Se eu capto dos sentidos o sentido,/ Sentir já tem sentido antes que eu sinta./ Se ouço, ouviu o Ouvir antes do ouvido./ Se vejo, o Ver avista a prévia vista.// Em parte sou a Alma, em parte, eu mesmo ---/ sou Alma nesse todo em mim presente,/ e eu, a espoliada parte, cujo senso/ engana mas ainda me pertence.// O resto é ver sentidos nessa imagem,/ que vem para explicar e passa, em vão,/ qual mensageiro imita da mensagem/ o aspecto e não explica a explicação,// como se a chave de carta secreta/ achássemos escrita em língua incerta. (dos "35 Sonetos Ingleses, tradução de Philadelpho Menezes)