Minha vida é um testemunho de que a conquista exige suor, luta e trabalho. Nada,
absolutamente nada, foi fácil. Minha jornada rumo à aprovação em um concurso público foi um
caminho longo e árduo, que se estendeu por oito anos, recheado de estudos intensivos e,
inevitavelmente, reprovações, até que o sucesso finalmente chegasse.
A luta começou em meados de 2010. Naquela época, eu estava concluindo o Ensino Médio na
Escola Estadual Dr. Fontes Ibiapina e, naquele mesmo ano, obtive a aprovação no vestibular
da UFPI (o antigo PSIU Geral) para o curso de Licenciatura em Matemática.
Motivado, iniciei a empreitada nos concursos públicos. O primeiro que prestei foi o concurso
municipal da Cidade de União, no Piauí, com a banca Machado de Assis, resultando na
primeira reprovação. Em seguida, fiz o concurso municipal para a cidade de Esperantina, PI. A
banca continuava sendo a mesma e, mais uma vez, fui reprovado.
O concurso de Esperantina, no entanto, foi peculiar e marcou profundamente minha memória.
Viajei para a cidade apenas com o dinheiro da passagem. Chegando lá, sem condições de
pagar um hotel, pedi informações aos policiais sobre um local público para passar a noite. Eles
me acolheram, permitindo que eu dormisse na delegacia. No dia seguinte, tomei café com os
policiais, e eles me levaram até o local de prova. Mesmo com todo esse esforço e ajuda, fui
reprovado.
As tentativas continuaram. No concurso municipal de Luzilândia, PI, havia 15 vagas e 3.000
pessoas disputando o meu cargo. Conquistei o 16º lugar, ficando fora da quantidade de vagas
ofertadas e, novamente, sendo reprovado. Prestei o concurso do Banco do Brasil com lotação
para Teresina-PI e não obtive êxito.
Avançando para as esferas federal e estadual, fiz o concurso público para a Polícia Rodoviária
Federal, com lotação em Teresina-PI, onde fui classificado, mas nunca fui convocado. Prestei o
concurso público municipal da Câmara de Piripiri-PI, sendo classificado, mas igualmente nunca
convocado. A decepção se repetiu no concurso público estadual do Conselho Federal de
Medicina do Maranhão, com lotação para Caxias, Maranhão. Eram apenas quatro vagas e a
prova foi realizada em São Luís. Fiquei empatado em quarto lugar, mas os critérios de
desempate me levaram a mais uma reprovação.
Finalmente, o ano de 2018 chegou. Nesse mesmo ano, fui aprovado no vestibular específico do
IFPI para o curso técnico em contabilidade. Foi então que saiu o edital do concurso público
municipal da prefeitura de Caxias, Maranhão. Adivinha a banca? Era a mesma, a Machado de
Assis, que já havia me reprovado diversas vezes.
Desta vez, minha estratégia foi diferente. Resolvi as provas dos anos anteriores, dediquei mais
de seis horas de estudo por dia, assisti a todas as aulas disponíveis no YouTube e pesquisei
exaustivamente assuntos relacionados à prova.
Mesmo com toda a preparação, o destino tentou me impedir de realizar a prova. O ano foi
marcado pela greve dos caminhoneiros, que paralisou o país. Lembro-me de ter passado o dia
todo trabalhando e, ao final do expediente, ter que viajar para Caxias-MA. A dificuldade para
chegar à rodoviária de Timon, Maranhão, foi terrível. Encontrei a mesma dificuldade para
comprar a passagem e chegar a Caxias, pois as estradas estavam sendo paralisadas. Mesmo
assim, com imensa dificuldade, consegui a passagem e cheguei em Caxias à meia-noite.
A prova aconteceria no domingo pela manhã. Eu estava muito confiante, apesar da alta concorrência para o cargo de Operador de Infraestrutura (50 vagas). Desta vez, foi diferente:
eu já conhecia a banca, e o esforço foi recompensado. Fiquei classificado na 36ª posição,
obtendo a tão sonhada aprovação.
Oito anos de luta encontraram seu final, mas a espera não havia terminado. Tive que aguardar
longos quatro anos pela nomeação. Finalmente, no dia 2 de março de 2023, tomei posse no
auditório da prefeitura municipal de Caxias, no Maranhão, concluindo a jornada com a certeza
de que cada reprovação, cada noite mal dormida....