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Abordamos dois movimentos pensados para atuar sobre as microviolências cotidianas, tanto aquelas dirigidas a nós mesmos e aos outros como a vida como um todo.
O que nos reconecta para além das fraturas sociais? Elas que, sem pedir licença, invadem nossas mentes, alteram nossas emoções e marcam nossos corpos... Como perceber e ultrapassar pressas, desesperanças, apatias, ódios e cansaços? Como detectar tempos e modos que nos são próprios e exercitá-los na dinamicidade por vezes barulhenta dos redesenhos circunstanciais?
O exercício demanda confiança, entrega e disposição para ler cenários internos e externos, flexibilizando as verdades que trazem, sem dogmatizar, universalizar e tomar como prontas e acabadas as narrativas.
Se nem sempre é tarefa fácil vivenciar escuta, respeito, empatia, dignidade e amor em espaços humanizados, onde se abraça o não saber e se suspende juízos para acolher, o que dizer da transposição desses valores para zonas de choque, como habitualmente são as sociedades e as relações...
Nesses espaços as microviolências são geradas, o silenciamento é imposto, o corpo controlado, a alma fragmentada e as perspectivas invisibilizadas.
Nesse contexto surgem os encontros do "Círculo de Mulheres" e do "Coexistências e Conexões"...
O Círculo de Mulheres, pensado exclusivamente para mulheres, onde juntas possamos levantar questões sistematicamente silenciadas, nomear o que nos liberta, exercitando autossuficiência, como sujeitos da experiência que somos.
O Coexistências e Conexões, pensado para homens e mulheres. Desafios cotidianos podem ser facilitados pelo exercício da interdependência, movimento coletivo e interconectado que nos remete a pulsar e construir juntos, possibilitando expressões e expansões mútuas. Quando liberdade passa a experiência coletiva: em fluxo, ajustes, potência e coesão.
Ana Rita de Calazans Perine
orior.com.br/ana-rita
Tratando de um tema que permeia a vida, transpassa a arte e chega até a clínica, recebemos a contribuição de Ana Cristina da Conceição, que nos convida a refletir sobre a solidão, valendo-se também de Rainer Maria Rilke.
Ana Cristina (@ana.cristina_fc) é Filósofa Clínica, Professora do IMFIC (Instituto Mineiro de Filosofia Clínica), idealizadora do projeto Mulheridades (@mulheridades_fc), integrante e apoiadora de coletivos diversos na sua cidade natal, São João Del Rei / MG.
Ana Rita de Calazans Perine
orior.com.br/ana-rita
O maternar se define e ressignifica a cada singularidade acolhida... Pode acontecer antes, durante e após concepção, gestação e parto. Pode envolver seres, projetos, sonhos, ideias e saudades... Transcende gêneros e laços sanguíneos. Envolve percepção, presença e trocas. Traz desafios, assombros e encantamentos...
Hoje, trazendo a bonita partilha de Paula Prizo (teóloga, psicanalista e filósofa clínica, que integra o coletivo @mulheridades_fc), com "O Cordão"...
Ana Rita de Calazans Perine
orior.com.br/ana-rita
Incômodos pontuais com o mês de Maio, enraizando desafios de fechamento de ciclos e exercitando aberturas para o que está por vir...
Ana Rita de Calazans Perine
orior.com.br/ana-rita
Dando sequência a um movimento bonito de sororidade na Filosofia Clínica, que nasceu com o coletivo @mulheridades_fc e com a Edição Especial da Revista Partilhas / IMFIC ("MULHERIDADES, da pluralidade às singularidades na clínica"), convido as Filósofas Clínicas em geral a ampliarem suas vozes, como mulheres e terapeutas, através deste Canal...
Para tanto, basta entrar em contato comigo, via WhatsApp, enviando um áudio (mp3) de 10 à 20 minutos, com sua mensagem (reflexão, depoimento, leitura de texto próprio) a respeito da complexidade de ser mulher e do exercício do papel existencial de terapeuta. Junto do áudio, encaminhar em texto como gostaria de ser apresentada e contato a ser divulgado...
Que possamos celebrar a vida juntas, cirandando e cantando os desafios e belezas da ética do cuidado, dirigida não só ao outro, também a nós mesmas...
Forte e carinhoso abraço,
Ana Rita de Calazans Perine
orior.com.br/ana-rita
Rascunhando novo artigo, entre escritos antigos, encontrei um poema de Agosto de 2025, que aqui deixo. Aproveitando para desejar que tenhamos coragem e discernimento necessários para deixar ir o que nos reduz e restringe nosso passo. Por alargamentos e profundidades necessárias!
Forte e carinhoso abraço,
Ana Rita de Calazans Perine
orior.com.br/ana-rita
Porque fluxo também é vida... Então, sacode a poeira dos dias e...
DANÇA
Ana Rita de Calazans Perine
orior.com.br/ana-rita
Eixo é referência dinâmica, não estática
Estrutura corpórea como alcance, não obstáculo
DANÇA
Como átomo que gira
Spin angular a explorar possibilidades
DANÇA
Como éter que preenche o universo
Vácuo quântico modulando espaço
DANÇA
Como energia que penetra o cosmos
No fluxo que oculta e revela
DANÇA
Como vento a esculpir oásis em desertos
Compondo o tempo
DANÇA
Como grilhões que rompem
Hiatos de eternidade
DANÇA
Como asas que abrem circuitos alternados
Pausa que gera continuidade
DANÇA
Como incorporação do ser
Expressa em beleza e verdade
DANÇA
Como masculino e feminino entrelaçados
A sós, na potência trina de dois
DANÇA
A vida reconhece a si própria
Potencializa e transcende
Quando DANÇA
"Percepção e Presença são temas marcantes na Filosofia, com destaque para a tradição fenomenológica, tendo Edmund Husserl como expoente, coloca o corpo e a experiência vivida no centro da compreensão do ser no mundo.
Destaco, ainda, Merleau-Ponty (rejeita a separação intelectualista entre corpo e mente), Heidegger (o “ser aí”, dimensão espaço temporal onde o ser se encontra e exercita seu modo de questionar a existência e ir, por meio dela, se tornando) e Jacques Derrida (questiona a metafísica da presença, regatando o papel da ausência, da diferença e do devir).
Fenomenologia, estudo do fenômeno: como as coisas se mostram à consciência, pela consciência que se tem das coisas, com percepção e presença.
Fenômeno como algo que se mostra e é aprendido. É necessário não saber para ver. Para capturar o inédito se faz necessário uma abertura ao novo de todo dia. Envolve “EPOQUÉ”, suspensão de juízo. Em alguns momentos é preciso esquecer para lembrar e ser atravessado como a primeira vez diante do germinar da semente, do pôr de sol, do olhar da pessoa amada, da luz e da sombra nos dias e em nós...
Percepção não é apenas ver, é ser tocado pelo mundo através do corpo. Dos sentidos que geram sensações, que provocam sentimentos, que mobilizam pensamento e ação.
Presença não é apenas estar presente, é engajamento pleno do sujeito, com sua história e corporeidade. Não é só estar junto, é ser junto, habitando espaços relacionais. Presença enraíza consciência no mundo e na intersubjetividade, na relação com o mundo, de fora e de dentro.
Quer sejam pensados ou vividos, nossos corpos são eminentemente relacionais. Pensemos na respiração: inspiramos oxigênio, liberado das plantas e expiramos gás carbônico, matéria-prima da fotossíntese.
No fenômeno e em cada um de nós a pluridimensionalidade existe em uma sucessão de agoras... Trazendo Lacan, transitaríamos cotidianamente entre real (impossível de ser nomeado), simbólico (linguagem e significantes) e imaginário (imagens, sentido e noção de eu). Trazendo Platão, que difundiu a visão grega clássica, revisitado por Jung, a realidade seria uma amálgama entre os planos inteligível (mundo arquetípico, das ideias) e sensível (mundo concreto, dos fatos).
Diante destas pequenas observações nota-se estar a percepção também ligada ao repertório, contido na especificidade do sujeito, que dita sua capacidade de absorver o objeto, de legitimar a vida, de exercitar empatia, de respeitar diferenças e crescer com elas, sem deixar de custodiar dignidades, impondo limites sempre que necessários para que estas (dignidades) não sucumbam."
Quanto ao documentário mencionado:
“MICROCOSMOS – O Povo da Relva” / França, 1996. Direção: Claude Nuridsany e Marie Perennou. Produção: Jacques Perrin. Trilha Sonora; Bruno Coulais. Grande Prêmio Técnico / Cannes, 1996. Melhor fotografia, som, edição, música original e produtor / César, 1997.
Ana Rita de Calazans Perine
orior.com.br/ana-rita
Quando estados de letargia fazem os sonhadores desacreditar dos sonhos, seja pela falta de validação ou de reformulação que os permita dialogar com a vida... Como consequência possível, crise de sentido e pertencimento... Em um mundo onde a hipocrisia reina e o comportamento de manada é incentivado, ser quem se é adquire status de sonho!
Ana Rita de Calazans Perine
orior.com.br/ana-rita
Em alguns momentos, ajustes de rota e fidelidade a nós mesmos demandam desaceleração, distância e desconstrução. A partir daí, quando se avista uma escrita mais legítima e fidedigna, a (re)construção começa, a travessia é empreendida e a presença, paulatinamente, passa a ocupar seu lugar à mesa.
Ana Rita de Calazans Perineorior.com.br/ana-rita
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