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A pandemia atingiu a todos de alguma forma. O resultado do que um problema global trás é sempre proporcional as condições que cada um tem de enfrentá-lo. Por mais que a grande maioria de pessoas e empresas não estavam preparadas para a propagação global do vírus e todas as mudanças, principalmente restrições que ele trouxe, ele nos atinge em nossas peculiaridades.
Os mais frágeis pagaram um preço maior. O que não é novidade, eles sempre são os primeiros a sentirem o peso de sua limitação, o chamado “fio da navalha”. Vivem no limite. E são expostos e dispostos ao que puder para manter mais um dia de vida e não saber muito bem onde vão chegar.
Há quem diga que devemos estar sempre preparados para uma pandemia. Eu diria que o problema não é esse. A grande questão é que somos frágeis demais para o enfrentamento de qualquer problema que exija de nós um esforço além do que o dia a dia nos reserva. Não estamos preparados para sobreviver a qualquer imprevisto. Nossa fragilidade nos condena aos poucos e nos extermina rápido quando um ambiente crítico chega.
Seja uma pessoa, uma empresa pública ou privada, em especial a gestão, deve ter sempre um olhar no futuro. Lembrando que o futuro aqui não é só a mesquinhez do sucesso particular dos envolvidos imediatos, mas de toda a cadeia que envolve a existência do que somos. Quanto mais todos os envolvidos melhoram, as chances de superarmos os problemas é maior.
No mundo corporativo da atualidade a cadeia das pessoas que sofrem as consequências dos atos de uma empresa são chamadas de stakeholders. Eles são todos aqueles que sofreram mudanças com alterações que promovemos. Nem sempre estamos preocupados com eles. Mas, são exatamente estes parceiros conscientes ou não, que nos fazem existir dia a dia e que diante de uma crise são elementos vitais para a nosso sucesso ou fracasso.
O Brasil é um país construído pela violência. Por mais que gostamos de considerar a “passividade” do povo brasileiro, ela não existe. Há inúmeras guerras que marcam a formação do país, a sua história.
Uma delas é a Guerra do Contestado (192-1916). Ela tem uma relação direta com a concentração de uma população que não existe oficialmente por parte do poder público. O Brasil do início da república apresentava inúmeros “vazios” demográficos. Um deles era o interior do Paraná e Santa Catarina.
Nestes espaços não ocupados e integrados a economia formal ocorreram ocupações de caboclos. Muitos fugitivos e refugiados se embrenhavam na mata para sobreviver. Viviam com populações indígenas e construíram um mundo a parte no chamado sertão.
Estas populações acabariam sendo encontradas quando a colonização oficial as encontrou. De inúmeras formas isto aconteceu. Quando terras eram vendidas oficialmente pelos governos e iniciava a posse pelos “legítimos” compradores, ou pelo menos por quem tinha o registro oficial.
No casso do Contestado, a guerra se dá em uma região marcada pela ocupação de caboclos e contestada pelo estado de Santa Catarina. Originalmente, o território do contestado pertencia ao Paraná, quando de sua criação, desmembrando-se de São Paulo (1853).
Fora isso, a república ainda jovem, fez um contrato de concessão de construção de uma ferrovia, a São Paulo-Rio Grande, para empresa Railway Company e a exploração de uma faixa de terra as margens da ferrovia pela empresa Southern Brazil Lumber & Colonization Company, ambas pertencentes ao empresário norte-americana Percival Farquhkar.
Este contexto foi campo fértil para um conflito de terras entre caboclos, empresa ferroviária e colonizadora e os governos estaduais (Paraná e Santa Catarina) e federal. O conflito começou em 1912 e foi até 1916. Oito mil camponeses, caboclos, morreram. Mil militares ou combatentes dos governos estaduais e federal.
Junto a tudo isso, os caboclos foram unidos pelo discurso messiânico de João e José Maria. Monges, associados a figuras divinas que vieram para libertar e liderar os populares em luta contra a exploração da companhia ferroviária e colonizadora e as forças públicas. Este povo tem fée muito do que se transforma em revolta tem a religiosidade como sentido e valor.
O Brasil é construído historicamente pela violência. Temos a ilusão da passividade do brasileiro. Nossa história é marcada por confrontos constantes. Guerras civis declaradas ou disfarçadas. Uma repressão violenta. Inúmeras mortes. Os conflitos estão em andamento e vão moldando nossa história, com um sangue que não está expresso na bandeira e faz parte da identidade nacional.
Triste observar que o país reproduz ao longo do tempo uma história com uma lógica triste. Independente dos governos e governantes, independente das circunstâncias e contextos, há uma lógica perversa. A permanência de determinados interesses e mandos em detrimento da representação e solução para os problemas do país.
Como nós vivemos de promessa. Não é atoa que a religiosidade é um ponto forte na formação brasileira. Das crenças, todas estão sempre a procura de algo divino venha nos salvar. Se prega que nosso sofrimento tem um propósito e que as dores que passamos serão recompensadas no além-túmulo.
Também existe a retórica que somos o país do futuro. Um futuro que nunca chega. Contudo, se mantém a promessa. Na boca dos líderes das mais diferentes e aparentes correntes ideológicas, o amanhã será melhor.
A pandemia aprofundou nossos velhos problemas. Se sofremos com a mais de 600 mil mortes, e isso é fato, sofremos já há muito tempo com a morte lenta que condena o futuro de muitos. Morrer para alguns é uma questão de tempo.
Precisamos romper com esta lógica que se mantém e parar de ficarmos considerando que há uma esperança em alguém, alguma pessoa, um “eleito”, o escolhido que venha nos salvar. O problema do hábito é que ele se passa despercebido e faz uma anormalidade parecer normal. Perceba, muitas coisas que tratamos hoje como natural, aceitamos calados, é agressão consentida e tem um preço caro em nossas vidas.
Quanto vale o poder? A proporção da disputa por ele e o quanto somos capazes de correr riscos para conquistá-lo ou mantê-lo. O presidente Jair Bolsonaro está disposto a pagar o preço. O Auxílio Brasil é uma demonstração disso.
Em substituição ao Bolsa Família, o atual presidente quer deixar sua marca. Demonstrar que sua presença no governo está voltada a redução da desigualdade e combate a miséria. Ameaças que rondam seu governo diante de uma inflação crescente que tem arranhado sua imagem e colocado em xeque a sua popularidade.
Mas qual o preço a se pagar? O presidente está disposto a qualquer preço e está irritado. Na mesma proporção está o seu ministro da economia. Paulo Guedes que já demonstrações de desgaste não concorda com o valor desejado pelo presidente para o auxílio, R$ 400,00. Guedes quer R$ 300,00, e mesmo assim de “nariz torcido”. O valor desejado pelo presidente rompe em R$ 100,00 o teto de gastos.
O impasse, segundo fontes do Planalto, pode levar a demissão de muitos assessores do ministro da economia. Eles não estariam dispostos ao pagar o preço da medida. Hoje, o ministério já arrasta problemas de excesso orçamentário e cortes de gastos questionáveis em setores considerados vitais.
O mercado, que sempre demonstra o preço de uma medida de forma mais imediata já dá seus sinais. O Dólar chegou a R$ 5,59 e a Ibovespa fechou com alta de 3,28%. Números que impactam em investimentos e encarecem o setor produtivo. Principalmente para quem tem na importação de insumos uma necessidade.
Nossa retomada da economia é pífia pela incerteza que estamos vivendo. Crescemos pouco para setores que tiveram imensas perdas e esperam uma recuperação rápida. Onde vamos parar? Ou melhor, será que vamos para algum lugar?
Mas, as eleições estão chegando e é preciso abastecer a mente da população mais carente com ações de impacto, momentâneas. Aquelas que viram argumento definitivo na hora da escolha. A anestesia aos velhos problemas que são realmente as nossas mazelas.
Auxiliar a população mais vulnerável a se manter é medida necessária. Contudo, manter esta população em situação de risco é cruel. O que não percebemos que falta uma reforma estrutural no país. Uma mudança na gestão dos gastos públicos e na prioridade da nação. Investir no que é duradouro e não ficar remediando com medidas efêmeras.
Há uma diferença imensa entre manter o poder e superar os problemas que a sociedade vive tradicionalmente. A permanência da miséria, em muito subsidiada, é a garantia de que sempre teremos “falsos profetas” no poder que se garantem das migalhas distribuídas e geram um miserável submisso disposto a ceder. Este é o preço do poder.
A pandemia demonstra sua decadência. Os números mostram isso. Brasil tem 197 mortos em 24 horas, uma semana abaixo de 400. No Paraná também os números estão em queda. No Paraná 1.509 casos e 68 mortes. Voltamos lentamente ao normal.
O que ficou da pandemia? Para poucos uma lição de valorização da vida que para muitos não deve passar de uma geração como lembrança. A volta ao “normal” implica em conviver com os problemas incorporados no dia a dia, costumeiros. Contudo, costumes não são normalidades. Muitos problemas se multiplicam exatamente por tornarem parte do cotidiano.
Pena que esta lição não se aprende. A vida que volta ao normal não traz consigo as soluções dos velhos problemas. Devemos estar mais atentos a eles. Nos fragilizam diante das grandes necessidades e desafios. Se demonstramos fraqueza e incapacidade de enfrentar com eficiência a pandemia, muito disso foram nossas mazelas cotidianas.
Para poucos a pandemia deixará como lição o desafio de resolvermos os problemas que nos acompanham. Eles são mais fatais do que o “inferno” que vivemos durante a propagação da Covid-19. Nos estrangulam aos poucos, sufocam e nos matam lentamente. Sua letalidade maior está em nunca se resolver e ser considerado normal.
O professor não tem muito prestígio neste país. Apenas na retórica. A escola e a educação devem ser a casa da ciência. E olha que foi a ciência que nos salvou na pandemia. Vacina é resultado de pesquisa. Mas na terra do fake, professor não tem privilégio. Gostamos é de uma boa mentira e vivemos a espera de um milagre.
Hoje é o dia de lembrar da pessoa que tem a responsabilidade de formar e informar. Um profissional que nessa pandemia fez de tudo para não deixar que a distância, o isolamento e a crise que atingiu uma grande parte dos alunos, principalmente das instituições públicas, não acabacem com o sentido de educar.
Ser professor para mim é uma honra. Sou há mais de 30 anos. Amo minha profissão. Sei da responsabilidade que tenho. Considero fundamental o poder de usar da ciência para dar aos seres humanos a capacidade de pensarem e repensarem a si e ao mundo a sua volta. Sou convicto de que só a compreensão racional da realidade nos fará dar um sentido humano a nossa existência.
Porém, não me iludo. Este país ainda está longe de compreender a importância de se propagar o conhecimento e dar a ele um sentido para superar os obstáculos para todos. Onde se quer manter a ignorância para garantir interesses de uma minoria, a educação é uma ameaça. Mas, como um bom professor, vamos continuar lutando. Porque entre muitos que nós educamos há os que são esperança.
Os cassinos podem voltar no Brasil? Esta possibilidade sempre existiu no país desde que foram proibidos em 1946. Mas a história dos jogos de azar é longa na história do país. Desde o Império eles existem e eram legalizados. Em 1917 foram proibidos e retornaram em 1934. Logo depois foram proibidos novamente, em 1946.
De lá para cá, sempre se fala do retorno dos cassinos como uma fonte de renda. O turismo principalmente teria muito a ganhar com o retorno. Geração de emprego, arrecadação, movimentação de diversos setores associados ao consumo nestes ambientes.
O que pesa contra o retorno dos cassinos é os males que os jogos de azar sempre se associam. Violência, tráfico, crime organizado e lavagem de dinheiro. Há uma relação direta entre jogos de azar e violência, isto não tem como negar. Fora isso, há uma associação com o alcoolismo. O uso do aparato de segurança será mais exigido.
Pessoas viciam em jogos. Os cassinos terão sempre seus frequentadores assíduos. Muitos perdem muito, muitas vezes tudo o que tem, no ambiente dos jogos. Esta prática já existe. Há cassinos clandestinos. Ao legalizar o número de frequentadores tende a aumentar, até onde isso pode chegar é, como o próprio ambiente, um jogo perigoso. Vale o risco?
Quem tem medo da concorrência? Tem quem tenha tanto que veja concorrente onde não tem. Há também os que ignoram a concorrência e acabam sendo surpreendidos pela eficiência de uma outra empresa ou pessoa sem ficar atento ao mercado.
Mas o que fazer com o concorrente? Conhecê-lo, não o desprezar e não ver nele mais do que é.
O conhecimento sobe o mercado onde atuamos, seja como pessoas ou empresas, implica em conhecer quem atua. Não significa também ficar o tempo todo olhando para os concorrentes e esquecer de fazer o que se deve. Temos que estar atentos, mas não viver em tensão.
Aprender que existem concorrentes que atuam no mesmo campo de trabalho ou mercado faz parte de compreender que não somos unanimidade. Mas entender quem são nossos clientes e concorrentes nos dá ciência de mudar de estratégia quando necessário e saber que podemos estar superados ou superando.
Porém, é bom ter respeito. Lembrar que o que somos pode não ser o melhor e a busca constante de melhora é uma obrigação de quem quer dar certo. Há sempre inovação e ela ocorre onde a concorrência estiver, mesmo que seja fraca.
Hoje, no que chamamos de sociedade de consumo, o ambiente pela disputa de resultado, faturamento, melhora nas vendas, ter um bom rendimento no mercado de trabalho, exige atualização. E antes de qualquer coisa, ter uma identidade própria. Definir o que queremos ser e onde desejamos chegar. Tem que ter sentido, valores e objetivos.
O que dá segurança a quem está ao nosso lado é nossa busca. Onde queremos chegar fala muito do que somos. Desta forma, não há que ser cópia da concorrência bem-sucedida, fazer o mesmo que os outros fazem, é fazer o melhor do que nos propomos a ser.
Na vida pessoal ou na gestão das empresas, sai sempre na frente quem tem consciência de quem se é, de onde se está e o que pretende ser. Não gostamos de pessoas voláteis tanto quanto não gostamos de empresas com o mesmo perfil. Lidar com a incerteza afasta clientes e agrada a concorrência.
Você sabia que uma contratação malfeita em uma empresa pode representar um prejuízo de 15 a vinte vezes o salário do contratado? Se você contratar um funcionário com um ganho mensal de R$ 3 mil, você terá um prejuízo no mínio de R$ 45 mil. É muito dinheiro.
Contudo, o sentido inverso é a mesma proporção. Se o capital humano pode significar um problema, ele também é a solução. No enfrentamento da crise muitas empresas se reinventaram com o potencial das pessoas. A solução não é uma ideia que surge do nada. “Sucesso é constituído de 10% de inspiração e 90% de transpiração”, segundo Thomas Edison.
Enquanto não formos capazes de agir e fazer, nada vai acontecer de graça. E quem faz e age são as pessoas. Logo, um ser humano certo no lugar certo ainda é a melhor estratégia. Porém, quem são as pessoas certas? Elas são o equilíbrio fundamental entre saber fazer o que se quer e conviver com quem é necessário.
Isto mesmo, uma pessoa certa não é apenas aquela que tem as habilidades que nós queremos. A pessoa certa é a capaz de conviver com o ambiente de trabalho que nós temos. A mais qualificada operacionalmente não é a que irá produzir em um ambiente hostil. A convivência com certos indivíduos pode estragar um ser humano.
Logo, há um detalhe importante a ser considerado antes de sairmos a busca da pessoa certa. O que nós temos a oferecer a ela? Esta é a questão que deve anteceder a todas as outras. Precisamos superar nossos problemas, desejamos isso, mas será que parte considerável de nossas limitações não está na forma como nossa organização é?
Então, antes de sair a “caça” de uma pessoa que venha a ser a solução de nossos problemas é bom refletir quem somos. Podemos chegar à conclusão de que mais importante que ter uma contratação assertiva é olharmos para o que realmente precisamos resolver internamente. Antes de colocar mais uma pessoa dentro da corporação.
O futuro a Deus pertence? As coisas não são bem assim. Somos nós que construímos o futuro e ele tem um preço. Podemos pagar no presente a insegurança que temos no amanhã. E vivemos hoje no país exatamente isso.
Um levantamento do Datafolha mostra que 69% dos brasileiros consideram que a inflação vai aumentar nos próximos meses e 54% afirmam que o desemprego vai crescer. Para pior, 40% acreditam que o poder de compra vai diminuir. Em relação ao passado, 69% acreditam que a economia do país piorou.
Os reflexos desta incerteza no futuro têm seu preço no presente. O Varejo é o setor que sente esta insegurança. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o varejo teve queda de 3,1% em julho. Vale lembrar que na Bolsa de Valores as grandes varejistas brasileiras tiveram queda nas ações de 50% em média.
O futuro tem seu preço no presente. Ele cobra caro e já pagamos por ele no dia a dia. No preço dos combustíveis, por exemplo. O câmbio é outra demonstração de incertezas. Investidores recuam com a possibilidade de perdas. O valor do dólar não poderia estar no preço que está.
As coisas vão melhorar? Para que isso aconteça é preciso superar os fatores da incerteza. Gerar um ambiente de estabilidade que permita segurança e uma percepção mais assertiva do que vai ocorrer. Tudo o que não temos hoje.
Administrar o presente é gerar um ambiente em que o amanhã não é encoberto por uma névoa de questionamentos sem respostas. Podemos não ter 100% de confiança de que tudo irá ocorrer como desejamos. Porém, podemos saber que determinadas certezas e confianças são mais sólidas e podem ser um “porto seguro” para nossas incertezas.
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