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Qual foi o grande aprendizado de 2021? Qual lição podemos tirar do ano que está acabando? A ciência, o conhecimento e sua capacidade de superação. O quanto podemos fazer diferente se usarmos a capacidade humana para o bem coletivo.
Vamos estabelecer uma relação simples com os números para se ter ideia do que estou falando. No Paraná, no final de 2020, no dia 30 de dezembro, foram 76 mortes. Ontem, dia 28, foram 4 óbitos. O pico da doença este ano foi no mesmo de junho, quando tivemos 301 mortes por Covid-19.
A vacinação fez toda a diferença. A busca da solução científica para a superação do problema deve descréditos, gerou debates, mas prevaleceu o bom senso. Hoje avançamos para vacinar crianças e temos a possibilidade de uma dose de reforço. Me menos de dois anos, saímos de uma condição de crise extrema para uma estabilidade e números que demonstram a possibilidade do controle da pandemia em breve.
O ser humano é fantástico quando se organiza para superar suas limitações. Isso nos fez e faz cada mais eficientes e se tomarmos as decisões certas, pessoas melhores.
O Brasil dá um exemplo com a vacinação para o mundo. Um país que mesmo vivendo problemas de questionamento da eficiência das vacinas contra a Covid-19, mostrou que o Sistema Único de Saúde (SUS) e sua rede de vacinação funciona. O país tem uma cultura com as vacinas e superou todos os agentes de limitação.
O país já vacinou 78% dos brasileiros com pelo menos uma dose e 67,2% com imunização completa. A terceira dose ou de reforço atinge mais de 11% da população. Não por acaso, nas últimas 24 horas o número de mortos ficou abaixo de 100, 91, pelo terceiro dia. Foram 6.983 pessoas infectadas. Infelizmente, perdemos mais de 618,5 mil vidas.
Agora, em diversas cidades do país se discute e se define a vacinação de crianças entre 5 e 11 anos. Em alguns, haverá a cobrança de uma autorização médica e em outros apenas o acompanhamento de pais e responsáveis. A escolha acaba sendo dos adultos que tem a responsabilidade sobre as crianças. O adulto deve escolher e levar os filhos para a vacinação.
Os números demonstram que vacinas como a Pfizer e a CoronaVac são confiáveis. O fato de a imunização ser a principal responsável pela redução dos casos da doença e da redução do agravamento dos contaminados. O ambiente é de valorização da vacinação.
Diria que ser criança e se comportar como tal é considerar que a vacina é o “bicho papão”, o veneno que deseja nos matar, o desconhecido que pode acabar com nosso organismo, o mal que nos condenará. Estas lendas e fakes não trazem paz e sim alimentam o tormento.
Por isso, aposte na ciência, se não se vacinou, se vacine, se tomou a primeira dose, tome a segunda e se está em condição de tomar a dose de reforço, faça isso. Mais, se tem uma criança sob sua responsabilidade, quando chegar a hora delas vacinarem, não hesite, proteja a vida que está sob sua responsabilidade.
As pessoas vivem na espera da grande tacada. O dia em que a sorte bate a porta e a vida muda. A “grande guinada”. O nome do ato que expressa estas afirmações se chama loteria esportiva. E os brasileiras estão apostando mais, um aumento de 8% entre 2020 e 2021. Foram mais de R$ 18 bilhões apostados.
Nada contra se jogar a sorte em uma loteria esportiva. Vale a pena a busca de literalmente um fio de esperança. É a velha pergunta, “por que não?”. Mesmo sabendo que seria um milagre, uma grande quantia na mão pode fazer toda a diferença.
Contudo, vale lembrar que a maioria dos que ganharam na loteria não conseguiram guardar o dinheiro. Ele escorreu entre os dedos. A questão é que ter pode não significar permanecer. Aí se depende da qualidade e competência humana para lidar com a riqueza, com o capital. E isto, infelizmente, não tem tacada de sorte que resolva.
Não por acaso, a riqueza pode chegar de outra forma, em longo prazo, mais dolorida, deixando marcas pelo corpo, coração e mente. Sentindo o peso de cada centavo acumulado. Que para os que passaram por esta trajetória o valor do dinheiro é outro e talvez o significado não tenha muita relação com quem busca ganhar na loteria.
Sempre é bom lembrar que o dinheiro é um meio e não um fim em si mesmo. Os que gostam de acumular dinheiro tendem a ganhar mais do que os que gostam de gastar. Há quem vê dinheiro a se ganhar em tudo o que faz e há aqueles que vê algo a se comprar em tudo o que vê.
Sendo assim, continue apostando, mas é melhor ir batalhando por ele também. Mesmo a sorte sempre está mais próxima daqueles que se rodeiam das melhores probabilidades. Para se ter mais chances sempre é bom preparar o terreno e estar no lugar certo na hora certa. A virtude e a vocação precisam de uma preparação e de ações que a antecedem. Continue apostando, mas de preferência jogue mais fixas em você na probabilidade de um futuro melhor.
A história da formação brasileira é a denúncia de como o povo não construiu o Estado, mas sim, o Estado construiu o povo. A coisa foi de cima para baixo. Se desenhou o território e se fez povo quem estava dentro dele. Quer queiram ou não. Por isso, a frase de Dom Pedro, “se é para o bem do povo e felicidade geral da nação...” foi imposição.
Ao longo do tempo, o Estado imposto construiu o povo e o nacionalismo. O amor a pátria nação da ficção oficial da história e de seus heróis se propagou e se consolidou como realidade. Aprendemos nos bancos escolares a amar a ficção. Nossas belas mentiras.
Aos poucos, nos últimos 80 a 60 anos, estamos construindo a democracia. Com percalços no caminho, como os vinte e um anos do regime militar e suas sequelas. Algumas temos que enfrentar até hoje. Mas, podemos considerar sim que pelo menos construímos 35 anos de democracia, conturbada e discutível, mas real.
Para uma representatividade mais eficiente temos que ter uma ciência e consciência mais ampla. A racionalidade pode ser um condutor da justiça. Se tivermos conhecimento sobre o que somos e o que precisamos superar o ato é assertivo, busca uma solução segura e não uma fantasia “suposta” e imposta.
A frase parece chavão, mas quem sabe o quem é sabe o que quer. Na cidadania não é diferente, assim como na própria vida. Ter claro de onde viemos, o que estamos passando e onde queremos chegar é a condição plena para a eficiência dos nossos atos. Neste contexto entra a liberdade e toda a responsabilidade que a escolha gera. Por isso, a consciência eleva a importância da liberdade e de seu maior patrimônio, o direito de escolha.
O setor de Tecnologia da Informação (TI) tem crescido no Brasil. Se transformou em alguns estados brasileiros em pilar econômico importante, tanto de forma direta, com produtos e serviços, como de forma indireta, ajudando no crescimento de outros setores.
Hoje o país tem mais de 250 mil empresas de TI. Um crescimento de 49% nos últimos 11 anos. Os dados são da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação – Paraná (Assespro – PR). O paraná era o quinto colocado no setor, em 2010 e hoje está na quarta posição muito perto de Minas Gerais, que é o terceiro.
A construção do setor no Paraná, como em grande parte do país, teve o desafio de superar a competitividade canibalesca que já colocou fim em diversos setores considerados promissores. A disputa por mão-de-obra é uma demonstração desta rivalidade. Hoje, o setor aprendeu a ter união e convergência, construir estratégias e resolver juntos problemas comuns a todas as empresas do setor.
O resultado do bom momento do setor de TI se traduz nas inúmeras mudanças que aconteceram na cadeia econômica com a introdução de sistemas operacionais eficientes. Inúmeros setores ganharam com a aquisição de ferramentas tecnológicas. O mundo da inteligência artificial é mais real do que se imagina. Está mais próximo de nós do que imaginamos. Vai ficar mais ainda nos próximos anos.
Esta é uma discussão que vamos nos envolver, quer queiramos ou não.
O Nubank mostrou como o mundo digital é uma realidade. Efetivamente o banco que nasceu dentro da rede mundial de computadores demonstrou o quanto vale. E para se ter uma ideia, no único dia em que entrou na Bolsa de Nova York a instituição financeira se tornou uma das mais valiosas do país.
Sim, o banco é brasileiro, mas o espetáculo foi na bolsa de valores estadunidense. E a alta nas ações em um único dia ultrapassaram os 20%. A instituição financeira que pode se chamar de virtual e que na “real” não tem nada de virtualidade. O Nubank vale mais que o Itaú, instituição financeira tradicional. Chegou ao valor de 41,5 bilhões de dólares, enquanto o tradicional banco brasileiro vale 37,9 bilhões.
Nossa vida cotidiana reflete o sucesso desta instituição na bolsa. Olha o nosso comportamento em relação a vida de buscar soluções, satisfazer nossos interesses que necessitam de compra de pagamentos e recebimentos. Tudo é valor neste mundo. E quando falo de “valor”, estou falando de valor monetário. A vida tem um preço.
A sensação de monetarização da vida não é algo que nos dê prazer, por mais que gere consciência. Queremos a sensação de que tudo se dá naturalmente, de que a vida é suave se ser. O remédio é mais fácil de ser tomado quando não denuncia no gosto o tamanho da doença que estamos tratando.
O mundo digital veio para deixar a vida mais suave. Por mais que ela tem um peso que ainda é na proporção do avanço da monetarização de cada necessidade. Realmente tudo tem um preço. Se percebêssemos constantemente que somos uma soma de contas pagas e a se pagar, a vida teria um significado frio e literalmente calculista. O mundo digital ajuda a não termos que perceber esta dimensão.
Pode ter acontecido, aconteceu, vá que aconteça. Esta história é mais comum do que você imagina, é cotidiana. E vale lembrar para que se reflita que nossos maus hábitos não são pensados como maldade, as vezes como a naturalidade das coisas.
Em uma empresa qualquer, o proprietário ambicioso que deseja sucesso e quer ser reconhecido, já que vaidade também é lucro e intenção de quem enriquece. Não vale apenas ter, mas todo mundo tem que saber. Este empreendedor roga aos quatro cantos a necessidade da seriedade, dedicação, honestidade e tratamento justo.
Quando tem a oportunidade de falar do seu sucesso, de como chegou aonde chegou, de como enriqueceu, fala de trabalho. Conta com aparente detalhe todas as dificuldades vencidas uma a uma. Os obstáculos da injustiça e como luta contra cada uma delas. Promete que seu sucesso não será em vão. Ele será o justiceiro e uma expressão da mudança.
Contudo, e sempre há um contudo, nos porões de suas práticas, se depara quase sempre com a negação do que prega. Se vê, no desejo do sucesso, praticando favores e sendo favorecido. Burla regras em seu negócio e espera que na mão que lava a outra que a sua seja limpa. O quanto de seu sucesso não foi ser tratado com exceção e nunca pela regra?
E assim a vida vai. No final de mais um dia, na hora da descontração, na conversa amigável, na hora de pedir a Deus ou justificar a vida, expressa a necessidade de que as coisas mudem, de que se acabe com as injustiças e de que este país seja diferente para que todos tenham a mesma oportunidade. Encerra prometendo que fará a sua parte. Sem sentir a culpa não percebe que faz parte do problema.
Os pré-candidatos emergem e iniciam sua busca pelo Palácio do Planalto. As falas impressionam para quem tem um olhar mais atento ao histórico de quem está falando. Um dos exemplos é Sérgio Moro, ex-juiz e ex-ministro, lançou livro ontem na capital do Paraná e é pré-candidato pelo Podemos a presidência da república.
Ele disparou contra o presidente Jair Bolsonaro. Falou que o governo é feito de mentiras. Apontou a demagogia em relação ao combate a corrupção e a interferência na Polícia Federal. Afirmou ter se decepcionado durante sua permanência no Ministério da Justiça. O aliado de ontem se transformou em inimigo de hoje.
O preço pelo poder também pode ser medido pelo presidente da república. Ele rebate Moro e o chama de mentiroso e sem caráter. Afirma que a decepção é sua. Acreditou no ex-ministro e foi traído. Em sua filiação ao PL, Bolsonaro demonstrou o quanto foi contra o que pregou na última eleição a presidência, quando foi eleito condenado a velha política e o centrão.
O ex-presidente Lula não foge a regra do “quem te viu e quem te vê”. Na busca de aliados ele se aproxima de Geraldo Alckmin, ainda no PSDB e de saída, possivelmente para ser vice do petista em uma chapa na disputa presidencial. Os inimigos de ontem agora serão aliados. Constroem uma retórica de conciliação diante das necessidades que o país vive.
Por estes atos se mede a disputa pelo poder e o seu valor. O interesse em se governar vale o preço de se contradizer e contrariar princípios aos quais os citados tinham jurado nunca abandonar.
Ter em mente está lógica nos dá a dimensão de quanto se trata como tolo o interlocutor. Aqueles para qual se direcionam a mensagem são definidos como desmemoriados e ignorantes em relação ao que move os que buscam serem representantes públicos e chegar ao poder.
O Supremo Tribunal Federal terá um novo membro com uma formação acentuadamente evangélica, André Mendonça. A tendência religiosa do futuro ministro foi um dos fatores de sua indicação pelo presidente da república, Jair Bolsonaro. Hoje, 31% dos brasileiros abraçam esta tendência. 50% são católicos.
O novo ministro respondeu a questões como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a questões de gênero e a violência contra a mulher. Afirmou que no STF seguirá a Constituição, fora dele a Bíblia. Não vai separar religião com decisões do Poder Judiciário. Defendeu o estado laico. Que bom.
Esta história que as pessoas têm de que ao seguir um dogma religioso resolvemos os problemas de conduta da sociedade é uma falácia. Não há religião que salve a falta de juízo e responsabilidade pelos atos. Tem quem defenda esta ideia, e este é o nosso problema.
Tem muito mau caráter que se esconde por de trás da conduta de fé. No fundo é um hipócrita. O machismo, a violência contra minorias e a discriminação é má intenção associada aos estímulos recebidos para colocar como prioridade o que lhe interessa. Logo, não podemos isentar de culpa o que agiu mal.
É complicado ter que ouvir afirmações de retrocesso de uma geração malformada que aprendeu de forma fácil e mentirosa associar a boa e má conduta como interferência das forças divinas. Nós temos nossas escolhas. Tiramos das costas de Deus há mais de 500 anos, com o Renascimento Cultural, o discurso da interferência divina nas coisas dos homens.
Há pelo menos 250 anos que os movimentos liberais romperam com a sociedade dos nascidos escolhidos e um poder justificado por Deus. Já há tempo de amadurecer. Infantilidade querer regressar ao tempo do teocentrismo e considerar que uma batina, uma Bíblia na mão, como por encanto, fará um ser humano ser melhor.
O que será do país o ano que vem? Poucos sabem. Mas as opções são muitas. Porém, três tendências estão consolidadas. Uma ilusória esquerda com a campanha de Luís Inácio Lula da Silva (PT). A busca de retornar aos tempos das “vacas gordas” da presidência do petista. Tempos que dependiam mais da conjuntura internacional do que as decisões locais.
De outro lado, temos a permanência do presidente Jair Bolsonaro (PL). Agora, afirmando ter salvado o país do socialismo. Um outsider que não se confirmou com a atual tendência de aliança com grupos que sempre criticou, o “centrão”. Prega o nacionalismo salvacionista, mas até agora não salvou ninguém.
Sérgio Moro (Podemos) ascende como possibilidade de terceira via. Indisposto com os outros dois candidatos citados, o ex-juiz da “Lava Jato” e ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro, ele se apresenta como possibilidade de terceira via. Lançou livro, “Contra o Sistema de Corrupção”, onde fala da sua experiência no Judiciário e na “luta” contra a corrupção.
Outros candidatos devem seguir a linha de Moro, mais a direita, como Dória (PSDB), ou a esquerda, como Ciro Gomes (PDT). O que demonstra que a polarização não irá atrair eleitores, mas mediação e a ponderação pode ser atraente. Será? Qual seria o critério de escolha?
O eleitor terá que ter ponderação e compreensão do histórico dos candidatos. Quem são e por onde andaram? Qual caminho se quer para o país? O eleitor terá nas mãos a escolha. Mas ele, o que vota, é um personagem fictício e generalizado. Um perfil ilusório. O eleitor não pode ser definido em um ser determinado por conceitos claros. O que encanta e faz votar? As vezes a lógica complexa e quase sempre o imediato.
Democracia é sempre a melhor forma, mesmo não sendo perfeita. A maioria decide. Em sociedades complexas a realidade diversa gera possibilidades múltiplas de gerar o resultado. Logo, quais fatores serão determinantes é o resultado de uma diversidade que não é fácil compreender.
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