Felippe Serigati, professor da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP), fala que embora alguns segmentos do agronegócio, até o momento, estão passando relativamente bem pela crise causada pela pandemia da Covid-19, essa situação não é um fenômeno generalizado em todo o setor. Notadamente alguns segmentos da Agroindústria brasileira, tem encontrado dificuldades na conjuntura atual. Dentre eles, merecem destaque a indústria de bebidas, de produtos têxteis e de biocombustíveis. No agregado, já no mês de março, a Agroindústria registrou contração de 5.6% quando comparado com março de 2019, de acordo com os números do Índice de Produção Agroindústria (PIMAgro) do FGV Agro. Essa forte contração no mês de março, foi suficiente para levar o desempenho do setor ao longo do primeiro trimestre para o campo negativo (queda de 1.2% no acumulado entre janeiro de março de 2020). De forma sintética, o desempenho dos setores agroindustriais seguiram uma lógica muito clara:
• Os setores da agroindústria que conseguiram sustentar o crescimento da sua produção foram aqueles (i) considerados essenciais e (ii) cuja demanda está associada ao consumo doméstico. Como exemplo, o setor de Produtos Alimentícios que registrou expansão de 3,4% no mês, na comparação interanual.
• Do outro lado, aqueles produtos não essenciais ou que a demanda está relacionada ao setor de serviços (como restaurantes, lanchonetes e padarias) sofreram, já em março, o impacto da quarentena de forma intensa. Nesse grupo, merece destaque o setor de Bebidas, cuja produção contraiu 18,7%, e o segmento de Produtos Não Alimentícios, com uma queda de 9,4%.