educando, mas fá-los ambos participar na verdade e no amor, meta final à qual cada homem é chamado por Deus Pai, Filho e Espírito Santo.
A paternidade e a maternidade supõem a coexistência e a interacção de sujeitos autónomos. Isto é particularmente evidente na mãe, quando concebe um novo ser humano. Os primeiros meses da sua presença no ventre materno criam um laço especial, que já reveste um seu valor educativo. Já durante o período pré-natal, a mãe estrutura não apenas o organismo do filho, mas indirectamente toda a sua humanidade. Mesmo se se trata de um processo que se orienta da mãe para o filho, não se esqueça a influência específica que o nascituro exerce sobre a mãe. Nesta influência recíproca, que se manifestará externamente após o nascimento da criança, o pai não toma parte directamente. Porém, ele deve empenhar-se responsavelmente a prestar a sua solicitude e apoio durante a gravidez e, se possível, também no momento do parto.
Para a «civilização do amor», é essencial que o homem sinta a maternidade da mulher, sua esposa, como um dom: isto, de facto, influi imenso no processo educativo inteiro. Muito depende da sua disponibilidade para tomar parte de forma adequada nesta primeira fase do dom da humanidade, e deixar-se envolver como marido e pai na maternidade da mulher.
A educação é, assim, sobretudo uma «oferta» de humanidade por parte de ambos os pais: estes comunicam juntos a sua humanidade madura ao recém- -nascido, o qual, por sua vez, lhes dá a novidade e o frescor da humanidade que traz consigo ao mundo. Isto verifica-se também no caso de crianças afectadas por deficiências psíquicas ou físicas: antes, neste caso a sua situação pode desenvolver uma força educativa muito particular".
Texto completo: https://falachicopodcast.com.br/playlists/gratissimam-sane-1994
--
Compartilhe suas opiniões, reflexões e experiências dos episódios do Fala, Chico! Envie-nos uma mensagem de áudio pelo link anchor.fm/falachico/message
--
Fala, Chico! é um podcast dedicado à leitura de cartas, encíclicas, exortações e homilias dos Papas e textos da Tradição da Igreja Católica, produzido, editado e apresentado por Eugênio Telles.
--
Fale comigo nas redes sociais: facebook.com/falachicopodcast | instagram.com/falachicopodcast | https://t.me/falachico
"O quarto mandamento do Decálogo refere-se à família, à sua solidez interior; poderíamos dizer, à sua solidariedade.
Na sua formulação, não se fala explicitamente da família. Mas, de facto, é mesmo dela que se trata. Para exprimir a comunhão entre as gerações, o divino Legislador não encontrou palavra mais apropriada que esta: «Honra... » (Êx 20, 12). Estamos perante um outro modo de exprimir o que é a família. Tal formulação não exalta «artificialmente» a família, mas põe em evidência a sua subjectividade e os direitos que daí derivam. A família é uma comunidade de relações interpessoais particularmente intensas: entre cônjuges, entre pais e filhos, entre gerações. É uma comunidade que há-de ser garantida de modo muito particular. E Deus não encontra garantia melhor que esta: «Honra».
«Honra o teu pai e a tua mãe, para que os teus dias se prolonguem na terra que o Senhor, teu Deus, te dará» (Êx 20, 12). Este mandamento aparece depois dos três preceitos fundamentais, que se referem ao relacionamento do homem e do povo de Israel com Deus: «Shemà, Izrael... », «Escuta, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor!» (Dt 6, 4). «Não terás outro deus além de Mim» (Êx 20, 3). Eis o primeiro e o maior mandamento, o mandamento do amor a Deus «acima de todas as coisas»: Ele há-de ser amado «com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6, 5; cf. Mt 22, 37). É significativo que o quarto mandamento esteja inserido precisamente nesse contexto: «Honra o teu pai e a tua mãe», porque eles são para ti, em determinado sentido, os representantes do Senhor, aqueles que te deram a vida, que te introduziram na existência humana: numa estirpe, numa nação, numa cultura. Depois de Deus, são eles os teus primeiros benfeitores. Se Deus só é bom, antes, é o próprio Bem, os pais participam de modo singular desta bondade suprema. E por isso: honra os teus pais! Há aqui uma certa analogia com o culto devido a Deus.
O quarto mandamento está em estreita ligação com o mandamento do amor. Entre «honra» e «ama», o vínculo é profundo. A honra, no seu núcleo essencial, está relacionada com a virtude da justiça, mas esta, por sua vez, não pode explanar-se plenamente sem fazer apelo ao amor: de Deus e do próximo. E quem é mais próximo que os próprios familiares, que os pais e os filhos?"
Texto completo: https://falachicopodcast.com.br/playlists/gratissimam-sane-1994
--
Compartilhe suas opiniões, reflexões e experiências dos episódios do Fala, Chico! Envie-nos uma mensagem de áudio pelo link anchor.fm/falachico/message
--
Fala, Chico! é um podcast dedicado à leitura de cartas, encíclicas, exortações e homilias dos Papas e textos da Tradição da Igreja Católica, produzido, editado e apresentado por Eugênio Telles.
--
Fale comigo nas redes sociais: facebook.com/falachicopodcast | instagram.com/falachicopodcast | https://t.me/falachico
Leitura da carta do Papa São João Paulo II às famílias: Gratissimam sane, Ano da Família, 1994. Capítulo 1, "O amor é exigente", §14.
"Aquele amor, ao qual o apóstolo Paulo dedicou um hino na Primeira Carta aos Coríntios — aquele amor que é «paciente», é «benigno», e «tudo suporta» (1 Cor 13, 4.7) — é, sem dúvida, um amor exigente. Mas nisto mesmo está a sua beleza: no facto de ser exigente, porque deste modo constrói o verdadeiro bem do homem e irradia-o também sobre os outros. Na verdade, o bem, diz S. Tomás, é por sua natureza «difusivo» (36). O amor é verdadeiro, quando cria o bem das pessoas e das comunidades, cria e dá-lo aos outros. Somente quem, em nome do amor, sabe ser exigente consigo próprio, pode também exigir o amor dos outros. Porque o amor é exigente. É-o em todas as situações humanas; ainda mais o é para quem se abre ao Evangelho. Não é isso que Cristo proclama no «seu» mandamento? É preciso que os homens de hoje descubram este amor exigente, porque nele está o alicerce verdadeiramente firme da família, um alicerce que é capaz de «tudo suportar». Segundo o Apóstolo, o amor não é capaz de «suportar tudo», se cede às «invejas», se «se ufana», se «se ensoberbece», se «é inconveniente» (cf. 1 Cor 13, 4-5). O verdadeiro amor, ensina S. Paulo, é diverso: «tudo crê, tudo espera, tudo suporta» (1 Cor 13, 7). Um amor assim «tudo suportará». Actua nele a poderosa força do próprio Deus, que «é amor» (1 Jo 4, 8.16). Nele actua a poderosa força de Cristo, Redentor do homem e Salvador do mundo.
Meditando o capítulo 13 da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, encaminhamo-nos pela via que, mais imediata e incisivamente, nos faz compreender a verdade plena acerca da civilização do amor. Nenhum outro texto bíblico exprime tal verdade de um modo mais simples e profundo que o hino à caridade.
Os perigos que gravam sobre o amor constituem uma ameaça também para a civilização do amor, porque favorecem quanto é susceptível de eficazmente a contrariar. Há que pensar, antes de mais, no egoísmo, não só no egoísmo do indivíduo, mas também naquele do casal ou, num âmbito ainda mais vasto, no egoísmo social, por exemplo de classe ou de nação (nacionalismo). O egoísmo, em todas as suas formas, opõe- -se directa e radicalmente à civilização do amor. Porventura significa isto que o amor se pode definir simplesmente como «anti-egoísmo»? Seria uma definição demasiado pobre e, em última análise, apenas negativa, mesmo se é verdade que, para realizar o amor e a civilização do amor, devem ser superadas as várias formas de egoísmo. Mais correcto é falar de «altruísmo», que é a antítese do egoísmo. Mas ainda mais rico e completo é o conceito de amor ilustrado por S. Paulo. O hino à caridade da Primeira Carta aos Coríntios permanece como a magna charta da civilização do amor. Ali não é questão tanto de simples manifestações (quer de egoísmo quer de altruísmo), quanto sobretudo da aceitação radical do conceito de homem como pessoa que «se encontra» através do dom sincero de si mesmo — dom que, obviamente, é «para os outros»: esta constitui a dimensão mais importante da civilização do amor".
Texto completo: https://falachicopodcast.com.br/playlists/gratissimam-sane-1994
--
Compartilhe suas opiniões, reflexões e experiências dos episódios do Fala, Chico! Envie-nos uma mensagem de áudio pelo link anchor.fm/falachico/message
--
Fala, Chico! é um podcast dedicado à leitura de cartas, encíclicas, exortações e homilias dos Papas e textos da Tradição da Igreja Católica, produzido, editado e apresentado por Eugênio Telles.
--
Fale comigo nas redes sociais: facebook.com/falachicopodcast | instagram.com/falachicopodcast | https://t.me/falachico
From the publisher's feed