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O nacionalismo se tornou retórica comum. A defesa da pátria e dos interesses dos brasileiros ganha a boca de muitos que desejam chegar ao poder. A união da nação, todos por uma causa e um país para todos são chavões que daqui para frente serão ecoados aos quatro cantos pelos candidatos. Promessas e sonhos.
A busca pelo eleitor é um ritual de venda de ilusões. A prática deveria falar mais alto. A experiência vivida e a consciência do que já passamos devem ser a medida para a tomada de nossas decisões. Deve, mas não é. Nos acostumamos. Isso mesmo, a tal da força do hábito. Quem nunca ouviu a frase: Isso nunca vai mudar?
Ironicamente, muitos candidatos irão falar em mudança. Acabar com os problemas crônicos com um só golpe. Tudo se resolve em uma escolha. Porém, vale a pergunta, quantas escolhas você já fez na vida? O problema nunca foram nossas escolhas, mas o critério que usamos para escolher.
Logo, o patriotismo de fachada, o discurso do amor a pátria e um país para todos os brasileiros empolga e não convence. Se queremos mudar e fazer do estado um instrumento de representação, é melhor mudar os critérios de nossas escolhas e não esquecer do que já vivemos.
Se queremos mesmo conhecer nossos problemas para resolvê-los, temos que rever a forma como explicamos a nossa trajetória enquanto nação até chegar aonde estamos. E, ao fazemos isso, podemos descobrir um país bem diferente deste exaltado pelos nacionalistas de fachada. Este país que nos vendem é fruto de uma demagogia e não uma descrição real.
Logo, se é necessário mudar, é bom começar de forma correta. O primeiro passo é saber quem somos, entender do que precisamos e escolher mudar o caminho que desejamos traçar.
Gonzaguinha já perguntava, em uma de suas mais belas canções, “O que é a vida?”. Ela pode ser um mistério profundo, uma prova de amor, obra do “Criador”, enfim tudo de bom. Porém, é também, para outros, um lamento, um nada profundo, uma gota. Pode ser um “nada”.
Porém a vida continua. Existia antes de nós e continuará depois que cada um se for com outros que hão de vir. A vida segue. Aqui está o problema. O tal do futuro. Para onde ela vai? E isso pode alterar a vida de todos nós. Como foi a pandemia?
Porém, nesta lógica de dar valor a vida, o fato da morte de mais de 600 mil pessoas deixou marcas profundas para uma parte da sociedade. Mas isso foi o bastante para alterar o rumo de nossas vidas? Por isso, há que se separar os fatos e as nossas relações.
Quem vive dos fatos pode sofrer se não compreender a relação. Esta lógica é simples. Quem não ouviu falar das pessoas que vivem um dia atrás do outro. Apenas esperam o tempo passar e resolvem as coisas na proporção que elas chegam. Não há previsão e nem prevenção. Nem penso nas consequências e não me preparo para elas.
Hoje o país, pensa no fim da pandemia. Diante dela, quando a propagação da Covid-19 estava de “vento em popa”, fomos nos adaptando ou tentando driblá-la. Poucos resgataram a lição de que uma doença como esta muda a vida de muitas pessoas. Alguns afetados lamentam a morte dos mais próximos e assim que puderam retornam a sua vida normal. Se ocorreu algum trauma, ele veio e foi com os dias. E mesmo para quem ficou não altera o cotidiano.
Há futuro e quando ele chega nos lamentamos de não ter pensado nele antes. Fica claro que colhemos o que plantamos. Vivemos um tempo em que a vida é longa e dura o bastante para nos causar arrependimento profundo de não cultuar o que é certo. Não estou falando aqui de optar entre trabalhar ou aproveitar a família. Aquelas comparações tolas de viver ou morrer de trabalhar. Falo de ter responsabilidade. Assumir a sua vida como uma obra sua e não uma consequência do destino.
Concordo que nada dura para sempre, mas a vida vai além das coisas que não duram. E se não estivermos preparados para viver a finidade, vamos sempre nos frustrar nos enfiando de cabeça no que é efêmero, superficial.
Quando se fala de preconceito a prática é constante e comum. Quase todos os lugares que frequentamos há uma prática velada de discriminação, julgamento e rejeição. O pré-julgamento é expressão distorcida da realidade. Consideramos que nossos valores são uma verdade absoluta diante da realidade que mal conhecemos.
Muitas demissões nas empresas são motivadas por preconceito. Não levamos em conta o desempenho profissional e apenas a estética que tradicionalmente consideramos comprometedora com a função. Ou seja, certas funções acreditamos ser determinante para um certo perfil estético. Se as pessoas não se encaixam no que consideramos adequado, “cancelamos”, como se diz atualmente.
Esta forma de se impor um olhar sobre o outro é uma prática comum. Vivemos esta condição em momentos que nem percebemos nossa pré-disposição a acolher certos aspectos e rejeitar outros nas relações que estabelecemos com outras pessoas. Porém, a capacidade de compreensão de que a diversidade nos é comum e que não somos uma referência absoluta no julgamento dos outros deve prevalecer.
Empresas que adotam a diversidade como característica de seu ambiente de trabalho tem menos conflitos e são mais éticas. Logo, se consideramos que os “estranhos” estão associados a desrespeito, estamos enganados. Há mais respeito ao outro onde há diversidade. Ser diferente não é falta de respeito, é aprender a respeitar o que não é espelho.
Abrace a diversidade. Ela pode nos fazer bem, promover mudanças e gerar bons frutos.
Por que a grama do vizinho é sempre mais verde? Por que o olhar sobre a vida das outras pessoas aponta nossas carências e a comparação é quase sempre cruel? Quando estamos vivendo um momento crítico, a vida alheia parece um “mar de rosas”. É?
No mundo da fantasia anunciada nas mídias a perfeição é possível e não real. Em quase todos os casos a exposição é maquiada para pegar o melhor foco, sempre o nosso “melhor lado”. Logo, a comparação com a perfeição estética e enlatada é cruel.
Perdemos a noção do humano. Daquilo que é comum a todos, a contradição. Não há ganhos sem perda e o discurso do ganha-ganha é mais uma retórica para aliviar as perdas do que uma realidade nas relações que estabelecemos.
Buscar melhorar não significa ser perfeito. O que vale sempre é estar pronto para a mudança e não se deixar levar pela perfeição inatingível. Não por caso o número de deprimidos aumenta gradativamente. Logo, ficam angustiados e, alguns, deprimidos. Tem até, infelizmente, que resolva dar cabo de si mesmo por não ter atingido a falsa meta da perfeição feliz possível.
Ninguém é medida perfeita. Não há um padrão comum de satisfação ou felicidade. Vidas são particularidades e nos construímos em uma convivência coletiva. Cada um de sua forma, sem uma definição comum que seja ideal. No fundo somos nós que idealizamos os outros. Estes seres perfeitos que projetamos no alheio não existem.
Logo, cuida do seu quintal e aprenda a conviver com os vizinhos. A grama do outro não está aos seus cuidados, cuide da sua. Não transforme o foco na vida alheia uma maneira de escapar do que realmente importa, ser você mesmo.
Na Roma antiga emergiu a elite dos homens novos. Ligados a expansão romana e ao prestígio adquirido com as conquistas de novas terras e a liderança militar, uma elite sem prestígio tradicional iniciou na república a sua consolidação. No século II a.C., a política romana caminhava para o Império, o que se consolidou nos séculos seguintes.
No Século I, no ano de 80, foi inaugurado o Coliseu. O maior símbolo da propaganda popular do Império. A sede do “pão e circo”. A economia romana já não dependia mais da península Itália e se concentrava nas áreas dominadas dentro e fora da Europa ocidental.
Mas, o povo tinha sua participação na escolha dos centuriões e ter o apoio popular fortalecia a imagem de líderes em ascensão da nova elite romana. Para ver o espetáculo entre os gladiadores, as lutas entre escravos conquistados por Roma e assistir aos inimigos do Império serem comidos pelos leões. O radicalismo dos imperadores também era diversão.
A massa recebia pão e vinho durante o espetáculo. Assistia a demonstração da força romana enquanto enxia a barriga com as migalhas oferecidas pelos imperadores e líderes políticos. O povo de Roma já não tinha mais a serventia econômica e era mais bem controlado e manipulado do que pensante em sua desgraça permanente. A diversão faz esquecer e as migalhas no estômago ajudam a convencer de que tudo vai bem.
Talvez não tenha frase que resuma melhor o que estamos vivendo, como Roma e seus espetáculos de pão e circo, do que a frase do ator Derek Jacobi, no filme “O Gladiador”: “O coração pulsante de Roma não é o mármore do Senado, é a areia do Coliseu.”
Não estou falando que a história se repete, mas que ela ajuda a refletir o que vivemos, isto sim, ela ajuda.
Problemas todos tem, isto é fato. O que fazer com os problemas que temos é a grande questão. Quantos são capazes de resolvê-los? Existe uma lamentação constante sobre situações que se vive e não se resolvem. Há quem ame ser uma eterna vítima.
Os que dispõe a resolver estão a busca de solução mesmo que isso lhes custe assumir incômodos. Nenhuma mudança fica sem um preço. Avaliar as consequências é ato de consciência. Como vivemos em uma sociedade em que todos tem o poder de julgamento e de serem julgados, há os que detestam se expor para não serem alvo do julgamento alheio.
Porém, há a angústia da particularidade, ninguém viverá por nós. Estamos sós. E viveremos os sabores e dissabores de nossas escolhas sem poder dividir com ninguém. Logo, a busca da realização ou viver em uma condição melhor é resultado de nossos atos.
Neste comentário busco valorizar aqueles que agem diante dos problemas, buscam solução. Não vivem da lamentação e do conforto mórbido de serem uma vítima eterna. Estar sempre na “zona de conforto” onde não se pode fazer cobranças para quem está vitimizado.
Esquecem os que buscam o discurso da vítima e não buscam solução que sua condição ao se manter leva a uma atrofia estrema e fica vulnerável a agressões mais constantes e intensas. Os que lutam para superar problemas devem sempre serem vistos como possibilidade e a alternativa única de se ter uma solução.
O Dia de Finados, o dia de lembrarmos de todas as pessoas que morreram. Por mais estranho que pareça, celebrar a vida é lembrar dos mortos. O que não é exclusividade dos cristãos e nem começou com eles. Já se celebra há muito tempo.
A morte transita entre a passagem e o ponto final. Não há para os que vivem uma resposta objetiva se há vida depois da morte. Há o acreditar e ter fé de algo existe além desta vida. A certeza fundamental é que ela fica para os que permanecem e os que partem devem ser colocados em algum lugar além da saudade e da angústia do depois.
Nunca podemos esquecer que o ser humano é o único que tem ciência e consciência da morte. Ninguém vive pensando nela, contudo, todos sabem que ela é o destino inevitável. Sua angústia está de não saber quando e como ela chegará.
Entre os cristãos católicos, religião predominante no país e iniciadora do processo de espiritualização ocidental nestas terras, o ritual de celebração da morte foi instalado no Século X, o abade Odilo Cluny. E no início do Século XX foi oficializada a missa de finados.
No Brasil virou feriado em 2002. Contudo, por aqui os rituais de celebração da morte já existiam. Mesmo entre os indígenas e sua diversidade cultural como entre os afros que enriqueceram ainda mais a relação espiritual. A religiosidade oriental que chegou nas migrações do Século XX ampliaram ainda mais os rituais de celebração da vida e lembrança dos mortos.
O ano passado e este ano perdemos muitas vidas, convivemos com a morte mais de perto. Há muitas pessoas lembrando de seus mortos. A morte também é um preço que pagamos pelas nossas escolhas. Fruto de nosso ato. É uma consequência do que não dominamos. Porém, toda a morte deve nos deixar uma lição. E seja ela qual for, deve ter como principal objetivo a valorização da vida.
Empresas são uma expressam da sociedade. Da mesma forma que demonstram as mudanças, avanços e superações, são a expressão a expressão de nossas limitações e problemas.
Uma das questões polêmicas que são denunciadas nas empresas é a questão da diversidade. O preconceito contra afrodescendentes, indígenas, mulheres, pessoas deficientes e a liberdade de gênero. Uma realidade que precisa ser respondida com ações corporativas.
Neste comentário, Gilson Aguiar fala sobre esta questão e como precisamos ter a capacidade de dar respostas no mundo corporativo. Empresas vão além de uma especialidade produtiva e nicho de mercado, são agentes sociais.
A insatisfação dos brasileiros com o atendimento das empresas é algo nítido. Ainda mais quando eles têm que buscar uma solução para um problema criado por um produto ou serviço. Uma troca, por exemplo, de um objeto comprado pela internet ou um cancelamento de um serviço de banda larga. Haja paciência.
Uma pesquisa feita pela TNS InterSicience com 12.997 consumidores demonstra o grau de insatisfação na hora de tentar resolver um problema com a empresa responsável pela venda. 58% dos entrevistados reclamam da burocracia para se chegar à solução. Já para 57%, são as mensagens gravadas para a orientação do caminho para se chegar à pessoa que supostamente deva resolver o problema.
Não se fideliza um cliente dificultando sua vida. Mesmo que seja para um cancelamento de serviço, tola é a empresa que acredita que a burocracia excessiva seja capaz de manter o cliente. Apostam que ele cansa e desiste. Erram e condenam sua marca e produto a uma rejeição. O mal atendido irá reclamar. 43% das pessoas têm reclamações e as divulgam com intensidade maior que os elogios. Mantem-se a força um cliente e ganha um propagador de críticas negativas.
Hoje, nas redes sociais, o elemento vital para o sucesso de uma marca, produto ou serviço é a indicação. Falar bem do produto e apresentá-lo a outra pessoa é ação vital para fidelizar. Quem gosta indica.
O interessante deste ambiente é que a fidelização é maior com os que passaram por um problema na compra de um produto ou serviço e foram atendidos de forma ágil e tiveram a solução rápida. A satisfação é tanta que mesmo com uma experiência de compra negativa, a forma como a empresa se dispôs a resolver gera um sentimento de fidelidade.
Logo, o problema não é errar e sim não ser competente para consertar. Quem reconhece os erros e assume a culpa e é ágil para solucionar o problema tem mais chances de transformar um crítico insatisfeito em um consumidor fiel.
Quando o problema é instabilidade não adianta tentar colocar a culpa em outra coisa. A inflação no país tem uma relação direta com os custos dos insumos importados de produção. O dólar está nos aniquilando aos poucos e isso cobra seu preço diariamente. A alta do petróleo se sustenta nesta condição predominantemente.
Enquanto o dólar não cair não haverá melhoria no preço dos combustíveis e o processo inflacionário irá continuar pressionando a vida dos brasileiros. Por isso, esta história de ajuda emergencial vai ser corroída pela redução do poder de consumo da moeda nacional. Aquece, mas não esquenta. Movimenta a economia, mas não consegue nos tirar da atrofia.
Ou geramos estabilidade no ambiente político para atrair investimentos ou teremos problemas. O setor o industrial já demonstra uma queda na confiança. Não é o único. O Natal, período mais importante para o varejo e que pode ser a superação definitiva dos prejuízos acumulados pela pandemia já gera precaução. Valerá investir em estoques se o consumo não atingir as expectativas esperadas?
Reformas são necessárias, reduzir a tributação é desejo antigo. Precisa ser feita. Hoje temos um imposto de renda injusto, tributação trabalhista excessiva e ICMS que pesa no valor de produtos vitais para a maioria dos brasileiros. Fora isso, uma população desqualificada que não consegue ingressar no mercado de trabalho. Ensino técnico tem que ser prioridade para as pessoas e para o governo.
A receita é antiga, a solução conhecida, mas não se realiza. O motivo para isso são os ganhos que a casta política tem com as permanências. A tributação elevada, o custo do Estado, colabora para manter o Estado como investidor vital para o sucesso e insucesso neste país. Não é a competência produtiva que define o ganhador, mas aqueles que conseguem burlar as regras tendo no poder público um fiador constante e um facilitador para seus apadrinhados.
Se observamos a história deste país fica fácil de entender. Desde sua origem, o Estado sempre foi um elemento vital para o sucesso e fracasso de setores econômicos. O apadrinhamento facilitou que o desenvolvimento fosse localizado nas regiões de predomínio de uma aristocracia agrária e posteriormente urbana.
Nascidos das concessões do poder instituído, muitos empresários constituíram riqueza ao longo da história. Não por acaso, a hereditariedade é característica na política e no mando econômico nas regiões tradicionais brasileiras. O coronelismo que denominou o poder dos grandes proprietários de terra e gerou uma permanência familiar no poder é realidade em diversas localidades do país.
O poder tem dono? Sim. E os que continuam mandando não foram constituídos de um incentivo privado. Não foram empresários que se fizeram pelo esforço e eficiência dos seus negócios. O sucesso é resultado do apadrinhamento que transformou o bem público em privado e o governo uma extensão dos interesses de quem governa.
Velhos problemas e capítulos novos de uma história que se repete. Interpretada por diferentes personagens, mas que seguem sempre o mesmo roteiro. Nenhuma novidade, apenas seguimos o caminho previsível e favorável as pessoas de sempre.
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