O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia nesta terça-feira a quinta reunião de 2026, em meio às projeções do mercado financeiro para novos cortes nos juros e redução das expectativas sobre a inflação. A decisão sobre a Taxa Selic será anunciada na noite de quarta-feira, depois de dois dias de discussões acerca do cenário econômico nacional e internacional.
A Selic está em 14,25% ao ano – menor nível de 2026, após três reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual promovidas pelo Copom nas reuniões de março, abril e junho. Na véspera do encontro, o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira mostrou mudança nas expectativas do mercado financeiro. A mediana das projeções para a Selic ao fim de 2026 caiu de 14% para 13,75%, após cinco semanas de estabilidade. As projeções do mercado, portanto, sugerem que o Banco Central promova pelo menos um ou dois novos cortes até o final do ano.
A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional e serve de referência para as demais taxas da economia. O índice é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle. Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida. Juros mais altos encarecem o crédito, estimulam a poupança e reduzem pressões sobre os preços.
O Congresso Nacional retomou os trabalhos após duas semanas de recesso parlamentar, sem previsão de sessão plenária deliberativa tanto na Câmara dos Deputados, quanto no Senado. Os presidentes das Casas concordaram em limitar os trabalhos legislativos a duas semanas de “esforço concentrado” devido ao período eleitoral. A primeira semana será entre os dias 10 e 14 de agosto, e a segunda entre os dias 31 de agosto e 3 de setembro.
A expectativa é que votações nos plenários da Câmara e do Senado ocorram apenas nessas duas semanas até as eleições gerais de outubro. Historicamente, o semestre de eleições é mais esvaziado no Congresso. Entre os projetos que não foram votados no primeiro semestre, e que podem entrar nos debates a partir de agosto, está a proposta de emenda à Constituição do fim da escala 6x1, que segue na mesa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Outro projeto que o governo gostaria de ver votado é a PEC da Segurança Pública, votada na Câmara, e que aguarda deliberação no Senado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem cobrado Alcolumbre, publicamente, para colocar o tema em votação. No Senado, há ainda a expectativa de se votar o projeto de lei de regulação da exploração dos minerais críticos, já aprovado pela Câmara. Outros temas debatidos no semestre anterior, mas que não chegaram ao plenário das Casas, são o PL da Misoginia e o PL da Inteligência Artificial, que regula a tecnologia no Brasil e foi apresentado como uma das prioridades do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta.
O Brasil pode ultrapassar a marca de um milhão de pessoas presas até o ano que vem. O alerta consta nos dados do novo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que revela que o total de detentos, em 2025, chegou a 964 mil 668 pessoas, somados os presos em penitenciárias e em delegacias, total que é 6% superior em relação a 2024.
Considerando o período entre 2000 e 2025, o número de pessoas privadas de liberdade aumentou praticamente 315%. Levando em conta apenas os anos de 2016 a 2025, o total passou de 722 mil detentos para 964 mil presos em penitenciárias e delegacias.
O avanço acelerado do número de prisioneiros agrava a superlotação nos estabelecimentos penais No ano passado, o Brasil contabilizava 679 mil vagas no sistema prisional, um déficit, portanto, de pouco mais de 281 mil vagas em relação ao total de pessoas presas.