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Educar os filhos em casa. Para alguns seria uma forma de assegurar uma educação de qualidade para os filhos, para outros, longe da contaminação dos ambientes educacionais partidários e dos comportamentos indesejados. Nada melhor, para quem acredita neste modelo de escola, que proteger as crias mantendo-as distantes dos problemas e as deixando perto dos que sabem o que é bom para elas, os criadores. Será?
No passado, famílias abastadas contratavam tutores para darem a educação domiciliar. Os educadores de qualidade custavam caro e eram pessoas com a competência para a formação do aprendiz em vários campos de conhecimento. Acredito que não estamos mais vivendo este momento. Mas o exotismo e a busca do retorno ao passado têm seu preço.
Na informatização da atualidade há muito acesso ao conteúdo dentro do ambiente doméstico. Há inúmeras plataformas e conteúdos disponíveis na rede mundial de computadores para se construir um curso de qualidade. Logo, A educação domiciliar pode se transformar em uma educação a distância.
A recuperação da educação domiciliar como nos tempos do império é uma opção. Não é outra coisa o que temos agora. Com um novo tempo, consideramos que tudo irá se resolver na “segurança do lar”, resta saber se quando se fala em ciência o lar é o melhor lugar.
Ontem ficamos algumas horas sem o WhatsApp, Facebook e Instagram. Um “desespero” para um número significativo de pessoas. Uma demonstração do quanto somos dependentes das redes sociais e dos aplicativos de comunicação. Sentimos na pele e nos nervos a ausência da comunicação instantânea.
A ausência deu a oportunidade de uma reflexão, nossa dependência de plataformas que se naturalizaram com uma certeza. O “ar que se respira”. A necessidade de nos comunicarmos sempre foi uma prática humana. Conforme os meios se tornaram mais eficientes ressignificaram as pessoas envolvidas e o valor do que se comunica.
Ontem foi um dia para refletir a importância destes meios. Eles entraram em nossas vidas e demonstram a construção de nossa ansiedade diante da resposta rápida de estarmos conectados com outras pessoas. Somos dependentes, temos que assumir.
A dependência não envolve só a comunicação como instrumento, mas todo o significado que ela gera. Toda a comunicação traz em sim representações. As formas como consideramos os elementos a nossa volta e a maneira como isso se organiza. O valor que damos as relações está ligado diretamente aos meios de comunicação.
Muito do que não considerávamos relevante acaba se tornando com a capacidade de nos comunicarmos. Não por acaso damos azo a futilidade constantemente. Vivemos do imediato porque não temos tempo em pensar no que é relevante. E transformamos a comunicação em uma forma de compensação das “ausências” da vida.
Por isso, o desespero de ficarmos sem a comunicação. Por mais que há um número imenso de pessoas a nossa volta e outras formas de nos comunicarmos. Mas esta, tão íntima e abrangente, tão essencial e por outro lado aberto ao banal, nos faz uma imensa falta.
A boa educação faz falta. Em todo o lugar que for você vai sempre sentir a diferença da cordialidade e da rudeza. Enquanto as pessoas educadas abrem portas e se tornam essenciais, os mal-educados constroem inimigos cotidianos e causa repelência.
Falamos muito da educação. Mas não precisamos só desta formal. É necessário também a educação do dia a dia. Esta do respeito as pessoas quando estamos nos relacionando com elas. A maneira de se falar sem impedir de se dizer o que se quer.
Nas relações de trabalho, o gentil e educado foi sempre um elemento de aproximação e possibilidades. Todos querem o educado por perto. Já, o mal-educado promove o distanciamento e causa transtorno. Não traz soluções e aprofunda problemas.
Não se pode negar que ninguém gosta de um mal-humorado e mal-educado por perto. Precisamos de quem aponte soluções e não nos lembre ou acumule problemas. Há o direito a crítica, deve ser exposto limites e complicações. Contudo, deve-se acompanhar a solução. E mesmo na hora de falar do malfeito se pode sempre ter a educação na narrativa.
Apontar culpas deve sempre vir acompanhado da reflexão do nosso comprometimento com aquilo que condenamos nos outros. Saber criticar e saber fazer autocrítica. Os educados sabem e entendem que qualquer análise feita exige o compromisso de estar aberto a análise dos outros.
Que venham os educados e que eles sejam muitos para fazerem nossa vida melhor.
Uma pesquisa feita pelo SPC através do projeto “Meu Bolso”, antes da pandemia, mostra que 33% das compras feitas nos supermercados são por impulso. Dos que admitem comprar por impulso, 84,1% culpam as promoções como incentivadoras. Já o preço é o vilão da compra de 30,4%. Tem também os que viram o produto e ficaram com vontade de comprar, estes são 20,3%. Uma curiosidade é que a influência familiar também leva a compra por impulso para 55,4%.
Com a pandemia a relação dos consumidores com as compras mudou. O acesso restrito aos ambientes de consumo e o aumento da compra on-line mudou esta relação. Mas o impulso continuou a ser uma característica do consumidor.
Uma pesquisa da Hibou, empresa especializada de monitoramento de mercado, aponta que 88,4% dos brasileiros vão comprar menos por impulso. Que adquiriram mais critério no consumo durante a pandemia. Que o ambiente on-line, que cresceu em consumidores mais de 50%, principalmente com um público de melhor renda.
Existe um fator chamado represamento no consumo. A busca pelo ambiente agradável das compras e a fuga da rotina fazem muitos irem as compras. O que temos que observar é se as pessoas vão conseguir superar a ansiedade de outras formas que não seja a de ir às compras.
Por isso, pense antes de comprar. Você precisa? Você pode? Você deve? Você realmente quer? Estes são os questionamentos de uma boa ética no consumo.
Quem assiste as cessões da CPI da Covid no Senado tem um retrato do que é o país. O palanque político de uma comissão parlamentar de inquérito transmitida em tempo real por canais de comunicação. Resumos são divulgados diariamente em cadeia nacional.
Ontem, o senado pareceu um spot publicitário. O empresário Luciano Hang conseguiu deixar sua marca e valar de si e de seu empreendimento. Literalmente ele é um grande negociante, na CPI não descartou vender a mãe, falecida por covid.
Mas, se o empresário causou polêmica e descaracterizou a CPI, outros transformaram suas falas, lado a lado, independente de ser a favor ou contra o governo, em palanque. Mais valia argumentar em defesa e a favor do que indagar o depoente.
Este é um aspecto da democracia, nada fora do que um regime representativo não pode expressar. Ficamos sempre criticando a postura de homens públicos no exercício de seu mandato. Por sinal, entre os nossos últimos presidentes não são um bom exemplo de comportamento com a língua.
Dilma e Bolsonaro são exemplos de presidentes que deixaram “pérolas” em suas falas que ficaram para a memória. Não são os únicos, os parlamentos e executivos pelo país estão cheios. Até mesmo no Judiciário há quem fale tolices.
Tudo isso está dentro da normalidade democrática e representativa. Não é um problema do regime político e sim uma expressão da sociedade que escolhe determinados representantes. Vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e o presidente são eleitos democraticamente. São a expressão de nossa vontade e critérios.
Sendo assim, quando nos deparamos com comportamentos circenses e com vários palhaços no picadeiro. Nos sentimos sentados na plateia indignados com o espetáculo que vemos, é bom não esquecer que cada um deles expressa a forma como queremos resolver nossos problemas. Esta é a nossa piada de mal gosto.
No país são as micro e pequenas empresas que geram emprego. Este segmento empresarial é responsável por 75% da geração de postos de trabalho. Se ocorreu uma redução do desemprego no país, segundo o Cadastro de Empregados e Desempregados (Caged), saindo de 15,01% em abril para 13,7% em junho, foram as micro e pequenas empresas que geraram a maior parte desta boa notícia.
Porém, a maioria das vagas abertas ainda são informais. O que demonstram a dificuldade de apostar na estabilidade. Um levantamento feito pelo Sebrae em conjunto com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta a situação financeira das micro e pequenas empresas.
A falta de reservas é o principal problema, 52% das micro e pequenas só tem reservas para os próximos 3 meses. O que melhorou em relação ao ano passado, quando a previsão era de um mês de recursos para manter o empreendimento.
Alguns setores sofreram mais que outros durante a pandemia, isto é fato. Para áreas como informática ou varejo de alimentos a pandemia não foi de todo mal. Já para outros setores a crise instalada pela propagação da Covid-19 foi fatal.
Entre os setores mais atingidos por falta de recursos estão o de serviços (59%), Indústria (50,1%) e comércio (44,5%). Em média, 52% das micro e pequenas empresas estão em dificuldade financeira. Inclusive com 12% para pagar dívidas e 64% admitem ter contas em atraso.
Ilusão pensarmos na macroeconomia como resposta única para a superação da crise. O que precisamos é criar um ambiente saudável para micro e pequenos. Pensarmos na economia regional e investir em projetos para garantir a saúde financeira de quem mais gera emprego no país, os micros e pequenos.
Não é só linha de crédito que estas empresas precisam, qualificação para ter capacidade de atuação estratégica, e um sistema tributário realmente favorável para quem deseja empreender. O setor é quem mais gera emprego e também uma alternativa para quem o perdeu.
30% dos brasileiros precisaram do auxílio emergencial. Isto não é um bom sinal. Por falar em sinais, a pandemia denunciou inúmeros deles que já nos acompanham faz tempo. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que 68 milhões necessitaram receber do governo federal o auxílio-covid.
Antes da pandemia, já era claro que parte considerável das famílias tina renda diária abaixo de US$ 5,50. O que coloca, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), coloca o país com uma população de quase dois terços abaixo da linha da pobreza. Parte considerável, 20%, na pobreza extrema.
Não por caso o país está entre os dez mais desiguais do mundo. Na América Latina não há quem tenha uma desigualdade maior que a nossa. Segundo o índice Gini, que mede a distribuição de renda, com uma medida de zero a 1, estamos com 0,539. Somos mais desiguais que a Botsuana (0,533). Para se ter uma ideia de nossa desigualdade, os 1% mais ricos do país possuem o dobro da renda dos 40% mais pobres. Discrepância que vem crescendo nos últimos anos.
Enquanto esta desigualdade existir na proporção que temos, nada pode ser resolver e não há problema que podemos enfrentar sem sofrimento. A pandemia agravou nossos males e expôs nossas feridas. Isto não é um momento é uma herança maldita e corrói o futuro de grande parte dos brasileiros.
O governo federal gastou R$ 321,8 bilhões com o auxílio emergencial. Salvar o imediato por não ter investido nas permanências. Se consideramos um montante significativo o gasto com a emergência, não podemos deixar de lamentar a ausência de investimentos para a prevenção e qualificação. Pensar no futuro e agir no presente sempre foi um dilema ao longo da história.
Claro que sempre haverá tempo para prevenir. Podemos ter ações que tragam respostas duradouras. O que resta saber são quantos se beneficiam das condições atuais que vivemos. Mesmo que numericamente menor, os privilegiados podem deter uma força suficiente para continuar se beneficiando de um mal e anestesiar a dor que ele provoca.
O que leva uma pessoa a ser fiel a uma empresa, uma marca? Uma pesquisa feita pela plataforma Tiendeo mostra que 77% dos brasileiros têm algum descontentamento com a marca ou empresa que lhe atendeu. A pesquisa foi feita com 800 pessoas. Há uma frustração entre o que desejamos e o que nos é retornado. O risco de perda dos clientes é grande.
Mas como podemos superar esta frustração e garantir a fidelidade? 41% consideram que a devolução do produto e o reembolso são experiências que gera respeito pela empresa. Mas, há mais do que isso, 30% gostam de ter um tratamento diferenciado ter uma experiência diferente no relacionamento com a marca e o produto.
14% dos consumidores de produtos on-line gostam quando as empresas oferecem um frete grátis. 13% gostam mesmo é de uma promoção e 2% preferem um prêmio.
O curioso desta pesquisa é que a fidelidade nas lojas físicas é mais fáceis que as das empresas on-line. 42% gostam da experiência presencial, consideram mais seguras. 25% têm esta segurança nas lojas on-line e afirmam que tiveram boas experiências. 33% já tiveram boas experiências nas duas formas de lojas, on-line e presenciais.
O que já confirma outros dados levantados em pesquisas no varejo, 15% consideram que o preço é fator decisivo na compra, contudo, 48% têm no atendimento a segurança. A forma como as empresas se relaciona com seus clientes.
Voltamos a nossa pergunta, o que leva uma pessoa a ser fiel a ume empresa ou marca?
Relacionamento de respeito. Demonstração de preocupação não só com a venda, mas com o pós-venda. Em saber do cliente a sua experiência com o produto e saber ouvir sua opinião e entender que uma marca deve ser coerente e ter respeito por quem a procura. Logo, fidelidade é respeito e isso não tem preço.
Entre nas redes sociais, perceba a propaganda que os perfis fazem de si. Veja a alegria brotar da vida das pessoas. Como elas estão satisfeitas coma vida que tem. Desperta-se no mais desatento um sentimento de diminuição. Ter uma vida cheia de contradições enquanto existem pessoas sem conflitos. Como suportar ser “imperfeito” em meio a tatos perfeitos no mundo?
As imagens registram em boa parte das redes sociais a felicidade constante. Encontros calorosos e sinceros com os bons e “fiéis” amigos. Mensagens inteligentes e corpos perfeitos decoram o ambiente virtual. Para nos deixar ciente de nossa precariedade social, quanto seguidores tem a “persona perfeita”.
Seria tolo acreditar que este ser intocável existe. Que é natural ter aquela vida. Estamos diante de uma mentira. Não há uma vida harmônica, há uma vida normal. E vidas normais são carregadas de conflitos e cotidiano comum a maior parte do tempo. Não há nada de sobrenatural e nem de anormal em ser comum, normal.
O problema está na medida divulgada como um padrão desejável que é insuportável e inatingível. Ela é vendida como se fosse possível a todos. Esta mania dos propagadores da “fuleira autoajuda” de que tudo depende somente de você. Não somos o umbigo do mundo e estamos jogados neles.
As escolhas na vida nos exigem posicionamento, tomar posição requer, muitas vezes, entrar em rota de colisão com outras pessoas. Agir de uma determinada forma é contrariar a forma como as pessoas gostaria que agíssemos. Quantas vezes somos contrariados.
Logo, o suicídio que queremos combater tem um terreno fértil neste ambiente de padrões desumanos. Nesta exigência a felicidade. Na negação de que o normal é conviver na contradição entre acertos e erros. Este culto ao “perfeito” cobra seu preço e estamos pagando caro, com vidas, por isso.
O presidente da república fala na Organização das Nações Unidas. Fala meias verdades e mentiras. É criticado nos meios de comunicação. Mesmo na CPI da Covid, o presidente não é poupado. Um espetáculo de falas sem sentidos e críticas sem fundamentos.
Vivemos momentos em que dar opinião e falar sobre o que se pensa não tem compromisso com a realidade fundamentada. De onde vem os argumentos que usamos? Muitos consideram que sua vivência pessoal é referência para uma análise social. Não é!
Nos meios de comunicação, os dados apresentados são tidos como verdades absolutas, dados podem ser interpretados, manipulados e maquiados. Logo, há que se fazer um exercício árduo para saber se o que usamos como verdade tem seu fundamento mínimo ou não.
O Brasil continua o mesmo ao longo do tempo. Cheio de contradições. A nossa realidade nada mais é que o resultado de uma jornada pouco conhecida profundamente. Da formação colonial, império e as diversas fazes republicanas, há uma sociedade que se fez diversa e regional. Integrada pela força do Estado imposto e não representativo como se idealiza na democracia liberal.
Quantos de nós percebe este país? O que isso significa? Poucos e significa a superficialidade que tratamos diariamente nossas vidas. E, a grande maioria não está interessada na complexidade e sim na superficialidade dos fatos que nos cercam.
Transforme as dúvidas de seus dias em um estímulo, uma sedução, para a imersão na profundidade do que se sustenta. Você descobrirá um mundo além e muito diferente deste que imaginamos conhecer.
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