Por que a gente era feliz com tão pouco nos anos 90 e 2000?
Você já parou pra pensar nisso?
Não era pobreza.
Era foco.
Um brinquedo só.
Um canal na TV.
Um horário certo pra tudo.
A escassez não era um problema — era o que concentrava a atenção.
Porque quando tudo importa… nada satisfaz.
A felicidade vinha sem planejamento.
Você lembra?
Alugar um filme.
Abrir um salgadinho diferente.
Jogar conversa fora na calçada, sem pressa de acabar.
A gente não precisava otimizar o momento.
Ele simplesmente acontecia.
E isso fazia toda a diferença.
A expectativa era metade da alegria.
Esperar o episódio passar.
A música tocar no rádio.
O jogo carregar.
A espera criava valor emocional.
Criava memória.
Criava história.
Hoje tudo é instantâneo.
E, talvez por isso… tão descartável.
Não existia comparação constante.
Você curtia sem registrar.
Se divertia sem mostrar.
Ninguém precisava provar felicidade pra ninguém.
A alegria não dependia de curtidas.
Não precisava de validação externa.
E o tédio…
O tédio era um aliado secreto.
Ficar sem fazer nada não era falha —
era o espaço onde surgiam ideias, brincadeiras e improvisos.
Hoje, qualquer segundo vazio vira ansiedade.
Silêncio incomoda.
Pausa assusta.
A dopamina não era barata.
Um elogio.
Uma conquista simples.
Um momento bobo rendia dias de memória.
Hoje os estímulos são tantos que nada fixa.
Tudo passa rápido demais pra virar lembrança.
No fundo, nunca foi sobre as coisas.
Sempre foi sobre o estado da mente…
e do coração.
Menos opções.
Menos ruídos.
Menos pressa.
A felicidade tinha espaço pra existir inteira.
E talvez seja por isso que a gente evoluiu em conforto…
mas regrediu em satisfação.
Nunca tivemos tanto acesso, tanta escolha, tanta conveniência.
E nunca foi tão difícil sentir contentamento real.
O problema não é a falta.
É o excesso.
Talvez a gente não precise de mais.
Talvez precise de menos.
Menos estímulo.
Menos comparação.
Menos urgência.
Não pra voltar no tempo.
Mas pra resgatar algo que ficou pelo caminho:
a capacidade de se alegrar com o que já está aqui.