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O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga afirmou que hospitalizados por Covid-19, em sua maioria, são pessoas que não se vacinaram. A fala do ministro é uma expressão da eficiência da imunização assumida pelo governo federal.
A fala do chefe da pasta da Saúde foi dada ao receber o primeiro lote de vacinas da Pfizer, 1,2 milhões de doses. A campanha para vacinação de crianças entre 5 e 11 anos começa no país em um clima de crescimento do número de casos.
Alguns países já pensam em punir quem não se vacinou, acaba tendo complicações por causa da Covid-19 e necessita de internação. Na Grécia se discute multar pessoas com mais de 60 anos que não se imunizaram. No Canadá se quer cobrar a conta do hospital para os que não se protegeram. Isto é justo?
A resposta é sim. Se temos o direito de escolher, há o ônus e o bônus da escolha. Os dados têm demonstrado que a imunização livra as pessoas de complicações. Agora que temos um aumento do número de casos, é fundamental que se tenha a ciência e consciência dos atos.
Para os que consideram que isso é imposição, radicalismo, há que refletir. Considero que ser radical é contrariar os dados científico e agir com base em crenças superficiais. Não é liberdade legítima a ação de afetar outras pessoas e colocar a vida delas em risco. Isso não é um direito.
Reflita, pense e saiba fazer suas escolhas. Mais que isso, assuma todos os atos que são fruto de suas escolhas.
A república brasileira foi formada por militares. Não foi um movimento popular com grande apelo da sociedade que saiu as ruas em busca de defender um regime mais representativo. Ilusão, foi golpe. Nossa sorte, ou azar, é que o imperador deposto não resistiu. Se tivesse feito, talvez o regime republicano não tivesse se instalado ou demorado a ser implantado no país.
Mas voltando a falar dos militares, a proclamação foi feita por um homem de farda. Porém, outros fardados também governaram o país ao longo da república. O cargo militar sempre encantou uma parte da sociedade que idolatra o regime de exceção e a imposição da disciplina. A crença de que o juramento da academia e sua disciplina rígida irá nos salvar. Doce ilusão. O mal também está nas fileiras das forças armadas.
Hermes da Fonseca foi o primeiro militar eleito no Brasil. O sobrenome não nega, era sobrinho de Deodoro da Fonseca, o proclamador da república. Que por sinal era amigo do imperador. Hermes também tinha seus “bons” serviços prestados ao império. Foi ajudante de ordens do Conde D’Eu, o genro de Dom Pedro II.
Hermes subiu ao poder como presidente após uma campanha acirrada com Rui Barbosa. O político baiano defendia o civilismo. Considerava que o país precisava ampliar os direitos dos cidadãos e dar mais garantia a população para acabar com os desmandos. Já, Hermes da Fonseca defendia o militarismo salvacionista. Somente a intervenção nos Estados e a centralização do poder nas mãos do presidente seria a solução.
Venceu o desejo de um governo utópico do militarismo que já tinha demonstrado sua força na Proclamação da República e principalmente durante o governo do marechal Floriano Peixoto. O chamado florianismo foi a primeira expressão de defesa das forçar armadas como “agente purificador do regime”. O que assistimos hoje vem de longa data.
O centralismo de Hermes da Fonseca levou a criar o próprio partido, o Partido Republicano Conservador, o que não se consolidou na história republicana, mas marcou o desejo do presidente de ser autoridade absoluta.
A presidência de Hermes foi de 1910 a 1914. O presidente conviveu com conflitos regionais e revoltas, a mais importante delas foi a da Chibata. O descontentamento dos marinheiros, em sua maioria afrodescendentes, que sofria preconceito e não tinham soldos dignos ou carreira militar. Maus tratos dentro da marinha era prática antiga, remontava o império.
O governo do marechal foi um fracasso diante do que prometeu. Não estabilizou e aprofundou os conflitos oligárquicos que ficaram expostos em seu governo. Ele saiu e ninguém sentiu falta.
Esta busca da salvação pelo militarismo foi parte constante da história republicana. Emergiu no discurso da purificação do regime e da implantação da “honestidade” por imposição. O discurso de separar os bons dos maus sempre foi encantador e facilitador aparente dos dilemas do país. Para quem tem um olhar mais atento, sabe que as coisas não se resolvem assim.
Sempre é bom lembrar que o passado é uma boa medida para nossos atos. Se caminha para frente, mas nos passos que se dá há tendências dos caminhos que já percorremos. Na busca de valores aparentemente inovadores praticamos velhos erros e pagamos o preço. Logo, nem sempre o novo é novidade.
Sempre defendi e defendo a vacinação. Considero que ela é o elemento fundamental para a proteção de cada um e da sociedade. Demonstrou eficiência neste momento de um grande número de contaminados onde os vacinados foram os que apresentam os sintomas mais leves ou são assintomáticos.
Considero que a vacinação deva ser uma obrigação das pessoas. Que se tem que criar compromissos para que o processo de imunização chegue a todos e a obrigatoriedade é isso. Não estamos diante de uma possibilidade de escolha e sim de uma questão de saúde pública. Não há espaço para as particularidades diante disso.
Se queremos manter a liberdade de escolha, quem insistir com sua visão privada e de não querer vacinar, deve assumir todas as responsabilidades de sua escolha. Alguma punição deve ser dada a alguém que não toma a vacina, transmite a doença, e acaba tendo sintomas graves e se vê hospitalizado.
O secretário de Saúde do Paraná, Beto Preto, fala constantemente sobre a conscientização das pessoas, o poder do convencimento. Sim, concordo, é o melhor caminho. Mas tem um limite. Temos hoje seguidores cegos e céticos, o que dificulta tratar temas com racionalidade e ponderação. Até onde temos que tolerar?
Em meio a uma crise que afeta o país o que se quer são respostas e não piadas. Eu me cansei de ver tanta piada de mal gosto propagada todos os dias. Me irrita não encontrar um governante que fale sério.
Não estou aqui fazendo crítica ideológica, combatendo medidas que não concordo ou discutindo uma visão diferente da realidade que vivemos. Estou aqui lamentando e condenando a “palhaçada”. A falta de conteúdo. A indignação de alguém a altura do que se espera de um líder. Apenas isso.
Não vou aqui fazer defesa de reformas necessárias. Elas já são a muito tempo. Tanto a tributária, como a política e trabalhista. Não estou falando de privatizações, as sérias e transparentes são bem-vindas. Estou pedindo respeito, como cidadão.
Queria dizer que estamos diante de uma nova onda da Covid-19 e uma nova cepa da gripe que é realidade. Da vacinação necessária e comprovada como arma eficaz para evitar mortes e internações graves. Queria apenas que diante de tudo isso, tivéssemos um líder que levasse o problema a sério.
Será que é pedir muito?
Quando a colonização portuguesa se estabeleceu sobre as terras brasileiras o rei estabeleceu suas ordenações. Preocupado que suas leis fossem cumpridas em todos os territórios dominados, Dom Manuel fez publicar suas ordens, as Ordenações Manuelinas.
Formada por cinco livros, as ordenações região todas as relações entre o rei e seus súditos. Mas deixava clara a necessidade de se manter a desigualdade. Afinal, no Séculos XVI, a monarquia teocrática era uma característica dos reis da Europa. A desigualdade neste mundo é uma vontade de Deus. E cada um deveria cumprir seu papel neste mundo permanentemente desigual. Ao rei cabia garantir que a desigualdade se mantivesse, afinal era o guardião dos desejos divinos.
Um dos aspectos que se criou com este ambiente de privilégios para uns e regras e punições excessivas para outros, foi o corporativismo. Alguns grupos privilegiados e que precisavam dos acordos do rei para manter seus interesses, cultuavam a defesa de seus membros e uma união de interesses acima de tudo e todos.
Cada membro de uma casta, se fosse atacado, teria a proteção dos demais, por mais injusto que fosse seu ato. Quando desejavam um determinado objetivo passavam por cima do que fosse para atingi-lo. Logo, o mais importante não era o que deveria ser feito, mas a quem beneficiava o ato.
O privilégio corporativo continua em nossos dias e ainda é o condutor de feitos e desfeitos nesta sociedade. Nas profissões, algumas transformadas em corporações, se tem claro o quanto se defende os interesses por mais torpes que sejam. Entre empresários, advogados, professores, médicos e políticos. Enfim, tudo o que desejar.
E não estou falando da valorização do profissional, da defesa da função exercida. Estou afirmando dos atos ilícitos e práticas ilegais que levam a membros destas corporações a serem questionados e sofrerem processos. Em muitos casos os demais reagem na defesa do ilegal temendo ferir os interesses da corporação.
Reafirmo que não questiono a ética profissional. Por sinal, a clamo. Desejo que ela seja realmente a orientação para os atos daqueles que exercem um determinado cargo de responsabilidade ou assumiu um papel na sociedade que exija ciência, consciência e princípios. Porém, não se pode colocar os interesses da corporação acima disso.
O Brasil é um país pobre? Não. Seria irônico afirmar isso. O Brasil é um país de pobres? Sim, seria um contrassenso não dizer isso. Mas o que faz um país tão rico ter gente tão pobre?
Temos que medir a riqueza na grandeza de interesses e valores que as relações estabelecem. Os indígenas que habitavam estas terras tinham em mãos uma natureza com um valor determinado pela necessidade de seu tempo e espaço. Sim, a proporção da demanda por determinados produtos e serviços elevam o valor ou o fazem decair.
Na descoberta portuguesa e no domínio sobre a natureza e técnicas que foram incorporadas pelos nativos se descobriu valores e surgiram demandas. Muitas das coisas produzidas na terra rodaram mundo a fora e foram “soluções” para inúmeros problemas. O intermediário sempre foi o grande acumulador nos tempos de colonização. Não por acaso os senhores de engenho eram a elite de terras e pessoas, escravos. Contudo, a riqueza do açúcar ficou nas mãos dos empresários mercantis.
Engraçado que hoje a produção se multiplicou. Se modernizou as técnicas de transporte e o acesso aos bens foram agilizados. Os mecanismos digitais aproximaram seres humanos de seus objetos de desejo e ensinou o mercado a conhecer os interesses das pessoas e estimularem suas vontades. Não se sabe mais ao certo se o que se cria é porque se quer ou simplesmente porque descobriram antes de nós mesmos que desejávamos.
O Brasil, neste ambiente, continua produzindo muito da necessidade de muitos e tudo feito por muita gente. Contudo a participação dos seres humanos nesta cadeia é desigual. Cada vez mais importante do que estar presente na relação do que gera as coisas, o valor está na capacidade de demonstrar ao mundo que as coisas existem e entender que as deseja. E isso, nem todo mundo pode fazer. Porém, todos dependem direta ou indiretamente desta capacidade de manipular esta informação.
No Brasil há uma tendência de se idolatrar velhas saídas e valorizar determinados personagens. Da mesma forma que o país, as pessoas tendem a reproduzir suas certezas e valores ao longo do tempo. O que não significa que se eternize tais tendências, mas os sintomas são sempre expressos ao longo do tempo.
Sempre vivemos de golpes e contragolpes na busca pelo poder. O país teve inúmeros governantes que não hesitaram em usar da força para permanecer com o comando do país. Se rasgou a Constituição, manipulou as forças armadas e mesmo a propaganda em busca da idolatria pública.
Fazemos o mesmo. E quando temos exemplos do passado, herdamos a intensão do gesto. Um destas características foi o militarismo na história do país. Na Proclamação da República ou no Golpe de 1964 estão exemplos da busca da farda para purificar o regime e combater os perigos que se apontava dos que queriam o “mal” do país.
Na vida, “o hábito faz o monge”. E conforme vamos reproduzindo os mesmos atos e apontando os mesmos problemas, demonstramos nossa incapacidade de superar nossa percepção limitada da realidade, seja ela qual for. A reprodução constante de ações nem sempre demonstra eficiência. As coisas mudam e é bom a gente mudar também.
Tem quem se pergunte se devia ter nascido. Outros consideram que o passado é algo a ser condenado. Apontam os erros dos que agiram antes, como observadores que não tem relação com o fato que criticam. A fácil posição do observador que se nega a aceitar que faz parte do que condena.
Quando Cabral desembarcou em Porto Seguro, há mais de 500 anos, o curso da história das terras e das pessoas iniciou uma mudança. O que se aponta como massacre sobre as populações indígenas, o chamado genocídio, coloca o colonizador como um devastador de coisas e pessoas.
Toda e qualquer desgraça que esta terra tenha construído ao longo destes mais de cinco séculos é culpa do homem branco, lusitano, e dos que vieram depois, na busca de riquezas. Coração desalmado e ações impiedosas. Extermínio e escravidão foram as marcas que fizeram o povo, afirma os observadores parciais.
Não se nega, e nem se pode, o extermínio. Foram 5 milhões de almas mortas na ocupação e umas tantas na mesma proporção trazidas como escravas para as terras da América lusitana. Nossa história é marcada por violência, destruição, sangue, morte. Como dizia o poeta chileno, Pablo Neruda, a América foi dominada pela cruz, a fome e a espada.
Contudo, se colocar como crítico do passado sem levar em consideração o contexto que ele ocorreu é um engano. Sem ter a dimensão da condição que se faz escolhas e se dá sentido aos atos. No passado, erros já foram acertos. Nele, verdades e mentiras já definiram o mesmo ato. O bom e o ruim se disse das mesmas pessoas. Assim como em nossa vida.
Assim como em nossa vida, o passado nos condena e ao mesmo tempo nos absolve. Ele, o tempo, e os fatos que o decoram nos fizeram. Somos filhos do que criticamos. O resultado malfeito é o mesmo que condena a feiura de sua origem.
Claro que ao analisarmos os erros que cometemos podemos mudar, e devemos. Mas, se condenar pelo passado como um predestinado ou negá-lo como uma isenção não são soluções. Melhor fazer a reflexão e seguir em frente tomando ciência e gerando consciência. Assim, ser melhor não é uma permanência e sim uma construção recheada de contradições.
Pode parecer desagradável dizer, mas “o mundo é dos interesseiros”. Coloque de uma vez por todas na sua cabeça que o que move as pessoas são seus interesses. Agir sem querer nada em troca e considerar que se faz por uma causa maior, é coisa de poucos. E a história está cheia de exemplos.
Vamos falar de Calabar, você conhece? Um senhor de engenho de origem miscigenada, pai português e mãe indígena, viveu na Capitania de Pernambuco, e no Século XVII lutou inicialmente contra a invasão holandesa no Brasil. Teve participação importante para refutar os “invasores” da Bahia e inicialmente em Pernambuco.
Contudo, em meio ao conflito, seu conhecimento das terras e das táticas de guerra aprendido com os indígenas, deu a ele um valor importante. Ao ponto em que resolveu mudar de lado e apoiar invasão holandesa no Brasil e colocar seus serviços na busca de fazer do Nordeste brasileiro a Nova Amsterdã, desejo da Companhia das Índias Ocidentais holandesas.
Em uma das batalhas, Domingos Fernandes Calabar foi capturado, inclusive com a destreza de outro mameluco, conhecedor da região, que se infiltrou em meio as tropas holandesas e facilitou a vitória e a prisão do chamado traidor. Calabar foi executado. Morto, teve seu corpo esquartejado.
Teria sido Calabar um traidor? A história ainda estuda e apresenta pontos de vista diferentes. Mas não se pode negar que Calabar agiu na busca de atender seus interesses. Pela sua lógica, colonizado por colonizado, dominado por dominado, preferiu fazer sua escolha.
Muitos fazemos escolhas. Para alguns pode parecer traição. Contudo, parte considerável das pessoas com quem nos relacionamos são movidas por interesses, tanto quanto nós. Quando pensamos na quantidade de seres que conhecemos, chamamos de amigos e juramos fidelidade, com quantos isso realmente é uma verdade?
Logo, a lição é simples. Há uma fidelidade plena com quem devemos uma convivência e uma dívida histórica. Há alianças ocasionais, carregadas de buscas de prestígio, sucesso e satisfação que se limitam ao momento, as coisas imediatas. Todos nós, como Calabar, podemos fazer nossas escolhas. E o resultado nos fará heróis ou bandidos, fiéis ou traidores.
Nossa vida é feita de escolhas. Muitas não percebemos e as que notamos não temos muita ciência das consequências. Escolher é viver. Parte considerável dos nossos atos terão desdobramentos em longo prazo. Só mais tarde vamos perceber como “colhemos o que plantamos”, mas a certeza é que o resultado vem de alguma forma.
Agora vamos celebrar a passagem de ano. 2021 se vai e a chegada de um novo ano falamos em renovação. No fundo, aquelas promessas que sempre fazemos para o ano que começa nem sempre se cumpre. As coisas não são automáticas. Não é uma questão de apertar o botão e pronto, tudo resolvido, ligamos ou desligamos o que nos interessa ou desinteressa.
Na prática, todos os anos, estamos colhendo o que plantamos e cultivando de novo o solo da vida. Vivemos no que herdamos e em conjunto com tantos outros contribuímos para deixar como legado um dia. Neste mundo de desejos, a busca por ser diferente é diferença que se faz diariamente.
Hoje, quando a passagem de ano chegar espero que todos estejam do lado das pessoas que te dão significado na vida. Seja de forma presente ou na mende e coração. Espero que você olhe para o futuro e pense nele como uma jornada. Onde não há destino e sim um longo caminho feito de etapas construídas todos os dias. Que 2022 seja de boas colheitas e de grandes plantios. Feliz Ano Novo!
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