No Brasil, o setor de energia, no qual predominam fontes renováveis, responde por cerca de 35% das emissões de gases do efeito estufa - metade do percentual observado em nível global. Nem por isso o país e as empresas que aqui atuam estão isentas das pressões internas e externas em favor da transição energética, venham elas do mercado de capitais, de organizações multilaterais ou de ONGs. A transição energética é parte importante do zeitgeist expresso na sigla ESG.
Para um país que precisa acelerar o crescimento da sua renda per capita - baixo nos últimos quarenta anos -, é preciso fazer da transição energética uma oportunidade para aumentar a oferta de energia no ritmo e com custos compatíveis com a ambição de fazer do Brasil um país desenvolvido. Ou seja, há de se trabalhar por uma renda per capita de pelo menos o dobro da atual e drástica redução da pobreza e da desigualdade. Para exemplificar, Portugal, com uma renda per capita de aproximadamente US$ 20 mil, consome, por habitante, uma quantidade de energia 65% maior do que o dado observado no Brasil.
Este debate colocou em discussão os desafios para conciliar os objetivos de acelerar o crescimento da economia, o aumento da oferta de energia, a transição energética e a redução da pobreza e da desigualdade. O que esse desafio exige dos governos? O que requer das empresas? Como as afeta? Estas foram algumas das perguntas respondidas neste webinar com dois painéis.
PALESTRANTES:
- Painel 1: Os desafios de policy e regulação
David Zylbersztajn
Professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e Coordenador do Master Of Business Economics (MBE) em Energia, é membro do Conselho Consultivo da Norte Energia. Foi presidente dos conselhos de administração da Eletropaulo, CESP, CPFL, Comgás, Varig e Light. Foi diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e secretário de Energia do Estado de São Paulo. É engenheiro mecânico e mestre em Engenharia Mecânica pela PUC-Rio e doutor em Economia da Energia pela Université Grenoble Alpes.
Jerson Kelman
Engenheiro civil com mestrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutorado pela University of Colorado (EUA), foi professor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE-UFRJ). Foi o principal dirigente da ANA, ANEEL, Light e Sabesp. Atualmente é conselheiro da Eneva, Evoltz, Iguá Saneamento e Orizon.
- Painel 2: Os desafios das empresas
Wilson Ferreira Jr
Presidente da Vibra e ex-presidente da Eletrobras e da CPFL. Formado em Engenharia Elétrica e em Administração de Empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, foi escolhido por oito vezes consecutivas, pelo jornal Valor Econômico, para o prêmio "Executivo de Valor", na categoria "energia elétrica".
Solange Ribeiro
Presidente adjunta da Neoenergia e Vice Chair do Conselho do Pacto Global das Nações Unidas, é vice-presidente do Conselho do Operador Nacional do Sistema (ONS). É também vice-presidente do conselho da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABIDB) e membra do conselho da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (ABRADEE).
Clarissa Sadock
Clarissa Sadock é presidente da AES Brasil. Graduada em Economia pela Faculdade Cândido Mendes, possui MBA em Finanças pela COPPEAD/UFRJ e curso de extensão em Finanças pela Darden School of Business - University of Virginia (EUA). Possui experiência de mais de 20 anos na área financeira em empresas como Claro, Contax e Aracruz Celulose.
MEDIAÇÃO:
Sergio Fausto
Cientista político, é diretor geral da Fundação FHC e codiretor do projeto Plataforma Democrática e da coleção "O Estado da Democracia na América Latina".